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Alguém acredita nisto?

por Luís Menezes Leitão, em 02.03.12

 

No mesmo dia em que os diversos países da União Europeia assinam à força o Diktat germânico que dá pelo nome de Tratado Orçamental, a Espanha acaba de revelar a sua "decisão soberana" de colocar uma nova meta do défice menos rigorosa. Está-se mesmo a ver a quantidade de "decisões soberanas" semelhantes que vão surgir durante a vigência deste tratado. E tudo isto evidentemente para nada. Só cá dentro é que se acha que Portugal é diferente da Grécia, pois qualquer analista prevê que nenhuma das dívidas vai ser paga. Neste enquadramento, tenho a sensação que estes programas de "ajuda" só servem para adiar o inevitável. E não é em benefício dos países "ajudados". Porque as ajudas não duram para sempre e o regresso aos mercados é um sonho delirante para estes países. Há muito que nos mercados se diz em relação à dívida grega e portuguesa: "Take the money and run". Basta olhar para a escalada permanente dos juros. E aí põe-se a pergunta inevitável a que ninguém responde: Estamos a fazer todos estes sacrifícios para quê?


17 comentários

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De Bartolomeu a 02.03.2012 às 16:28

Pois é precisamente a escalada vertiginosa, insensata e a que nenhuma força política ou económica tem coragem para impôr limites ou moderação, que alicia os donos do capital, a comprar dívida de países que irão NUNCA, poder voltar a estar nos mercados.
Portanto, o carnaval a que assistimos, terá fim, quando a taxa de desemprego for de 100%.
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De Tiro ao Alvo a 02.03.2012 às 17:26

Amigo, diga qual é a alternativa. Isso é que serias importante.
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De Luís Menezes Leitão a 02.03.2012 às 17:47

A alternativa é tomar decisões soberanas, sejam elas quais forem, em lugar de executar o programa dos outros. Especialmente quando já se percebeu que esse programa não conduz a nenhum resultado. Uma dessas decisões pode ser a saída do euro. Eu não o desejo, mas começo a recear que se torne impossível lá continuarmos. Talvez devêssemos dizer como Groucho Marx, que nos recusamos a estar num clube que tem aquelas características e ainda por cima nos aceita como membros.
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De Luís Lavoura a 02.03.2012 às 17:27

O Luís Menezes Leitão está a fazer uma confusão.

A tática "take the money and run" só pode ser posta em prática quando o Estado já tiver as contas equilibradas (antes do pagamento de juros). Não pode ser posta em prática agora, imediatamente.

De momento, o Estado português necessita de empréstimos, não apenas para pagar os juros de empréstimos antigos, mas também para pagar novo défice.

É preciso ver que, a partir do momento em que se foge com o dinheiro, nunca mais (pelo menos durante alguns anos) ninguém nos empresta nenhum. Pelo que, essa tática só pode ser aplicada se e quando se fôr auto-suficiente.
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De Luís Menezes Leitão a 02.03.2012 às 17:39

Acho que a confusão é sua. Não leu bem o meu texto. "Take the money and run" é dito pelos mercados que não põem cá mais um tostão (ou o seu equivalente em euros) e tiram a correr o que já cá puseram.
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De Tiro ao Alvo a 02.03.2012 às 20:36

Amigo Leitão, acho que você se meteu a discutir o que não sabe. As coisas não são assim tão fáceis...
Permita-me que lhe recomende alguma humildade e que não acredite em tudo que lhe dizem. Portugal está na fase do "não pagamos", porque, pura e simplesmente, não tem com que pagar. Mais, como disse o Lavoura, apenas para pagar os juros, ainda tem que aumentar a divida. Uma desgraça, um grande buraco, onde os nossos governantes nos meteram, essa é que é essa! Mas não vale meter a cabeça na areia, nem vale fugir.
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De Luís Menezes Leitão a 03.03.2012 às 04:37

O seu argumento tem uma lógica enorme e depois os outros é que não sabem. Que sentido faz aumentar a dívida só para pagar juros? Isso só conduz a uma espiral de endividamento.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 02.03.2012 às 17:58

Há muita gente em Portugal que pelo menos de há quatro ou cinco anos para cá avisavam que teriamos que passar por isto, ou por pior ainda, se não arrepiàssemos caminho. Não arrepiàmos, e o resultado está à vista.
Dando de barato que não há alternativa, e com todo o respeito tentar responder à questão do seu ultimo paragrafo, deixe-me dizer-lhe que estes sacrificios servem para evitar que Portugal e os portugueses em geral, fiquem ainda mais pobres do que já estão. Não sou advogado do 1º ministro, mas quando ele disse aqui há uns meses que este programa que nos foi receitado, para o estado poder ter dinheiro para o essencial, não era mais do que um processo de empobrecimento, caiu o "Carmo e a Trindade". Mas é isso mesmo, e daí não podemos fugir, porque ferrar o calote para continuarmos na mesma, não nos traria um futuro muito risonho.
Entretanto, tivemos hoje duas más noticias da responsabilidade do Partido Socialista: no Parlamento votaram contra uma medida que o PS negociou com a troika; e a UE não aceita que as SCUTs, essas vias para o desenvolvimento do país, sejam portajadas. Se assim for sabe quanto é que esta brincadeira vai custar aos portugueses nos proximos 25-30 anos? Talvez 50 ou 60 mil milhões, entre amortizações e juros, não sejam suficientes para pagar esta "festa".
Take the money and run? prá onde? só se for para o mar.
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De Luís Menezes Leitão a 03.03.2012 às 04:40

Mas assim estamos a caminhar para o abismo, pois é evidente que em 2013 não regressamos aos mercados. E aí vamos assistir ao filme que a Grécia está a passar hoje. Quanto às portagens, sempre me pareceu evidente que pedir a estrangeiros que comprassem identificadores na fronteira violava as regras comunitárias. O que é estranho é que se proponham soluções deste tipo.
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De Rómulo a 02.03.2012 às 18:18

Não sejam pessimistas. A ministra da agricultura tem fé que chova; o Presidente da República tem esperança de que os resultados sejam melhores do que o previsto; alguém virá que nos faça a caridade de correr com eles todos?
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De lucklucky a 03.03.2012 às 02:49

Inacreditável um texto destes.
Veja-se esta pérola: "Estamos a fazer todos estes sacrifícios para quê?"

Não estamos a fazer sacrifício nenhum, continuamos a pedir muito dinheiro emprestado.
Mais de 15% das reformas, ordenados da funcção publica , 15% de gastos do Estado é dinheiro que vem de fora.

Se quer saber o que serão "sacrifícios" espere pelo momento em que ninguém nos emprestar dinheiro e tivermos de pagar as dívidas.
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De Luís Menezes Leitão a 03.03.2012 às 04:41

Já estou à espera. E parece-me que vai chegar a breve tempo.
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De lucklucky a 03.03.2012 às 15:54

O BCE continua a imprimir, tal como aliás o FED e o BoE. Por isso vão pagar os justos pelos pecadores.
Estado Ocidental está descontrolado no seu poder
e continuará até a Europa e os EUA se transformarem em republicas das bananas.
Como os INE's estão nas maões desse mesmo estado espera-se que aconteça o que acontece na Argentina: ameaças a professores que dizem que os dados de informação oficiais são falseados.
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De Luís Naves a 03.03.2012 às 12:51

Qual o sentido deste tipo de post? Vamos atirar-nos da ponte? Recomenda o suicídio colectivo?
Parte do princípio de que o pacto orçamental está falhado à partida, mas a Espanha compromete-se a cumprir o objectivo do défice de 3% em 2013, ou seja, a conclusão que tira resulta da análise de uma parte da notícia.
Mas, acima de tudo, a grande questão é a seguinte: que recomenda? A saída do euro e a bancarrota? O animal feroz a negociar em Bruxelas aos gritos?
Pronto, desistimos de pagar as dívidas. Nem fazemos um esforço. E que consequências terá essa atitude?
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De Luís Menezes Leitão a 03.03.2012 às 15:49

O sentido do post é fazer uma pergunta simples: vale persistir nesta irrealidade quotidiana? A atirar-nos da ponte e em suicídio colectivo ficámos nós quando assinámos o tratado orçamental. Como escreveu Pacheco Pereira hoje no Público, comprámos a bala que nos vai trespassar o cérebro. Alguém acredita que alguma vez teremos 0,5% de défice e 60% de dívida? E se já sabemos que não conseguimos cumprir, para que é que aceitamos pagar multas colossais e ser expulsos do euro? Para rejeitar isto não é preciso ter um animal feroz a negociar com Bruxelas (mais exactamente Berlim) aos gritos. Um simples "sorry, it is totally impossible for us to accept that kind of commitment" chega. Foi o que fizeram o Reino Unido, a República Checa e seguramente o vai fazer também a Irlanda. Já chega de Portugal ser o "teacher's pet".
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De Luís Naves a 03.03.2012 às 18:44

Mas o Reino Unido, a República Checa não fazem parte do euro, nem querem fazer, e a Espanha não está sob resgate. O pacto orçamental não é mais do que um compromisso muito semelhante aos critérios de Maastricht, agora com poderes de vigilância e garantias de cumprimento.
Devido a erros absurdos do passado, Portugal encontra-se sob resgate externo e não tinha alternativa à assinatura do pacto orçamental. Se o referendo irlandês optar pelo 'não', o pacto mantém-se e a iralanda sai do euro.
Para Portugal, a saída do euro seria uma catástrofe, com destruição do sistema financeiro e da poupança, aumento brutal dos juros das dívidas existentes.
Quanto ao citado Pacheco Pereira, não acertou uma opinião nos últimos três anos, não há qualquer razão para que acerte desta vez.
Há dúvidas sobre se conseguimos pagar? Sim, muitas dúvidas. Existe uma certeza? Penso que ninguém pode afirmar que essa certeza exista.
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De Luís Menezes Leitão a 04.03.2012 às 13:07

Concordo que a saída do euro seria uma catástrofe. Mas é evidente que este Tratado Orçamental a vai tornar inevitável. Por isso é que volto a perguntar se alguém acredita que conseguimos hoje ou nos próximos cem anos cumprir 0,5% de défice e 60% de dívida. Não é ter muitas dúvidas, é reconhecer que é impossível cumprir este compromisso. Continuar neste caminho só pode ser por isso um acto de fé.

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