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O meu gato e eu

por Teresa Ribeiro, em 05.03.12

Tal como o meu primeiro gato, também é filho de sem-abrigo. Mas ao contrário do outro, que foi alimentado a seringa, este teve a sorte de ser amamentado por uma gata até ao momento em que o adoptei, quase com três meses. Pode falar-se de personalidade quando se fala de bichos? Tecnicamente não, mas vou falar. O primeiro era muito tímido, inseguro, dócil, assustadiço. Este é uma pestinha cheia de si. Será que o Freud também explica isto?


19 comentários

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De Maria a 05.03.2012 às 17:27

Só quem convive apenas com seres humanos é que acha que os outros animais não têm personalidades diferentes ;-)
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:07

Se bem que chamar-lhe "personalidade" não será o mais correcto. Chamemos-lhe feitio, como sugere a Leonor mais abaixo.
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De Bartolomeu a 05.03.2012 às 17:29

Penso que sim, Freud encontraria a explicação para diferença, não de personalidade, mas talvez de felinalidade, na interrelação entre a seringa e o primeiro gato, filho de sem-abrigo e a teta da gata-adptiva e o segundo gato. No caso do primeiro gato, o que foi alimentado a seringa, gerou-se um trauma comum, uma fobia a seringas. O segundo... o que xupou da teta até atingir a pubredade (3 meses, é a idade em que os felinos começam a ter consciência do sexo) desenvolveu o complexo de édipo, o que faz com que se atire a tudo "quanto mexe"...
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:08

Freud não diria melhor, Bartolomeu :)
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De Carla Ferreira a 05.03.2012 às 17:36

:) Isso provavelmente não. Mas explicou muita coisa, acredite.
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:10

Acredito, Carla. Como dizia João dos Santos, o pai da psicanálise em Portugal, "Freud é a árvore do topo da qual se pode ver a floresta"
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De Anónimo a 05.03.2012 às 18:54

Têm, têm. :)

"Cães e gatos fazem teste de personalidade para ganhar donos nos EUA"

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u402608.shtml

Mais, ainda:

"Estudiosos do assunto acreditam que o temperamento de um gato seja resultado de uma combinação de fatores, tais como genética, experiências com a mãe e irmãos de ninhada enquanto filhote, ambiente onde vive e até a própria personalidade do dono."

http://caocidadao.com.br/artigos_gatos.php?id=32&categoria=Gatos
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:10

Eheheh. Só mesmo nos States.
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De Cristina Torrão a 05.03.2012 às 19:17

Claro que se pode falar de personalidade, no caso dos bichos! Eu não entendo é muito de gatos, mas, no caso dos cães, já li/ouvi dizer que a alimentação a seringa cria bichos medrosos e inseguros. A explicação costuma ser por não se verem obrigados a disputar as tetas da mãe com os irmãozinhos. Começa-se aí a desenhar quem é mais persistente, mais forte, mais submisso, etc.
No caso do teu gato, não sei. Mas, se ele era o único gatinho amamentado pela mãe adoptiva, isso talvez explique essa sua prepotência. E, realmente, até aos três meses... No caso dos cachorros, as mães começam a recusar as mamadeiras a partir da 7ª ou 8ª semana.
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:18

Também já ouvi essa explicação, Cristina. Interessante é verificarmos que os mamíferos, pelo menos os que vivem em contacto com humanos, respondem de forma idêntica a nós a certos estímulos.
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De Cristina Torrão a 06.03.2012 às 12:10

Sem dúvida! A psique deles é muito mais complicada do que o que se possa pensar. Como eles não falam, a maior parte dos humanos não se apercebe desse aspecto. E eles, entre si, comunicam, reagem ao mínimo "gesto", há muita linguagem corporal. Observo isso na minha cadela, pois muitas vezes encontro, nos nossos passeios, outras pessoas com cães. Há cães de que ela gosta muito, há outros de que não gosta nada, avançando sempre, quase não me dando oportunidade de cumprimentar a outra pessoa. Há cães que ela respeita muito, comporta-se como uma cachorrinha, quando os vê; há outros que a irritam, começa logo a ladrar-lhes, ela, que não é nada dessas coisas. E não tem a ver com a disposição do momento, reage sempre da mesma maneira com os mesmos cães. Enfim! Embora eu não entenda a maior parte dos casos, procuro aceitá-la e respeitá-la, tal como ela é ;)

Mas com os gatos será semelhante, como o comentador Rómulo diz, lá em baixo. Descreve um caso que achei muito interessante, provando que cada um tem a sua personalidade e, mais do que isso, reage em função da personalidade dos outros. Há uma comunicação, uma troca de sentimentos e humores, tal como entre os humanos.

E podem ter traumas, sim, alguns muito graves :(
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2012 às 13:36

Há até especialistas em comportamento animal que se ocupam das suas neuroses e psicoses - eles têm-nas como os humanos. É um assunto que me fascina e que tem sobre nós uma acção pedagógica, pois leva-nos a encarar os nossos bichos e a nós mesmos de outra maneira. Somos mais parecidos do que queremos admitir e não temos o monopólio da inteligência e das emoções. Longe disso.
Esse comportamento da tua cadela é o máximo. Que selectiva que ela é :)
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De Leonor Barros a 05.03.2012 às 21:37

São portanto as mães que dão cabo dos machos, é isso, Teresa? :)
Neste momento tenho quatro gatas e todas elas têm feitios diferentes. Eu chamo-lhes 'feitios', provavelmente uma outra designação para personalidade.
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:18

Mas tens alguma dúvida, Leonor ;)
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De Carlos Cunha a 05.03.2012 às 21:38

o primeiro eventualmente não conhecia a máxima:

"Dogs have Masters. Cats have staff"
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De Teresa Ribeiro a 05.03.2012 às 22:20

Essa máxima é o máximo. Já conhecia e subscrevo, claro.
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De Rómulo a 05.03.2012 às 23:49

Tenho um gato em casa, o roger , pachorrento, esquisito de boca, pêlo comprido e sedoso , dizem que é arraçado de persa. Deram-mo já grande.
Há, nos arrabaldes da minha casa, um gang de três gatos "sem abrigo", que vêm todos os dias ao quintal roubar a comida ao roger. É o cenoura, a cristina e o preto. O cenoura é velho, rabugento, cara de mau, é o primeiro a comer, mantendo os outros à distância; quando acaba vem a cristina , nova, malhada, bonita, meigosa, roça-se pelo cenoura a ver se ele a deixa comer, mas não consegue nada. Só depois dele; a seguir aproxima-se o preto, mião, escanzelado, espantadiço, raramente encontra ainda alguma coisa que comer. Lambe o prato e vai ter com os outros.
O roger assiste a tudo, impávido. Acho que são mesmo personalidades diferentes.
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De Teresa Ribeiro a 06.03.2012 às 13:40

Típico comportamento de gang. E o Roger, com a sua indiferença, revela consciência de classe :)
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De rosa a 07.03.2012 às 00:14

Correndo o risco de heresia, eu afirmo que têm alma.

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