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Como diz?!

por Helena Sacadura Cabral, em 20.03.12

 

Numa entrevista conjunta com o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, que se mostrou incomodado mas não fez comentários, a Presidente da Libéria e Nobel da Paz Ellen Johnson Sirleaf defendeu uma lei que criminaliza a homossexualidade. “Gostamos de nós da maneira como somos”, disse.

E eu, confesso, mesmo tendo em atenção os costumes e tradições do país, sinto-me muito desconfortável com a ideia de que uma mulher nobelizada possa fazer tal afirmação. Aqui está um caso em que mais valia estar calada!

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22 comentários

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De Luís Lavoura a 20.03.2012 às 16:38

Lá por ela ser nobelizada não deixa de poder ter as suas opiniões, eventualmente diferentes das da Helena (e minhas), e de as exprimir.

Tal como em Portugal o aborto era muito mal visto e por isso era proibido por lei - e há ainda hoje muita gente que acha que deveria ser - na Libéria a homossexualidade é muito mal vista e por isso é proibida por lei.

Embora eu não concorde com nenhuma dessas duas proibições, compreendo que haja gente que as defenda.

Diferentes países têm diferentes usos e costumes, e proibições legais que, por vezes, parecem aberrantes do ponto de vista de uma outra cultura.
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De Helena Sacadura Cabral a 20.03.2012 às 17:23

Seguramente que as pode e deve ter. Como o Luis ou eu. Mas ter um Nobel da Paz traz, julgo, responsabilidades acrescidas naquilo que se diz.
E se leu bem o que escrevi eu ressalvo as tradições da Nigéria. Não creio é que a senhora tivesse necessidade de se exprimir sobre o assunto e ao mesmo tempo dizer "gostamos de nós da maneira que somos".
Ora será que na Libéria não há homossexuais? E eles não gostarão, também, de ser como são?!
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De pássaro viajeiro a 20.03.2012 às 19:45

Mas se, porventura, ela tivesse apoiado a homossexualidade já seria compatível com a distinção que ostenta?
Ou se não tivesse manifestado nenhuma opinião, também seria merecedora?
Só não é porque resolveu, e em meu entendimento muito bem, dissertar sobre uma problemática que a preocupa.
Se as suas ideologias se coadunam ou não com as nossas, isso é irrelevante. Por acaso vêm muito a propósito com as minhas.
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De Helena Sacadura Cabral a 20.03.2012 às 20:56

Só que caro pássaro viageiro o Nobel da Paz é atribuído na Europa, mais concretamente na Suécia e a sua atribuição rege-se por parâmetros europeus, nos quais felizmente se não tolera qualquer discriminação, seja de género, de opção sexual ou religiosa.
Esta senhora distinguiu-se pela sua luta em prole das mulheres e avaliada pelos critérios do júri sueco. Pelos vistos defende apenas os direitos de certas mulheres.
Portanto, não são irrelevantes as suas ideologias. Irrelevantes serão, sem dúvida, as suas que acha bem, ou as minhas que acho mal. Mas nenhum de nós dois é nobelizado ou faz, sequer, parte do júri.
Portanto, estamos livres, como se vê, de expressar as nossas irrelevantes opiniões.
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De xico a 20.03.2012 às 21:01

A ironia está em que ao defender os direitos das mulheres a senhora em causa foi contra a opinião, atrever-me-ei a dizer, da maioria dos africanos, e contra as suas tradições. Era caso para perguntar-lhe, se as tradições são para se manter ou não.
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De lucklucky a 20.03.2012 às 23:00

"e a sua atribuição rege-se por parâmetros europeus, nos quais felizmente se não tolera qualquer discriminação, seja de género, de opção sexual ou religiosa."

Até parece que não há quotas sexistas em Portugal. Só para falar de um país europeu.
Ou que as leis não discriminam sem razão entre pai e mãe.
Obviamente que se tolera discriminação sexual, a políticamente correcta. Está na Lei.
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De Helena Sacadura Cabral a 21.03.2012 às 08:27

As quotas sexistas, das quais discordo, são "discriminação positiva", ou seja, pretendem forçar a igualdade em meios políticos que interessam pouco às mulheres. O que é diferente de criminaliza-las.
Quanto à existência de leis que discriminem pai e mãe, não as conheço. O que sei é que a lei, na prática, tende a dar mais protecção às mães que ficam habitualmente com as crianças em caso de divórcio. Mas até isso vem mudando e embora sejamos nós a dar-lhes casa durante nove meses, as férias de parto podem, hoje, ser gozadas por pai ou mãe. Não vejo, assim, onde esteja a "criminilização" do que quer que seja. E é de criminilização que aqui se tratou.
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De Luís Lavoura a 21.03.2012 às 10:58

Helena,
o facto de a Ellen ter ganhado um prémio atribuído segundo padrões europeus (suecos) não obriga a Ellen a passar a estar de acordo com a totalidade desses padrões.
Mal estaríamos se a Ellen, para ganhar o prémio Nobel, fosse obrigada a fazer uma lavagem ao cérebro por forma a passar a pensar sobre todos os problemas como uma sueca.
A Ellen distinguiu-se pela sua luta em prol das mulheres e por tal ganhou um prémio. Isso não a força. porém, a ter as mesmas opiniões do júri do prémio no que se refere à homossexualidade (nem sequer no que se refere às mulheres, aliás).
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De Helena Sacadura Cabral a 21.03.2012 às 14:17

Não a obriga, de facto. Mas certos prémios, quando se aceitam, impõem regras. Por isso alguns, antes, se recusaram a recebe-lo. E terão feito bem.
Estando ao lado de Cameron, Ellen fez questão de se afirmar contras convicções e práticas do país do PM.
Foi, no mínimo deselegante.
Você poderá estar de acordo. Respeito a sua opinião. Eu lamento. De certo respeitará a minha posição, que sou mulher.
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De Vasco M.Costa a 30.04.2012 às 17:38

A questao da discriminacao contra os homosexuais 'e um atentado aos Direitos Humanos Basico, no que respeita 'as liberdades e igualdades em cidadania do mundo. 'E forcar alguem a mudar a sua orientacao sexual, usando para isso, a forca, a influencia e intimidacao para prejudicar o homosexual. A este tipo de agressao, 'e uma perseguicao (i)moral, no vocabulario ingles, chamado "bullying". As pessoas com esta orientacao sexual no todo da sociedade, sao uma minoria, o que os torna o 'elo mais fraco, mais fraco que a Comunidade judaica do seculo vinte, nos anos quarenta! Um outro ponto a salientar 'e o facto de se ver um homosexual a beijarem-se, poder ao observador heterosexual, criar um sentimento de desconforto, ate' uma aversao,MAS 'a que usar o bom senso e prudencia e respeito pelo proximo, MESMO diferente num aspecto superficial. Na essencia somos todos Filhos de Deus.
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De pássaro viajeiro a 21.03.2012 às 11:10

Mais ou menos como os árbitros de futebol. Uma vez árbitro, imunidade assegurada. :)
Só que na inversa.
(Viajeiro! Viageiro é o Governo )
Eheh...
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De xico a 20.03.2012 às 20:58

A homossexualidade é algo que se pratica a dois, (ou mais), de preferência com consentimento mútuo. O aborto não é comparável. Não se trata de ter opinião sobre as escolhas dos outros. Trata-se da criminalização de um comportamento que só aos interessados "interessa". A senhora não gosta: não faz, não frequenta, não recebe em sua casa, etc, mas não tem o direito de mandar para a prisão. Quanto a tradições, a senhora anda enganada. Em África as práticas homossexuais não são incomuns e em alguns sítios até são ritualizadas.
A lapidação é muito mais antiga, mais tradicional, inscrita na Bíblia e noutros textos antigos, e nem por isso entendemos que deva ser matéria de "opinião". Pelo menos não deveríamos receber em nossas casas quem a defenda. Ou não será assim?
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De Vasco M.Costa a 30.04.2012 às 17:54

A duvida que se levanta 'e sobre o culto da personalidade. Este caso mostra que embora esta senhora interessante e corajosa que denunciou activamente contra os abusos praticados contra a Mulher em Africa, 'e uma pessoa fragil e limitada em outras esferas do seu Saber. A conclusao disto 'e que nos mesmos devemos procurar a Verdade com prudencia e justica E questionar todas as verdades, desmontar e montar as nossas teorias e verdades dee modo a ser logico e o mais verdadeiro possivel.
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De Tiro ao Alvo a 20.03.2012 às 17:05

Ou seja, esta foi a sua maneira elegante de dizer que ele não merecia o Nobel...
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De Helena Sacadura Cabral a 20.03.2012 às 17:24

Ou de entender que quando se tem um Nobel da Paz tem que se ter cuidado com o que se diz...
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De Tiro ao Alvo a 20.03.2012 às 17:07

Claro que, onde está "ele", leia-se "ela". Sem ironia...
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De Cristina Torrão a 20.03.2012 às 18:46

Incrível!!!
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De IMMC a 20.03.2012 às 19:43

Estamos perante um evidente erro de casting
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De cr a 21.03.2012 às 11:57

Pois claro que está cobertíssima de razão, onde se viu tamanho disparate de alguém que recebeu em mãos tal distintivo ?
Um prémio Nobel que preconiza a paz, quem o recebe tem de ser sempre alguém que promova a concórdia e a harmonia entre as pessoas, ou não?
Como disse e muito bem, todos nós que não fomos galardoados podemos ter a opinião que cada consciência ajuíza, agora achar que esta senhora tem direito a condenar a homossexualidade é uma aberração.
Não estamos a falar propriamente do Nobel da culinária, é mesmo o da PAZ, ok?
Que bonito, paz para todos, menos para os homossexuais.
Que tal a extinção desta gente? para ficarmos mais sossegadinhos, capaz de se pegar esta doença?quais costumes? que palermice é essa? á conta dos costumes podíamos ainda andar todos envoltos em peles e a caçar bicharocos á pedrada, não?
Desculpe, mas fiquei indignada.
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De Helena Sacadura Cabral a 21.03.2012 às 23:37

Também eu!
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De Vasco M.Costa a 30.04.2012 às 16:34

Possivelmente todos os Paises do Continente africano fazem descriminacao contra o homosexual, chegando ao cumulo de descriminar toda a familia desse homosexual! Quando um homosexual e' apanhado a fazer sexo com o seu parceiro, 'e punido por Lei com dez anos de cadeia!!! O homosexual, presumo eu, em Africa nao e' um Ser Humano. Acho que escrever sobre o que se passa no Continente africano no que respeita 'a discriminacao do homosexual, em cada frase 'e necessario utilizar o ponto de exclamacao!!!

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