Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Cadáver Esquisito (2)

Ana Cláudia Vicente, 28.02.12

1. UM LIVRO

2

CA...... SARKIS G........N

 

Bastou a João Cosme um esfregar de olhos mais acordadiço para perceber que o livro havia de ser obra de bifes. Vamos e convenhamos: depois de uma mão cheia de filmes de estio na praça da vila, as garatujas da capa não exigiam um Detective Varatojo.

Já a aparição daquele volume ali, no seu quarto, o quarto do seu falecido padrinho, na exacta madrugada do regresso da "expedição"? Preocupante o suficiente para entender o quanto antes. Talvez começar por aquele resto de assinatura na folha de rosto: Ca...... Sarkis G........n?
Cosme ouviu os passos curtos e ainda ligeiros de Vivelinda em direcção à sala de refeições. O cheiro a pão fez parágrafo no seu ritual matinal de higiene, mais longo que o costume, dada a quantidade de lama terrosa que havia ficado por limpar.
Vivelinda! - chamou, com poucas maneiras.
Diz lá, João... - respondeu a sexagenária, em tom simétrico.
Qu'é lá?! - impôs ele.
Faz favor, menino Cosme... - fingiu a serviçal.
A madrinha e o professor José Augusto, já estão na casa de jantar? - inquiriu, por fim.
Não, menino, ainda só estás só tu e o Eduardo - despachou, empurrando o carrinho dos beberes.
Já não estamos nos Freixos, Vivelinda - resmoneou, deixando escapar o sotaque.
Pois não, João Cosme! - suspirou.
Bom dia, D. Linda - acenou, respeitoso, o outro inquilino.
Bom dia, sr. Eduardo - correspondeu, plácida.
 
(Este é o segundo capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Ana Vidal.)

15 comentários

Comentar post