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O meu gato e eu

por Teresa Ribeiro, em 05.03.12

Tal como o meu primeiro gato, também é filho de sem-abrigo. Mas ao contrário do outro, que foi alimentado a seringa, este teve a sorte de ser amamentado por uma gata até ao momento em que o adoptei, quase com três meses. Pode falar-se de personalidade quando se fala de bichos? Tecnicamente não, mas vou falar. O primeiro era muito tímido, inseguro, dócil, assustadiço. Este é uma pestinha cheia de si. Será que o Freud também explica isto?


19 comentários

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De Cristina Torrão a 05.03.2012 às 19:17

Claro que se pode falar de personalidade, no caso dos bichos! Eu não entendo é muito de gatos, mas, no caso dos cães, já li/ouvi dizer que a alimentação a seringa cria bichos medrosos e inseguros. A explicação costuma ser por não se verem obrigados a disputar as tetas da mãe com os irmãozinhos. Começa-se aí a desenhar quem é mais persistente, mais forte, mais submisso, etc.
No caso do teu gato, não sei. Mas, se ele era o único gatinho amamentado pela mãe adoptiva, isso talvez explique essa sua prepotência. E, realmente, até aos três meses... No caso dos cachorros, as mães começam a recusar as mamadeiras a partir da 7ª ou 8ª semana.
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:18

Também já ouvi essa explicação, Cristina. Interessante é verificarmos que os mamíferos, pelo menos os que vivem em contacto com humanos, respondem de forma idêntica a nós a certos estímulos.
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De Cristina Torrão a 06.03.2012 às 12:10

Sem dúvida! A psique deles é muito mais complicada do que o que se possa pensar. Como eles não falam, a maior parte dos humanos não se apercebe desse aspecto. E eles, entre si, comunicam, reagem ao mínimo "gesto", há muita linguagem corporal. Observo isso na minha cadela, pois muitas vezes encontro, nos nossos passeios, outras pessoas com cães. Há cães de que ela gosta muito, há outros de que não gosta nada, avançando sempre, quase não me dando oportunidade de cumprimentar a outra pessoa. Há cães que ela respeita muito, comporta-se como uma cachorrinha, quando os vê; há outros que a irritam, começa logo a ladrar-lhes, ela, que não é nada dessas coisas. E não tem a ver com a disposição do momento, reage sempre da mesma maneira com os mesmos cães. Enfim! Embora eu não entenda a maior parte dos casos, procuro aceitá-la e respeitá-la, tal como ela é ;)

Mas com os gatos será semelhante, como o comentador Rómulo diz, lá em baixo. Descreve um caso que achei muito interessante, provando que cada um tem a sua personalidade e, mais do que isso, reage em função da personalidade dos outros. Há uma comunicação, uma troca de sentimentos e humores, tal como entre os humanos.

E podem ter traumas, sim, alguns muito graves :(
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2012 às 13:36

Há até especialistas em comportamento animal que se ocupam das suas neuroses e psicoses - eles têm-nas como os humanos. É um assunto que me fascina e que tem sobre nós uma acção pedagógica, pois leva-nos a encarar os nossos bichos e a nós mesmos de outra maneira. Somos mais parecidos do que queremos admitir e não temos o monopólio da inteligência e das emoções. Longe disso.
Esse comportamento da tua cadela é o máximo. Que selectiva que ela é :)

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