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Three blind mice

por Ana Vidal, em 21.04.09

  

Sobreviventes de Auschwitz encontram-se na Internet

Três prisioneiros do campo de concentração nazi de Auschwitz encontraram-se pela primeira vez em Israel, depois de se descobrirem na Internet. Ainda têm tatuados nos braços os números de identificação, que os levaram a uma descoberta espantosa: os três números são seguidos.

De vez em quando, neste anestesiado mundo em que vivemos, aparece uma história extraordinária que nos faz levantar a sobrancelha, nos arranca um sorriso ou uma lágrima, nos faz questionar essa estranha abstracção a que chamamos acaso. Esta é uma dessas histórias.

 

Não é pelo facto de três homens com um passado (in)comum se terem encontrado através da net,  já que isso é vulgar, hoje em dia. Mais ainda, se existem interesses e experiências a partilhar que justifiquem uma pesquisa. Não é pelo facto de estes três homens terem combinado uma peregrinação de saudade, de desagravo ou de salvação, ao paraíso perdido cujo espírito os terá, talvez, mantido vivos e conduzido, por entre insuportáveis memórias, a uma qualquer possibilidade de paz.

 

O que é extraordinário nesta história é que estes homens tenham chegado a Auschwitz exactamente no mesmo momento, tenham tido os braços marcados com minutos de intervalo, tenham vivido juntos as mesmas experiências aterradoras e se tenham salvo, sem nunca mais se encontrarem ou saberem uns dos outros. Até agora. Três números seguidos, três figuras desamparadas numa longa fila de condenados. Números que ficaram gravados a ferro e fogo, a impedir para sempre a benção do esquecimento. Novos nomes, vidas refeitas, esperanças renascidas. E, sessenta anos depois, a descoberta de uma partilha tão terrível como íntima.

 

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17 comentários

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De Anónimo a 21.04.2009 às 19:24

Diz que Mahmud Ahmadinejad não acreditou nessa história.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 00:43

Consta que ele tem grande dificuldade em acreditar em qualquer coisa, a não ser em si próprio...
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De Virgínia a 21.04.2009 às 20:18

Uma das minhas irmãs conheceu uma senhora que também esteve em Auschwitz.
O marido foi morto nesse campo.
A senhora refez a vida, mas era com grande emoção que ouvia um disco onde o marido cantava operetas com uma voz maravilhosa.
Foi uma época de muito sofrimento.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 00:45

Um sofrimento inimaginável, Virgínia.
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De mdosol a 21.04.2009 às 21:11

:)
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De Pedro Correia a 22.04.2009 às 00:34

Uma história verdadeiramente extraordinária, sob os mais diversos pontos de vista. Excelente 'post', Ana.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 00:46

Comoveu-me a história, a alegria deles, a coincidência espantosa. Obrigada, Pedro.
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De Cristina Ferreira de Almeida a 22.04.2009 às 00:48

Muito tocante, Ana. Podíamos ser nós...
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 01:01

Essa ideia passa-me sempre pela cabeça, Cristina: e se tivesse sido eu, e as pessoas de quem gosto? É um exercício doloroso mas útil, para não desvalorizarmos todo este horror à medida que os anos passam.
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De Sara a 22.04.2009 às 01:05

Estou arrepiada. É bom saber que ainda há coisas bonitas a passar-se no mundo, para fugir um bocadinho ao 'facto' de os portugueses de repente estarem todos a passar fome por causa da crise...
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 01:26

Não minimizo a crise, Sara, e sei que há muitos portugueses em grandes dificuldades. Mas ao pé disto...
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De Sara a 22.04.2009 às 03:35

Não minimizo. Apenas não exagero. Não aguento mais os artigos diários da imprensa sobre a crise e os cortes dos portugueses e etc etc etc . . . É bom ler outras coisas e a sua história é absolutamente incrível!
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De Rui Vasco Neto a 22.04.2009 às 02:25

ana,
speachless. Bom título, diga-se, corajoso e atrevido. Maduro ou por acaso? Voto na primeira hipótese, no palpite. Um post importante, bem escrito.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 02:43

Obrigada, Rui Vasco. Lembrei-me da velha canção infantil porque eles são três, e porque a letra (violenta, tensa e cheia de segundas leituras) sempre me impressionou, exactamente por ser para crianças.
Não, não foi por acaso.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 02:56

Já agora, aqui fica a letra para quem não conhece:

Three blind mice. Three blind mice.
See how they run. See how they run.
They all ran after the farmer's wife,
Who cut off their tails with a carving knife,
Did you ever see such a sight in your life,
As three blind mice?

"The farmer's wife" é uma alusão à sanguinária Maria Tudor, mais conhecida por "Bloody Mary".
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De lili a 22.04.2009 às 06:51

Extraordinário e excelente o post.
Às vezes, também me ponho a imaginar se isto acontecesse comigo e à minha família, é tão doloroso, mas mesmo assim creio que deve ficar muito aquém da realidade.
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De Ana Vidal a 22.04.2009 às 11:23

Acho que nenhuma imaginação, por mais delirante que seja, ultrapassa o que foi aquela monstruosidade, infelizmente bem real.

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