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o medo

por Patrícia Reis, em 08.02.12

 

O medo é instinto. O medo não é piegas, mesmo que o PM ache que possa ser, vem de dentro, instala-se e pode ser controlado, mas não ignorado. Vivemos a medo. Dias seguidos e a pretexto de coisas distintas. Medo de perder do emprego, dos filhos e dos maus caminhos ( por existirem maus caminhos), do frio e da fome, da falta e da solidão, da incompreensão, da rejeição, de não sermos aplaudidos por A ou B, medo da traição do corpo, de ser frontal ou politicamente incorrecto. O medo. Uma variante de vida? Não, para a maioria é uma forma de vida, de estar, de ser. Infelizmente.

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9 comentários

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De Laura Ramos a 08.02.2012 às 08:38

Para mim é a única forma de viver... com uma pega de caras permanente! Está bem que cortadas por uns refúgios pontuais no planeta do sonho: mas estas fugas têm é uma diária cara... E também exigem coragem :)
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De fernando antolin a 08.02.2012 às 16:17

Prefiro uma lide a modos que mais escorreita !! ( e eu sei do que estou a falar...) É que numa pega de caras, o animal por cada metro que avança, " cresce " dois !! Digo-lhe que é verdade !!

E o medo pode às vezes ser tão banalizado como neste conselho dado a uns quantos rapazes do Bomber Command inglês, em tempos já algo distantes : "...your expectation of life is six weeks.Go back to your huts and make out your wills. ..."



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De Bartolomeu a 08.02.2012 às 09:39

Está mais que confirmado... desde o primeiro ministro, até aos ministros, todo este governo nos caga em cima!
Não é novidade, aliás; este arquétipo habito português, que manda cagar em cima de quem não tem outro remédio que obedecer, vem quase do início da lusiteniedade. Relembro um "documento" que viu a luz do dia ha precisamente 78 anos, por esta altura carnavalesca dirigido ao ministro da agricultura do governo de Salazar, e do qual foi pai o poeta, João Vasconcelos e Sá. Bastaria trocar-se-lhe os nomes dos personagens para que continuasse completamente actual.
Reza assim:


Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura

Exposição

Porque julgamos digna de registo,
a nossa exposição, Sr. Ministro,
erguemos até vós humildemente,
uma toada uníssona e plangente,
em que evitámos o menor deslize,
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor, em vão esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Mas falta-nos a matéria orgânica precisa,
na terra que é delgada e sempre fraca.
A matéria em questão, chama-se caca.
Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa…
Se os membros desse ilustre Ministério
querem tomar o nosso caso bem a sério;
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade,
e mijem-nos também, por caridade…

O Senhor Oliveira Salazar,
quando tiver vontade de cagar,
venha até nós, solicito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo, com sossego,
ajeite o cu bem apontado ao rego,
e como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho.
A nação confiou-lhe os seus destinos…
Então comprima, aperte os intestinos.
e ai..se lhe escapar um traque não se importe…
quem sabe se o cheirá-lo não dará sorte…
Quantos porão as suas esperanças
num traque do Ministro das Finanças…
e também, quem vive aflito e sem recursos,
ja nao distingue os traques, dos discursos…
Não pecisa falar, tenha a certeza,
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provem da merda que juntarmos nelas .
Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa,
adubos de potassa, cal, azote;
tragam-nos merda pura do bispote,
e de todos os penicos portugueses,
durante pelo menos uns seis meses.
Sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente eles nos despejem trampa.
Ah terras alentejanas, terras nuas,
desesperos de arados e charruas
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sempre a paixão nostálgica da merda…
Precisamos de merda senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa…
Ah, merda grossa e fina , merda boa,
das inúteis retretes de Lisboa.
Como é triste saber que todos vós
andais cagando, sem pensar em nós…
Se querem fomentar a agricultura,
mandem vir muita gente com soltura…
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala…
Ah, venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade,
formas normais ou formas esquisitas.
E desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia, à grande bosta,
tudo o que vier a gente gosta ,
Precisamos de merda, Senhor Soisa ,
e nunca precisamos de outra coisa…
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De P.Porto a 08.02.2012 às 11:29

Boa, Patrícia, seja lá o que for que isso queira dizer.

Já agora, e se notar bem, a aversão ao AO tamben eh medo. Não eh pieguice, nem sensatez. Eh medo, medo de ficar maior, medo de ficar a perder. Eh uma forma pequena e portuguesa de estar.


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De Helena Sacadura Cabral a 08.02.2012 às 12:13

Belo texto Patrícia. Medo sim. Tanto, que, por vezes, nos torna meias vivas. Medo dum futuro sem esperança para os mais novos. Medo de já não ter futuro para os mais velhos.
Medo que tolhe a vida de grande parte de nós. Medo para que ninguém nos preparou...
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De ACCB a 08.02.2012 às 12:44

Não gosto do medo. Tenho medo de ter medo.
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De cr a 08.02.2012 às 14:34

Interessante esta abordagem ao tema medo.
Creio que não exista já, qualquer destemido mesmo que muito afoito, não padeça desta " doença ".
Assola-nos em qualquer altura, brama a sua raiva contra a nossa bravura e insiste em consumir-nos em " lume brando ".
Que força será esta que nos obriga a constantes despiques ?
Como a Patricia diz, na verdade deixou de ser apenas uma variante da vida passou sim a preencher espaços cada vez maiores na nossa vida.
Era mais simples quando antes se chamava escuro!
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De Resistir é importante a 08.02.2012 às 20:30

Patrícia,

Para complemento deixo esta reflexão de Galeano.

"Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo de comida.
Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de serem atropelados.
A democracia tem medo de lembrar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.
É o tempo do medo.
Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.
Medo dos ladrões, medo da polícia.
Medo da porta sem fechaduras, do tempo sem relógios, da criança sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.
Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser, medo de morrer, medo de viver”.

Eduardo Galeano
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De Patrícia Reis a 08.02.2012 às 22:26

O medo é universal, é o que nos aproxima dos animais. É estranho, poderoso e um jogador de apostas altas. É preciso ser-se louco para não sentir medo? Porventura. Há dias em que a loucura me faria bem.

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