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Certos animais de escamas

por José Navarro de Andrade, em 01.04.12

 


Brilham os olhos de Rita no escuro aquático do medo.

Orson Welles era demasiado inteligente para gostar de metáforas. Com ele era tudo literal. Donde o medo dela, nem é bem medo, será ansiedade?, diante de uma parede de vidro. Sabemos que é azul porque já ali estivemos, mas o que deles vemos é contra uma luz líquida e branca.

“Sigamos o cherne, minha amiga! Desçamos ao fundo do desejo”, segreda-lhe ele, enquanto de costas para que não lhe vejam os olhos, ou os dentes.

E Rita vibra e vê circular o cação, tão esguio na sua pele malhada, num sossego de águas transparentes (foi mesmo assim!):

“Em cada um de nós circula o cherne, quase sempre mentido e olvidado.” Diz ela o que lhe vem à cabeça loira.

Só no fim concordam que se podem beijar sem receio. Entrega-se Rita, multiplicadas Ritas. Vitória literal de Welles. 

 

  


3 comentários

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De Helena Sacadura Cabral a 01.04.2012 às 10:37

Ai! Zé mas neste tempo os chernes ainda tinham a poesia toda. A literal poética e a da emoção. Outras épocas!
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De Ana Vidal a 01.04.2012 às 11:23

Literalmente, seguir o cherne foi uma ideia pior para os portugueses do que para a bela Rita. A nós saíu-nos mentido e olvidado.
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De Ivone Mendes da Silva a 01.04.2012 às 11:48

Gostei muito deste texto, Zé Navarro. E das metáforas :)

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