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Últimas Ceias #2

por José Navarro de Andrade, em 05.04.12

Adi Nes, 1999

 

No final do século passado o fotógrafo Adi Nes tornou-se notável ou notório, conforme o lugar donde olhamos para o seu trabalho, com a série fotográfica “Soldados”. Remetendo para a iconografia cristã, Adi Nes fotografou os soldados do seu país encenando-os em poses que desvaneciam qualquer dúvida acerca da pulsão homoerótica que o animava. Sobre isso, escolheu os rapazes mais trigueiros para modelos, confundíveis com árabes. Não é despiciendo referir que Adi Nes é israelita, pelo que qualquer uma das características acima elencadas (cristianismo, exército, árabe) desfraldou celeuma.

Que a partir desta série Adi Nes tenha atingido envergadura internacional, que o seu trabalho seja premiado e desenvolvido ao abrigo de instituições oficiais, bastaria para nos elucidar acerca da natureza política de Israel. Talvez que num raio de 1000km a leste de Tel Aviv, onde Nes tem residência, qualquer uma das sua fotografias constituísse motivo para no mínimo ser agraciado com vergastadas em vez de crítica.

 

 Vivek Vilasini, "Última Ceia em Gaza", 2008

 

Dizem as notas que Vivek Vilasini, indiano de nascimento e vivência, aborda a identidade cultural. Seja por aí. Ao deslocar a última ceia uns kms mais a sul ou a leste, trocando os homens pelas mulheres, prefiro ver nesta versão a capacidade de tudo ser revelado através dos olhos e das mãos. Isso, e a pose ser perfeitamente codificada pelo que já sabemos da cena, permite-nos identificar os sentimentos de traição e ansiedade. Se a última ceia, no seu significado clássico, é o prólogo do grande momento, aqui parece-nos ser o epílogo de qualquer coisa que já aconteceu e foi lá fora. Tudo do avesso, portanto.


14 comentários

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De Ana Vidal a 05.04.2012 às 12:09

Tinhas razão, eu não tinha nenhuma destas imagens na minha colecção. Interessantíssimas, aliás. Veremos os teus próximos posts e depois avanço com os meus, com imagens que não sejam repetidas. Pode ser?
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De João Carvalho a 05.04.2012 às 12:59

Lembro-me bem das últimas ceias que trouxeste para o DELITO em 2010, colecção que achei fabulosa.
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De Ana Vidal a 05.04.2012 às 13:02

Daí para cá fui juntando mais algumas, João. Mas vou intercalar os meus posts com os do Zé, hoje à tarde já sai o primeiro.
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De João Carvalho a 05.04.2012 às 13:00

Já sou fã desta tua série, Zé. Sugiro-te que não te esqueças de colocar os tags, para ela se manter unida e revisitável.
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De José Navarro de Andrade a 05.04.2012 às 15:36

Já "taguei". Ainda bem que lembraste.
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De Gi a 05.04.2012 às 18:44

Estou a gostar muito desta série. Assim que puder, vou procurar a da Ana, que não cheguei a ver.
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De José Navarro de Andrade a 05.04.2012 às 19:07

Já está aí em cima. Vale a pena.
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De Ivone Mendes da Silva a 05.04.2012 às 19:09

Repito, Zé Navarro: excelente ideia.
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De José Navarro de Andrade a 05.04.2012 às 19:26

É para fazer companhia às tuas damas florentinas.
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De José António Abreu a 05.04.2012 às 19:20

Ele deu alguma explicação para os soldados serem 14? (Tenho sempre de contar, é mais forte do que eu...)
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De José Navarro de Andrade a 05.04.2012 às 19:28

Boa pergunta! Não os tinha contado e tem que haver uma razão, embora o 14º não esteja propriamente à mesa. Vou ver se encontro, mas desconfio que seja uma pesquisa votada ao insucesso.
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De José Navarro de Andrade a 06.04.2012 às 18:29

Descobri uma hipotética resposta, assaz especulativa, à tua questão. O 14º comensal é Maria Madalena. Alguma exegese mais radical sustenta que ela esteve presente e foi rasurada, ou deveria ter estado para que houvesse pelo menos uma mulher à mesa. Nem sei se Adi Nes teve tal intenção, mas é uma leitura possível.
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De José António Abreu a 06.04.2012 às 19:02

Obrigado pelo esforço. Tem lógica. Quanto a ser especulativa - são as melhores. Como é que a internet - e, mais especificamente, os blogues - sobreviveriam sem especulação?

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