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Retórica e poder

por Jorge Assunção, em 18.04.09

Foi Bryan Caplan quem neste post afirmou a propósito da realidade política americana que a grande diferença entre o partido Democrata e o partido Republicano era nada mais, nada menos, do que a retórica. Embora não pareça, e a avaliar pelas reacções apaixonadas dos que 'torcem' por um ou por outro lado não parecerá mesmo, eu tendo a concordar com a ideia de Caplan. A grande diferença entre os dois principais partidos americanos é a retórica e o mesmo se pode dizer no caso português entre o PS e o PSD. Pior ainda, fruto do nosso quadro partidário onde outras forças ocupam as margens, PS e PSD tendem a convergir ainda mais naquilo que defendem. Tudo o que sobra então é a retórica, não é por isso de estranhar que se dêem ao espectáculo esquizofrénico de defenderem uma coisa enquanto oposição e fazerem outra enquanto governo: a propósito, veja-se o que dizia o PS quando era oposição ao governo PSD/CDS e o que agora faz, ou a posição do PSD em relação ao TGV enquanto governo e o que agora diz. E isto para não falar nas questões europeias, onde as posições de um e de outro partido, na essência, em nada diferem.

Mas o cúmulo foi quando Ferreira Leite submeteu-se ao silêncio para que o PS de José Sócrates não lhe roubasse as ideias. Maior sinal de que os partidos são iguais, ao ponto de um recear que o outro lhe copie as ideias, não há. E isto é tão mais verdade quando a comparação é entre as lideranças de José Sócrates e de Ferreira Leite.

 

Quero com isto dizer que é indiferente quem ganha as eleições legislativas? Obviamente que não. Não só porque, apesar de tudo, reconheço diferenças entre os dois partidos, mas principalmente pela questão do poder. Na célebre frase de Lord Acton, "o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente", encontra-se boa parte da justificação. Este PS de José Sócrates tem muitos dos tiques de quem foi corrompido pelo poder. Como alertava a Ana Margarida Craveiro aqui neste blogue não há muito tempo, o actual PS está irreconhecível face ao seu passado - confesso que ao ler o post em causa lembrei-me do Gollum d'O Senhor dos Anéis e com isso imaginei José Sócrates como que a suplicar pela sua preciosa maioria absoluta. Não sou um adepto de governos minoritários ou de coligações, mas sou um adepto confesso da alternância e limitação de poder - e neste momento a diminuição do poder socialista deve ser a prioridade. O poder o povo dá, o poder o povo tira. Já vai sendo tempo de tirar o poder a este PS.

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2 comentários

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De Anónimo a 19.04.2009 às 08:55

Por falar nisto tudo, porque será que o Bochechas, que anda sempre a dar bitaites, detectou no tempo de Cavaco PM que havia ditadura da maioria e agora não a consegue vislumbrar?
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De Jorge Assunção a 20.04.2009 às 01:18

Mas quem diz que ele não detecta o mesmo agora? Deixou foi de ser assunto sobre o qual importa pronunciar-se...

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