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Exílio parisiense

por José Navarro de Andrade, em 29.04.12

Afonso Costa em Paris

Sidónio varreu tudo com um gesto.

Tudo, era a República tal como fora até aí e o gesto incluiu a olvidada batalha do Rato, em que na noite de 5 de Dezembro de 1917 os marinheiros governamentais carregaram pela R. da Escola Politécnica apontando à S. Filipe Nery, acabando em combates corpo a corpo, à baionetada, debaixo de fogo de metralhadora, contra as trincheiras sidonistas do Largo do Rato. Houve quem contasse 200 cadáveres no rescaldo, embora os números certos nunca tivessem sido apurados. “A marinha foi beber água ao Rato” fez-se verso de fado cantado pelas esquinas e tabernas lisboetas.

A república como fora até aí chamava-se Afonso Costa. Ele era dono e senhor do PRP (Partido Republicano Português), pôs e dispôs dos governos, distribuiu o tesouro a quem quis e como quis, remeteu para os confins da oposição quem se lhe atravessou ao caminho, como Brito Camacho e António José de Almeida, aos quais foram reservados papéis meramente decorativos.

Afonso Costa era frio com os inimigos, irascível com os chegados, implacável com todos – inamovível. Além disso tinha sempre razão, o que era sobejamente legitimado pelas aclamações que qualquer plano ou pensamento seu sempre concitava entre os apoiantes. Os erros eram doutros e para lá do círculo de fiéis em que se concertou, só via impostores, oportunistas e mal intencionados. O ídolo não tinha pés de barro, durou 7 anos de poder e moldou o regime à sua feição e a seu bel-prazer, mas quando foi derrubado ninguém socorreu a apanhar os estilhaços.

Que sucedeu a Afonso Costa, depois do golpe de Sidónio? Foi para Paris num exílio de prata (não existe tal coisa como um exílio dourado). Só regressou em 1971, 34 anos depois da sua morte, direito ao jazigo familiar em Seia.


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