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A Dama de Ferro

por Luís Menezes Leitão, em 08.02.12
Agora que está demonstrado para todos a armadilha que foi o euro, convém recordar quem é que teve a inteligência de deixar o seu país fora dessa embrulhada. A senhora Thatcher bem sabia que o Parlamento não poderia entregar toda a sua política monetária a uma instituição externa, que obviamente não decidiria em favor dos interesses dos cidadãos britânicos. Como ela bem diz, a decisão de aderir à moeda única só pode ser tomada uma vez, e implica uma perda total de soberania, que os deputados ingleses não tinham o direito de fazer ao seu Parlamento, em prejuízo dos futuros eleitos. Passados todos estes anos, e perante o iminente colapso do euro, está à vista quem tinha razão. O que nos faltou em Portugal foi sempre políticos que não fossem atrás de qualquer imposição europeia e soubessem também dizer: "Não, não e não".

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29 comentários

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De José António Abreu a 08.02.2012 às 08:58

Mas será bom notar que ela está a dizer "no, no, no" ao Delors e, por extensão, ao Mitterrand e ao Kohl. O tipo de 'estadistas' por que toda a gente clama hoje em dia mas que, na verdade, nos meteu nisto...
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De Luís Lavoura a 08.02.2012 às 09:38

O euro não foi nenhuma "imposição europeia" para Portugal. Os outros países do euro teriam com alegria prescindido da adesão portuguesa. Portugal aderiu ao euro, não porque tal lhe fosse imposto ou sequer pedido, mas sim porque os políticos (e o povo) o quiseram. Porque o euro permitiria (e permitiu) uma data de anos dourados, de baixa inflação e baixas taxas de juros, que fez muito jeito a montes de gente.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 10:48

Cuja conta chegaria necessariamente um dia e chegou agora, quando toda a gente estava convencida que era de borla. Isto chama-se publicidade enganosa.
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De José António Abreu a 08.02.2012 às 10:56

Luís: a publicidade não era enganosa, no sentido em que existiam critérios que deviam ter sido cumpridos e não foram. Talvez se revelassem, ainda assim, insuficientes mas lembro-me bem de como muitos (à esquerda, em particular, mas também à direita) os apelidavam de estúpidos, dizendo que era preciso «investir» e «combater o ciclo económico» e mais o não o sei o quê (no fundo, muito do que se continua a dizer hoje), acabando com isso por levar à sua flexibilização - e a um mais rápido caminho até à situação actual.
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De Helena Sacadura Cabral a 08.02.2012 às 12:18

Tem razão Luis. Mas quando alguns - entre os quais me incluo -, apontaram os riscos da nossa adesão à moeda única foram chamados de reaccionários. Pude bem com isso e não me calei. Mas mandaram-me calar.
O resultado está à vista...
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De Luís Lavoura a 08.02.2012 às 16:01

Quem é que lhe chamou reacionária? Quem é que a mandou calar?
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De Helena Sacadura Cabral a 08.02.2012 às 19:54

O director da publicação onde eu "opinava", rapaz esperto e que se alcandorou a outros voos.
Não me fez mossa, porque fui opinar para outro lado. Mas podia ter feito... se eu fosse medrosa.
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De l.rodrigues a 08.02.2012 às 10:14

Por vezes fazem-se coisas certas pelas razões erradas.
Também convém não esquecer que ela e Reagan foram os pontas de lança da desordem mundial que nos querem impor hoje.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 10:48

Não concordo. Os anos 80 foram anos de ouro. O desastre veio depois.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.02.2012 às 12:11

O euro tem as costas largas, para justificar muita coisa, mas as razões que teriam levado o Reino Unido a entrar no euro, seriam diferentes das nossas. A Sra Thatcher optou por não entrar porque achou que isso era contrario aos interesses do seu país. Problema deles.
Já no nosso caso, país pequeno, com uma economia incipiente que ainda estava a lamber as feridas provocadas pelo PREC, o euro teria sido uma extraordinaria oportunidade se a tivessemos sabido aproveitar. Não soubemos. Só nos podemos queixar de nós proprios, e dos que nos levaram à bancarrota.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 14:07

O problema é que agora estamos numa armadilha de onde não conseguimos sair.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.02.2012 às 16:47

LMLeitão, quase me apetecia chamar-lhe "piegas". Não termos aproveitado as oportunidades do euro é uma coisa, achar que estamos encurralados é outra. Há pessoas, entre as quais me incluo, que sempre acharam que o brodio inaugurado no tempo do Guterres, não nos podia levar a coisa boa. As politicas da cigarra dão sempre mau resultado, e os juros baixos são uma tentação e uma enorme armadilha de que poucos paises escaparam, e não preciso de lhe apontar os maus exemplos.
Agora é arregaçar as mangas, e andar prá frente, e convencermo-nos todos, pelo menos os que não têm fortuna pessoal, que o que se passou nos ultimos 10-12 anos, nunca mais se repete, a não ser que sejamos capazes de lá chegar com um crescimento sustentado.
Vamos ter mesmo de viver com o que produzirmos; se produzirmos mais e melhor, viveremos melhor, se produzirmos menos e pior, viveremos pior. Essa é a armadilha de onde temos de fugir!
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 17:26

Chamando "piegas" aos outros e utilizando discursos optimistas como esse bem pode ser convidado para assessor de Passos Coelho. Há uns anos atrás Vasco Pulido Valente recomendou um slogan para usar com esse tipo de discursos: "Vamos ganhar porque somos os mais fortes". Mas a seguir confessou que o slogan não era original. Foi o usado pelos franceses no início da II Guerra Mundial. Três semanas depois Hitler entrava em Paris...
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.02.2012 às 18:22

Entre apetecer-me chamar-lhe piegas e chamar-lhe há uma diferença. E o serviço publico nunca me entusiasmou, sou mais da privada. Como serviço publico bastou-me a tropa e os tempos que passei em Angola.
Mas vir falar da 2ª guerra é sintomatico: há quem passe a vida a olhar para trás. Eu, apesar de ter 60 anos, continuo a querer olhar prá frente, porque como se diz na minha terra: "pra trás, mija a burra"!
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 21:20

O problema é que já vimos este filme. E quando isso acontece sabemos como é que acaba.
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De Vergueiro a 08.02.2012 às 14:58

Concordo plenamente. O euro abriu-nos possibilidades que não soubemos agarrar. Também é verdade que estávamos muitos anos atrasados em relação aos nossos parceiros, e que se fez um esforço de aproximação que talvez tivesse sido exagerado. A todos os que criticam o euro eu digo: não sabe bem ouvirmos que a euribor está a descer e que o BCE decidiu baixar as taxas para não nos sufocar? Se tivéssemos sozinhos acham que teríamos estas taxas? Eu relembro que antes da moeda única em 1995 quem queria um empréstimo pagava 15% de juro. Durante os anos do euro pagámos entre 3 a 5% e hoje a euribor está a 1,6%. Ou seja está óptima para quem quer investir...
Culpar o euro não me parece razoável. Vejamos hoje uma carcaça de pão custa 0,16euros e há 10anos custava 16 escudos. Alguém acha que se ainda estivéssemos com escudos que o pão custava 16escudos? Claro que não! Custava 32escudos, porque os preços acompanham os preços nos mercados internacionais. Ou acham que os mercados vendiam a farinha à europa a 1euros(200escudos) e a nós coitadinhos vendiam-nos a farinha a 100escudos? Estavam-se bem a cagar para nós!.. Morríamos de fome, isso sim.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 15:47

Há-de me dizer onde é que consegue comprar pão a € 0,16 que eu só o tenho encontrado a € 0,25. Isso dá 50 escudos. Não tenha dúvidas que o euro encareceu o preço. Isso é uma realidade indesmentível.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.02.2012 às 16:55

Todos nos lembramos que quando trocamos os escudos por euros, um café passou de 50 escudos para 50 centimos, p. ex.; muitas coisa que custavam dezenas ou centenas de escudos, passarem a custar o mesmo, mas em centimos. Houve muita gente a beneficiar disso, mas ninguem se importou, porque pensavamos que finalmente eramos europeus porque até tinhamos a mesma moeda e tudo. Os juros baratos tambem ajudaram à festa, os centros comerciais começaram a florescer como cogumelos, e os bancos davam cartões de credito a toda a gente. Com um crescimento economico incipiente, o resultado só podia ser este, não acha?
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 17:29

O problema foi terem vendido a ideia de que o juro barato servia de compensação para a diferença de salários entre os diversos países com a mesma moeda. Ninguém avisou de que iríamos cair nesta espiral de endividamento e miséria. Pode ter a certeza que já há muita gente cheia de saudades do escudo.
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De singularis alentejanus a 08.02.2012 às 12:57

Mas alguém me perguntou se eu queria ir para onde quer que fosse, se rejeitava a minha moeda? Levaram-me, pusera-me lá sem eu poder dizer se queria ou não. Democráticamente.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 14:08

Exactamente. E na altura, a quem se atravesse a propor um referendo diziam que era inconstitucional...
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De José António Abreu a 08.02.2012 às 14:50

Neste ponto estamos de acordo. Devia ter havido referendo. Mas, ainda que a legitimidade dos governantes fosse hoje superior e a responsabilidade mais distribuída por todos os portugueses, não tenhamos ilusões de que o «sim» teria vencido.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 15:50

Em Portugal não sei. Mas seguramente na Alemanha o euro não teria passado. E sem a Alemanha não haveria euro.
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De José António Abreu a 08.02.2012 às 20:42

Caramba, Luís, estás a dizer que devia ter sido dada aos alemães a hipótese de terem o bom senso que nós não teríamos tido? Precisávamos de quem nos tivesse protegido de nós mesmos, é isso?

No fundo, pensando bem, és capaz de ter razão.
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De lucklucky a 08.02.2012 às 15:21

Os problemas de que fala não têm nada que ver com o Euro.
Quem duplica a dívida em 5 anos passando-a de 90 mil milhões para 170 mil milhões passando de 60% do PIB para 110% do PIB acontece coisas destas.

Com euro, com dólar com pataca, escudo ou tostão.
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De Luís Menezes Leitão a 08.02.2012 às 15:48

Mas a falta de política monetária não nos permite crescer. E sem crescimento não conseguiremos pagar essa dívida.
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De lucklucky a 09.02.2012 às 08:49

Portugal obviamente pode pagar a dívida. Claro que obriga a regressar à riqueza dos anos 90.

De resto não vai conseguir crescer com política monetária ou sem ela. É irrelevante.
E muito importante é imoral para os poucos que cumpriram e não foram atrás da bolha.

Além disso mundo tecnológico onde qualquer produto nasce com componentes de qualquer canto do mundo a desvalorizações são ainda mais perniciosas.
A não ser que esteja a apostar no crescimento baseado em produtos simples.
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De Luís Menezes Leitão a 09.02.2012 às 09:09

Não é com juízos morais que se resolvem problemas económicos. A dívida vence juros e nenhum país os consegue pagar se não crescer. Para isso é essencial repor a competitividade dos seus produtos, o que mais uma vez nos leva à política monetária.

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