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Em dia de livro

por Ivone Mendes da Silva, em 23.04.12

Não deve ter sido a melhor ideia do mundo ler o Guerra e Paz aos 13 anos mal feitos. Os Guerra ainda não tinham chegado e a tradução devia ser péssima. A minha adolescente cabeça também, claro. Aprendi a ler muito cedo e, por isso, cheguei rapidamente aos livros. Comecei pelas aventuras exóticas e pelos policiais da Agatha Christie e um dia, ao abrir o Mar Morto de Jorge Amado, li: Pastoreávamos a noite como se ela fosse um bando de irrequietas virgens na idade do  homem. Pensei que devia haver vida para além do crime e peguei nos primeiros volumes que estavam à mão na estante. Era o Guerra Paz ou, pelo menos, coisa que se assemelhava. Não parei deste então. Fui andando pela estante de casa e por outras estantes e li tudo em que consegui pôr os olhos. Quando cheguei à faculdade, tinha no currículo de leitora, para além dos portugueses, os franceses, os russos, os ingleses do séc. XIX, os americanos. Continuei, compulsiva, insistente, fui descobrindo autores e redescobrindo outros. Quando me perguntam como se leva um jovem a gostar de ler, respondo sempre que não sei. Gostar de ler é uma graça que se recebe. A minha leitura do Guerra e Paz não foi, decerto, a melhor leitura, tanto que tive de voltar ao texto muitos anos depois. Mas foi lá que aprendi que os livros são a pátria comum dos homens. Nem sempre de leite e mel, mas de inesgotáveis territórios.

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11 comentários

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De Pedro Correia a 23.04.2012 às 17:12

Eu aprendi a ler com autores que hoje quase todos consideram foram de moda - de Torga a Jack London. E com muitos outros - de Adolfo Simões Müller a Mark Twain. E, sim, também, com 'a gata' Christie. E o Maurice Leblanc. E as aventuras de capa-e-espada: Dumas, Sabatini. Walter Scott. E o Verne, claro. E alguma poesia, muita poesia: o Gedeão, o Sidónio Muralha, o Zé Gomes [Ferreira]. E os 'Esteiros'. Romeu Correia e os seus 'Bonecos de Luz'. Erico Veríssimo com a sua 'Clarissa' e sagas subsequentes. Alguns autores de quem ninguém hoje já fala. E a quem devo muito. Serão meus para sempre.
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De Ivone Mendes da Silva a 23.04.2012 às 17:17

Conheço esses territórios, andei por lá também. :)
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De Ana Lima a 23.04.2012 às 17:17

Eu diria que, se criou essa vontade compulsiva de ler, foi uma óptima ideia, Ivone. :)
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De Ivone Mendes da Silva a 23.04.2012 às 17:18

Sim, foi, tens razão :)
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De PALAVROSSAVRVS REX a 23.04.2012 às 17:22

Acho que somos irmãos-de-alma, Ivone.
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De Maria de Fátima Vila Real Coelho a 23.04.2012 às 21:35

Fiz um percurso semelhante, Ivone...
Também comecei a ler muito cedo (a ler, não!.... a devorar!)..... em pequena, os "Tio Patinhas", "Os Cinco", os super-heróis da B.D....... o "Cavaleiro Andante"...... até os livrinhos da colecção "6 balas" marchavam!
O cheiro dos livros, os sons e as vozes que se soltavam deles quando lhes entrava pelas páginas, povoavam-me de mundos, de gentes...
Aos 13 anos li "O Conde de Monte Cristo" e apaixonei-me pelo Edmond Dantès...... foi o meu primeiro "namorado"... :-)
Depois...... fui de livro em livro, de autor em autor, a alguns tenho-os como íntimos porque dialogam comigo...
As minhas filhas cresceram a brincar com livros..... dei-lhes a mão e fui com elas por eles adentro..... e fizeram-se adultas sempre de livros na mão... :-)
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De Ivone Mendes da Silva a 23.04.2012 às 22:20

E há lá coisa melhor do que um namorado que mora dentro de um livro? :)
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De Maria de Fátima Vila Real Coelho a 24.04.2012 às 00:46

Não há, Ivone....... tão bom, que nunca o esqueci... :-))
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De Nuno Valadas a 07.09.2012 às 01:42

Isto é que é sintonia livresca! :) Já a minha namorada foi a Joaninha «do» Garret!
Aposto que ainda hoje não gosta de automóveis Mercedes! :D ;)
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De Leonor Barros a 23.04.2012 às 22:48

Não me lembro muito bem como comecei a ler mas deve ter sido uma dessas histórias da Anita, tadita, tão boazinha e fada do lar em potência.

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