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Não há coincidências (17)

por Ana Vidal, em 11.03.12

Ode to Joy (Hino à Alegria), último movimento da Nona Sinfonia de Ludwig Van Beethoven, é possivelmente o mais célebre de todos os temas da música dita "clássica". Tão célebre e tão representativo da excelência alcançada pelo génio humano, que, no arranjo do igualmente aclamado maestro Herbert von Karajan, foi incluído no disco de ouro de Carl Sagan enviado para o espaço na Voyager II, juntamente com outras informações consideradas essenciais sobre a humanidade, na esperança de uma possível comunicação com alguma forma de inteligência alienígena.

 

O Hino à Alegria tem um papel cultural de extrema relevância no mundo actual, já que se tornou no hino da União Europeia. Outra prova da sua importância foi o valor de 3,3 milhões de dólares atingido pela venda de um dos seus manuscritos originais, em 2003, pela Sotheby's de Londres. Com Hamlet e Rei Lear, de Shakespeare, a obra foi considerada um dos maiores feitos artísticos de todos os tempos.

 

Não é portanto de admirar que o tema continue a servir de inspiração a muitos outros temas musicais. É o caso destas três canções que hoje aqui apresento: Road to Joy, de Conor Oberst/Bright Eyes (ironicamente parecida até no título), Mr. Brightside, de The Killers e Himno a la alegria, de Miguel Rios. Nos dois primeiros casos não houve qualquer referência a essa preciosa fonte de inspiração, talvez porque as semelhanças não são tão evidentes para ouvidos mais desatentos. Mas está lá a matriz, em ritmo e sequência, como poderá comprovar nos videos abaixo. Fica mal aos músicos não o terem reconhecido publicamente, até porque toda a obra de Beethoven era há muito do domínio público e não havia qualquer lugar a pagamento de direitos. No terceiro caso, seria verdadeiramente escandaloso não referir nos créditos o mestre: a melodia está lá toda, e também o título. 

 

Road to Joy - Bright Eyes (2005)


A canção faz parte do álbum I'm Wide Awake, It's Morning, de 2005, e abre com uma interpolação (a introdução de uma frase ou sequência musical, alheia ao resto da melodia, entre duas sequências lógicas) da melodia do Hino à Alegria, e depois segue em tom de marcha épica até ao epílogo, tão intenso que num dos espectáculos em que foi tocada Oberst e o trompetista Nate Walcott destruiram os instrumentos em palco, num gesto que contradiz absolutamente o espírito pacífico da melodia original. "It's best to choose the side that's gonna win", um dos versos da letra, parece resumir a escolha segura desta "inspiração" musical. A verdade é que a canção se transformou num ícone da banda e encerra quase todas as suas actuações ao vivo.

 

Mr. Brightside (2004) - The Killers (> 2.58')

 

Mr. Brightside foi considerada a "canção da década" por duas rádios inglesas. Em Abril de 2010 a Last.fm revelou ter sido o tema mais ouvido até essa data desde o lançamento do serviço de música online, com quase 8 milhões de acessos no Youtube. Esteve 71 semanas no Top 100 do Reino Unido.  Os autores creditados são Brandon FlowersDave Keuning. Beethoven? Não consta.

 

Himno a la alegria (1970) - Miguel Rios

 

Gravada em 1969 pela primeira vez, Himno a la Alegria foi o maior êxito da carreira do espanhol Miguel Rios. É uma adaptação do tema de Beethoven (e reconhecida como tal nos créditos da gravação) feita pelo argentino Waldo de los Ríos, conhecido pelas suas versões pop de grandes obras clássicas. Surgiu em plena era do rock sinfónico e o sucesso foi tal que acabou por ser gravado também em inglês por Miguel Rios, com o título lógico A Song of Joy. O disco vendeu 7 milhões de cópias em todo o mundo e chegou ao primeiro lugar nos tops de muitos países.

 

 

Ode to Joy - Ludwig Van Beethoven

 


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