Os Meus Carros (5)
O Citroën Ami 6 Break Confort era ronceiro e de baixos consumos, em contraste com os Prinz 1000 anteriores lá de casa.
Creio que foi aí pelos finais da década de 60. Era branco-sujo, com estofos pretos. Tinha o seu quê de divertido, isso o Ami 6 tinha, e aquela versão Break era muito mais parecida com um automóvel normal do que a versão Berline, cujo estranho corte do óculo traseiro não contava com uma aceitação que pudesse considerar-se razoável: os poucos adeptos constituíam a explicação óbvia para haver muito mais Breaks do que Berlines.
Porém, o Ami estava longe de ser perfeito, mesmo no seu estreito segmento. Lembro-me perfeitamente, por exemplo, de não haver qualquer justificação (excepto o da gaffe de concepção) para a dureza do pedal do acelerador. A força desmedida requerida pelo acelerador contrastava escandalosamente com a velocidade vertiginosa que o carro se recusava a atingir, por muito que lhe pedissem para andar mais um bocadinho.
A abertura horizontal das janelas era outro problema, porque o arejo permitido no interior, se necessário, mostrava-se totalmente insuficiente. Este problema, associado à capota em fibra de vidro (característica de outros Citroën, como os prestigiados "Boca-de-Sapo"), tornava o habitáculo infernal, quando o carro ficava sob o sol do Verão.
Recordo-me que a minha irmã mais nova, numa dessas situações, esteve à beira de uma insolação que só por um feliz acaso não terminou em drama — mas pouco faltou — quando estávamos parados na estrada à espera da reabertura de uma cancela dos caminhos-de-ferro.
Enfim: naquela época, foi um carro bem diferente, entre todos os que passaram lá por casa.