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As promoções do Pingo Doce

por José Gomes André, em 02.05.12

O timing das promoções foi oportunista e provocador (o que se esperava depois da guerra nos últimos dias entre supermercados e sindicatos). Mas tirando isto, o que justificou tanta algazarra nos media, tanta indignação (São José Almeida falou mesmo em "atentados à dignidade humana"), tantas "manifestações de pesar"? O Pingo Doce ganhou (pelas vendas e pela publicidade). As pessoas ganharam, poupando dezenas de euros. O Estado ganhou milhares de euros em impostos. Os trabalhadores ganharam um dia de salário a triplicar, o direito a gozar uma folga e desconto de 50% em compras. Caramba, até os jornalistas ganharam tema de reportagem num dia soporífero.

 

O resto é folclore. Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas. Folclore da Esquerda-caviar, que manda umas bocas ao Pingo Doce e aos coitadinhos manipulados pelo grande capital, porque lhe sobra dinheiro para comprar o que bem entende, ao preço que calhar, no Corte Inglés e nas lojas gourmet. E folclore da Esquerda-socialista, que suplica por políticas de crescimento e desenvolvimento, mas quando vê iniciativas bem-sucedidas com origem em empresas privadas, a que as pessoas aderem por sua livre escolha (e interesse), entra de imediato em pânico, face à necessidade de repensar os seus estereótipos intelectuais.

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1 comentário

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De Ana Lourenço a 02.05.2012 às 11:52

Engavetou as críticas de acordo com os padrões que conhece, pelo que a sua visão é restrita.
O dia 1º de Maio foi consignado Dia do Trabalhador porque, bem antes de nós, houve quem lutasse, quando isso parecia impossível, quem tivesse morrido por essa luta e quem teve o seu sangue derramado, sem viver para comprovar que as suas lutas deram frutos: o Trabalho foi consignado, mais do que um direito, uma importante esfera da vida do ser humano que lhe permitiria, não só a sobrevivência, mas o seu desenvolvimento económico, social e intelectual.
Honrar o 1º de Maio é prestar homenagem a todos os que tornaram possível a evolução histórica, sociológica, psicológica e económica no campo do Trabalho.
Aqui não cabe direita ou esquerda: cabe conhecer a História, saber que as condições de trabalho que hoje, genericamente existem, são o resultado de muito esforço, persistência e luta. Por isso, o 1º de Maio deveria merecer o respeito de todos os quadrantes.
Compreendo que haja pessoas que trabalhem no 1º de Maio. Não compreendo que estas ‘promoções’, podendo acontecer em outros dias do ano, aconteçam, precisamente neste dia. É, obviamente, uma provocação e uma afronta ao respeito histórico que nos merece esta data.
Ou só as datas religiosas é que podem fazer sentido? É que não professando qualquer tipo de religião, que não professo, eu acharia que seria uma igual afronta se estas ‘promoções’ tivessem lugar a um 25 de Dezembro.
“Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas.” Se foi dumping – é ilegal e, pelo que deduzo do seu discurso, isso não será problemático, porque vale tudo até arrancar olhos. Se não foi, significa que o PD não tem qualquer preocupação com as “milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas)” porque está a praticar lucros astronómicos no resto do ano, sabendo que estamos em crise e que estes ‘desfavorecidos’ o são todos os dias do ano.

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