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Delito de Opinião

Ainda a construção

Ana Margarida Craveiro, 16.04.09

A questão das línguas na UE tem muito que se lhe diga: ontem tive oportunidade de assistir ao press briefing na Comissão, com tradução simultânea para dez das vinte e três línguas possíveis. Na sala, jornalistas das mais diversas nacionalidades. Não é fácil, viver numa união deste tamanho.

A UE tem um forte poder de atracção, em todos os níveis. É natural que assim seja: concretizou a ideia da paz entre as suas nações, e acrescentou-lhe um próspero mercado único. Os alargamentos foram-se sucedendo, então, à medida que os pedidos de adesão se multiplicavam. Só o de 1995 foi pacífico, não tendo implicado grandes custos - políticos ou económicos. Houve ainda outro padrão: depois de um alargamento, pensava-se no seguinte. Não há uma tradição de calma, e lenta adaptação à mudança. A verdade é que a adesão de cada país correspondeu a diferenças de funcionamento, mesmo nas questões mais primárias, como a língua. Foi desta forma que chegámos à crise política (alguns diriam, institucional) de hoje: sucessivos alargamentos, pouca ou nenhuma adaptação das instituições e modos de funcionamento e decisão. O Tratado de Lisboa propõe-se a resolver parte desses problemas. Ainda assim, o problema é o mesmo: vários anos passarão até que a entrada dos últimos doze tenha sido absorvida pela União. Hoje, a lista de nomes concorrentes continua a crescer: Croácia, Sérvia, Turquia, Albânia, Ucrânia. De alguns, temos até dúvidas quanto à sua democraticidade, para não falar na economia de mercado.

A Europa não é um clube fechado. E ainda bem que assim é. Mas, para se manter o que já conquistou, é hoje forçoso parar para descansar. Isto é, é preciso respeitar aquilo que temos, com os membros que temos, em nome de um futuro mais próspero, com portas mais francamente abertas.

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