Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As promoções do Pingo Doce

por José Gomes André, em 02.05.12

O timing das promoções foi oportunista e provocador (o que se esperava depois da guerra nos últimos dias entre supermercados e sindicatos). Mas tirando isto, o que justificou tanta algazarra nos media, tanta indignação (São José Almeida falou mesmo em "atentados à dignidade humana"), tantas "manifestações de pesar"? O Pingo Doce ganhou (pelas vendas e pela publicidade). As pessoas ganharam, poupando dezenas de euros. O Estado ganhou milhares de euros em impostos. Os trabalhadores ganharam um dia de salário a triplicar, o direito a gozar uma folga e desconto de 50% em compras. Caramba, até os jornalistas ganharam tema de reportagem num dia soporífero.

 

O resto é folclore. Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas. Folclore da Esquerda-caviar, que manda umas bocas ao Pingo Doce e aos coitadinhos manipulados pelo grande capital, porque lhe sobra dinheiro para comprar o que bem entende, ao preço que calhar, no Corte Inglés e nas lojas gourmet. E folclore da Esquerda-socialista, que suplica por políticas de crescimento e desenvolvimento, mas quando vê iniciativas bem-sucedidas com origem em empresas privadas, a que as pessoas aderem por sua livre escolha (e interesse), entra de imediato em pânico, face à necessidade de repensar os seus estereótipos intelectuais.

Autoria e outros dados (tags, etc)


19 comentários

Imagem de perfil

De Laura Ramos a 02.05.2012 às 02:04

Subscrevo. Aviltante não são as promoções do PD, aviltante é isto ser "A" notícia do nosso 1º de Maio. Andamos a trocar tudo...
Dar tiros nos pés também é outro nome a dar à coisa.
Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 02.05.2012 às 02:19

Do que gosto mesmo é da expressão "esquerda-católica". Há sempre tanta lágrima moralista por derramar, tanta indignação acerca do outro alienado (eu não que sou iluminado), tanto respeitinho é muito bonito pelos símbolos ora da pátria ora da progresso, tanto dedo apontado à procura de quem é a culpa.
Imagem de perfil

De José Gomes André a 04.05.2012 às 01:38

Pois é, caro companheiro filósofo :)
Sem imagem de perfil

De FireHead a 02.05.2012 às 03:15

"Esquerda-católica"?? Bolas, eu sou católico e não quero nada com a esquerda! Ficaria melhor se tivesse escrito "esquerda-protestante" ou "esquerda-testemunhas de Jeová"...
Sem imagem de perfil

De Seca-Adegas a 02.05.2012 às 17:50

como católico,
cá pra mim aqui é (foi) coisa de ímpios e aleivosos.
diz Salomão no livro de Prov. que "mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão decepados".
Sem imagem de perfil

De António M P a 02.05.2012 às 05:36

Assim sendo, porque não fazem isto todos os feriados e fins de semana? Todos os dias, porque não? Todos os supermercados! Isso é que vai ser ganhar.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 02.05.2012 às 11:25

É a Aristocracia Social.
Protestam contra o consumismo mas depois choram pelos empregos.
Dizem mal do Sócrates mas depois querem os défices do Sócrates.
Julgam que têm um direito de pernada sobre o 1 de Maio.
Sem imagem de perfil

De Luís Vicente a 02.05.2012 às 11:35

Bem, ainda bem que há gente descomplexada e prá frentex que sabe ver as coisas descontraidamente...

Suponho que se algum dia a concorrência escolher o dia de natal para fazer uma operação semelhante também vai achar tudo bem, não é?

Afinal, é tudo uma questão de eficácia e lucro (para todos, obviamente)
Sem imagem de perfil

De singularis alentejanus a 02.05.2012 às 11:41

Quem não ganhou sei quem foi: o consumidor. Esta engenharia "obriga" o consumidor a ir ao PD. É certo que aqueles preços estão baixos, e os outros que o consumidor imbuido pelo espírito de "ser tudo mais barato" compra também? Se fizerem as contas, e existem estudos sobre a matéria, em termos médios onde se compra mais caro é nas grandes superfícies.
Sem imagem de perfil

De Ana Lourenço a 02.05.2012 às 11:52

Engavetou as críticas de acordo com os padrões que conhece, pelo que a sua visão é restrita.
O dia 1º de Maio foi consignado Dia do Trabalhador porque, bem antes de nós, houve quem lutasse, quando isso parecia impossível, quem tivesse morrido por essa luta e quem teve o seu sangue derramado, sem viver para comprovar que as suas lutas deram frutos: o Trabalho foi consignado, mais do que um direito, uma importante esfera da vida do ser humano que lhe permitiria, não só a sobrevivência, mas o seu desenvolvimento económico, social e intelectual.
Honrar o 1º de Maio é prestar homenagem a todos os que tornaram possível a evolução histórica, sociológica, psicológica e económica no campo do Trabalho.
Aqui não cabe direita ou esquerda: cabe conhecer a História, saber que as condições de trabalho que hoje, genericamente existem, são o resultado de muito esforço, persistência e luta. Por isso, o 1º de Maio deveria merecer o respeito de todos os quadrantes.
Compreendo que haja pessoas que trabalhem no 1º de Maio. Não compreendo que estas ‘promoções’, podendo acontecer em outros dias do ano, aconteçam, precisamente neste dia. É, obviamente, uma provocação e uma afronta ao respeito histórico que nos merece esta data.
Ou só as datas religiosas é que podem fazer sentido? É que não professando qualquer tipo de religião, que não professo, eu acharia que seria uma igual afronta se estas ‘promoções’ tivessem lugar a um 25 de Dezembro.
“Folclore da Esquerda-católica, que gosta de apregoar a sua "preocupação pelas pessoas", mas prefere falar do "dumping" e dos atentados a não-sei-o-quê, quando na verdade milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas) tiveram um dia em cheio, com efectivo impacto nas suas difíceis contas.” Se foi dumping – é ilegal e, pelo que deduzo do seu discurso, isso não será problemático, porque vale tudo até arrancar olhos. Se não foi, significa que o PD não tem qualquer preocupação com as “milhares de pessoas (na maior parte desfavorecidas)” porque está a praticar lucros astronómicos no resto do ano, sabendo que estamos em crise e que estes ‘desfavorecidos’ o são todos os dias do ano.
Sem imagem de perfil

De cr a 02.05.2012 às 11:58

Sr.José Gomes André, por vezes ( reconhecendo que cada vez menos) o dinheiro não é tudo!
Sem imagem de perfil

De JSP a 02.05.2012 às 13:05

Em cheio!

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D