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Pelo Inglês como idioma oficial de Portugal

por João Campos, em 03.04.12

Uma vez que o que importa em todo o imbróglio do acordo ortográfico é a "estratégia", então eu sugiro que se leve a questão "estratégica" até às últimas consequências, e se adopte a língua inglesa como idioma oficial de Portugal. Bem vistas as coisas, no mundo de hoje não há idioma mais estratégico:

  1. Há mais países - e muitas mais pessoas - a falar inglês que português.
  2. O inglês assume hoje a qualidade de um idioma franco, falado em praticamente qualquer lugar, das maiores cidades do mundo aos sítios mais inóspitos, do Pólo Sul à Estação Espacial Internacional.
  3. O inglês é, para todos os efeitos, o idioma da Internet e das tecnologias de informação e comunicação - e estas constituem o futuro.
  4. O inglês é facílimo de aprender, e as gerações mais novas, graças à Internet, ao cinema, à televisão e aos videojogos, aprendem o idioma com grande facilidade. 
  5. Livres do português, os currículos escolares podem dedicar-se ao ensino de idiomas estrangeiros realmente estratégicos e relevantes, como o espanhol ou o mandarim (este último pode vir a ser muito útil para decifrar as facturas da electricidade). 
  6. O mercado editorial de língua inglesa é incomparavelmente mais vasto que o português. Para quê estarmos preocupados com a "estratégia" de publicar livros no Brasil quando podemos, ao invés, publicá-los nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, e, enfim, em todo o mundo, do Chile à Papua - Nova Guiné, através da Amazon?
  7. Acabavam-se as traduções de merda que muitas editoras portuguesas fazem, sobretudo nos géneros do Fantástico. 
  8. Os restaurantes algarvios deixariam de precisar de colocar letreiros em Agosto a dizer "Portuguese is spoken here", pois o português tornar-se-ia desnecessário - toda a gente falaria inglês. Com jeitinho e alguma sorte, talvez até passassem a falá-lo melhor. 
  9. Deixaríamos de usar termos do ridículo "portuguesing" em conversas de finanças, negócios e tecnologias. Zeinal Bava ficaria radiante. 
  10. Facilitaríamos a vida a todos os turistas que recebemos e queremos receber.
  11. O "engrish" é hilariante.

De qualquer forma, aprendemos nos comentários a estes posts que:

  • A etimologia não interessa para nada;
  • Como no passado outros iluminados burocratas - temos, para mal dos nossos pecados, mais burocratas iluminados em terra do que sardinhas no mar - já abastardaram o idioma, não há qualquer problema em fazê-lo agora, e as vezes todas que lhes der na telha. Basta que um desses cabrões acorde para aí virado;
  • Os opositores ao acordo são os Velhos do Restelo do presente;
  • O que move os opositores do acordo é o "ódio ao Brasil".

I rest my case. Sem itálicos, que com a adopção do inglês deixam de ser necessários.


29 comentários

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De Ana Vidal a 03.04.2012 às 13:27

Isso, João, dá-lhes ideias... não me admiraria muito que um dia destes estejamos todos a falar inglês técnico, ou internetês, uma forma ainda mais simplificada. Tão fácil de aprender que basta um Domingo para um diploma, como provou o Sócrates.
Tão simples e tão fácil que os nossos cérebros vão adormecer de vez, por falta de estímulo.
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:26

Ao menos hoje os diplomas de domingo seriam mais sofisticados: trocaríamos o fax pelo correio electrónico, e usaríamos linguagem SMS :)
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De zedeportugal a 03.04.2012 às 13:30

Tendo a concordar
(In English: I tend to concordate)
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De Vasco a 03.04.2012 às 14:19

E eu ri-me o meu rabo fora.
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:27

Agora fez-me lembrar os sketches do "Lauro Dérmio"!
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De José António Abreu a 03.04.2012 às 13:30

Eu apoio a ideia. Perdido por um...
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De cenas underground a 03.04.2012 às 13:38

+1
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De José António Abreu a 03.04.2012 às 13:42

Ah, e esqueci-me de dizer: o texto está brilhante.
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:28

Ora essa, obrigado!
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De Samuel de Paiva Pires a 03.04.2012 às 14:04

Na mouche!
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:29

Ou, em inglês, bullseye!

Isto do acordo ortográfico mais parece um fenómeno do Entroncamento...

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De Vasco a 03.04.2012 às 14:18

Oy, I'm really flabbergasted by this post - very, very nice! Carry on, amigo.
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:30

"Flabbergasted" is quite a remarkable word. Will do!
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De Susana Bastos a 03.04.2012 às 14:34

Hear, hear, caro João Campos.

Excelente Post.

Susana Bastos
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:30

Roger that, Susana.
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De André Miguel a 03.04.2012 às 14:36

"o mandarim (este último pode vir a ser muito útil para decifrar as facturas da electricidade)."

Todo o texto é genial, mas esta é hilariante!
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:31

A piada não é minha, confesso, mas não resisti a enfiá-la aqui. De facto, é muito boa!
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De Teresa Ribeiro a 03.04.2012 às 14:38

Aí está, ou tudo ou nada. Estou contigo, João.
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:31

Já somos muitos, Teresa.
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De Jorge Pinheiro a 03.04.2012 às 15:10

Det iz a gude aidia. Ende since inglish iz a universal lenguadje uí ken olueis introduce niu uardes laike "ai éme shatieided".
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De João Campos a 03.04.2012 às 19:33

Ande ai éme shatieited tu, Jorge. Ande uí ken introduce uatéver uí uánte.
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De Ana Vidal a 03.04.2012 às 15:19

Que se lixe o português, que é complicadíssimo de aprender e dá muito trabalho.

I'm in, Johnny! God shave the Queen!
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De Ana Vidal a 03.04.2012 às 20:35

To the royal table of the corner?

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