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Cadáver esquisito (7)

por Fernando Sousa, em 02.04.12

1. UM LIVRO, 2. CA...... SARKIS G........N, 3. OLHOS4. ESCAVAR, 5. IN VINO VERITAS, 6. TO THE LEFT, AS PERNAS DE STELLA

7

O MEDALHÃO

 

Eduardo não pregou olho, atento ao relógio de ponteiros brilhantes e ao trinco da porta da rua, ruído que conhecia bem por motivos que não vêm agora para o caso.

À hora que se arrependia de não ter ido também aos Freixos, desesperava João com as instruções amorosas da bifa – to the left, to the left – e pela tardança que se fazia para as escavações das ruínas, donde lhe chegava agora um gemido de vem, vem, vem, a que, num salto, decidiu acudir; ao sinal luminoso da torre juntava-se o sonoro.

- Sorry, tenho de ir.

- What the fuck? – queixou-se Stella.

Por isso, quando ouviu o trinco, e logo a seguir outro, Eduardo saiu para o corredor e entrou sem bater no quarto de João, que obviamente não o esperava às 4 da manhã:

– FO-FO-DA-SE, PÁ! – soltou o recém-chegado.

– Shuuuuuu! Caaalma!

Valeu aos dois que o interesse de Eduardo em saber como tinham corrido as pazadas correspondia à ânsia de João em mostrar o espólio da noitada; há dias que era só torrões, uma chatice. Até tinham encontrado um clip.

– Olha – convidou, num tom de tensa expectativa, o cavador.

Despejando os bolsos tirou uma moeda de 5 escudos, uma chave ferrugenta, talvez de um cofre, e um medalhão de São Rafael Arcanjo, patrono dos cegos, dos viajantes e dos encontros felizes, que aberto nas costas mostrava um retrato desfigurado pela humidade.

– Tenho de mostrar isto a Vivelinda – disse João.

Tarde. À porta, acordada pelos pequenos ruídos e sussurros que as noites aumentam, a criada, desgrenhada e de camisa de noite, com os olhos esbugalhados postos no medalhão, levou a mão ao peito, deu um grito que arrepiou o solar e caiu como um saco.

 

(Este é o sétimo capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é da Helena Sacadura Cabral.)


11 comentários

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De Ivone Mendes da Silva a 02.04.2012 às 12:18

Ai, Fernando, a minha vida! Aproxima-se a minha semana e agora aparece este medalhão a que não que destino dar. Vamos ver o que a Helena resolve, entretanto.
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De Fernando Sousa a 02.04.2012 às 13:14

Este medalhão e a reacção da Vivelinda bem aproveitados podem ajudar-vos muito... Acredita. Agora ao menos há uma luz ao fundo do poço, eheheheheh. Créditoooooos!!
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De Ana Vidal a 02.04.2012 às 18:11

Pois claro, um cadáver que se preze tem de ter sempre um medalhão misterioso! Muito bem, Fernando. E agora sempre quero ver como a Helena vai acordar a Vivelinda... :-)
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De Fernando Sousa a 02.04.2012 às 18:37

... hummm. O medalhão pode não ser do cadáver... Quanto à Helena preferia estar na pele dela do que na da Teresa...
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De Helena Sacadura Cabral a 02.04.2012 às 19:51

Já está escrito a aguardar publicação... que eu sou cumpridora!
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De Fernando Sousa a 02.04.2012 às 21:09

Assim de um fôlego? E temos que esperar sete dias?
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De Helena Sacadura Cabral a 02.04.2012 às 22:27

Ó Fernando eu faço quase tudo num fôlego...
Mas como se aproxima a Páscoa, resolvi pegar no teu texto e arranjar uma complicaçãozinha à Ivone.
Hesitei entre o indecoroso e o misterioso. Mas depois lembrei-me que mãe de políticos tem alguns espartilhos em canal aberto como é o DO. E fui para o misterioso. Vais-te rir porque criei uma encrenca!
Há gente para tudo como vês...e medalhões dão panos para mangas, ó se dão!
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De Fernando Sousa a 02.04.2012 às 22:37

Uma decisão acertada, Helena, pelo misterioso. Pior para mim, que vou roer as unhas até ao fim-de-semana.
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De Patrícia Reis a 03.04.2012 às 11:48

Muito bom! Parabéns!
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De Fernando Sousa a 03.04.2012 às 12:32

Thanks. Fiquei só com um pouco de pena da Stella, mas penso que o João voltará.
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De Patrícia Reis a 03.04.2012 às 13:00

Não te rales com a Stella, talvez ela tenha formas misteriosas de regressar, nunca se sabe. Beijo

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