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Estampou-se

por Rui Rocha, em 07.02.12

 

Passos Coelho devia saber que quando se refere aos portugueses está a designar uma abstracção. A entidade abstracta os portugueses responde, quando muito, a  uma identidade colectiva mais ou menos afirmada pela existência de uma história partilhada, de uma cultura comum e de uma língua utilizada como meio preferencial de comunicação. É claro que os portugueses (ou o povo) são invocados a propósito de tudo e de nada, de qualquer par de botas e dos respectivos atacadores. Reconheça-se, todavia, que para lá de um mais intuído do que palpável sentir colectivo, que por natureza será sempre difuso e apropriável pelo primeiro da fila, os portugueses enquanto entidade abstracta, não têm sentimentos. Esses são exclusivo de pessoas reais e da sua circunstância. Sob a designação portugueses encontraremos então realidades tão díspares como a de Ricardo Salgado ou a da Maria de Lurdes que ontem perdeu o emprego. Estão reunidos debaixo dessa etiqueta 700.000 desempregados e 700.000 funcionários públicos que viram os seus salários reduzidos em mais de 20%. O rótulo aplica-se tanto aos alucinados que clamam contra o fim da tolerância de ponto no Carnaval, como àqueles outros que já hoje não sabem como vão chegar ao fim do mês. Entendamo-nos. Há portugueses que são uns sacaninhas de primeira extracção, outros que são felizes, uns que sofrem, muitos que desesperam, alguns que se agarram à esperança, vários que erraram, outros tantos que cumpriram. Por isso, o Primeiro Ministro comete um erro grave quando pede, em termos genéricos, aos portugueses para serem menos piegas. Não há ponta de pieguice no sofrimento de muitos. Nestes, tais palavras só podem gerar raiva e indignação. Na melhor das hipóteses, aconselharão o Primeiro Ministro a aprender a medir as palavras. Na pior, dirão em resposta ao pedido de menos pieguice que Passos Coelho deve ter mais vergonha. Custe o que custar.


55 comentários

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De Manuel Carvalho a 07.02.2012 às 01:01

Bonito sorriso alvar.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:28

Não tinha reparado...
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De fernando antolin a 07.02.2012 às 10:45

O sorriso alvar do palerma satisfeito...
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De Um Jeito Manso a 07.02.2012 às 01:06

Meu Caro,

Está a pedir demais. Acredita que a pessoa em causa
consegue perceber o significado exacto de todas as palavras que pronuncia? Tenho algumas dúvidas.

Tomara é que o governo não resolva brindar-nos com um ridículo corso, dizendo-nos depois que é um conselho de ministros.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:28

Duvidar é um bom princípio.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 02:04

Só foi uma pena não ter tido morte imediata.
Mas estou em crer que o desencarceramento vai ser complicado e com graves sequelas.

CHEGA!!!!!
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:29

Não desejo a morte a ninguém. Nem mesmo a Sócrates.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 09:30

A Sócrates também não.
Espero que regresse depressa.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:34

Sim, há bons estabelecimentos prisionais no país prontos para o acolherem de forma adequada e proporcional aos seus actos.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 09:39

Sabe, pode achar que não, mas até concordo consigo.
E podia ficar na ala do cavaco, do durão, do isaltino, do loureiro, do lima, entre muitos outros.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:39

Estamos de acordo.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 09:40

De Rui Rocha a 7 de Fevereiro de 2012 às 09:36
E do Vara e do Jorge Coelho e do Lello e do Dias Loureiro e por aí fora.

Certíssimo!
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De de lisboa a 07.02.2012 às 17:29

Não me falem em Sócrates que fico agoniada. Não me vou esquecer (nunca) do buraco imenso que nos deixou. Se regressar que venha ajudar a apanhar os cacos ... que são muitos e cortam.
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De zeparafuso a 07.02.2012 às 08:09

O PM não está a falar de mim nem, provavelmente dos 700.000 desempregados, nem dos que têm emprego e viram os seus salários reduzidos. Estará a falar de quem e para quem? Só se é para ele e para os seus....nem sei como hei-de chamar, porque nem os que votaram PPD /PSD, estão do lado dele (a maioria, porque os tais - que não sei como hei-de chamar - estão do lado dele). Como português não entendo o que ele diz que entendo. Ele quer ou gostava que eu entendesse, mas eu faço parte duma maioria que não entende, faço parte duma maioria que está no limiar da pobreza, faço parte duma maioria que ele não ENTENDE.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:30

O tipo de discurso dos piegas também não entendo, Z
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De Hélder Guegués a 07.02.2012 às 08:24

Abstracção.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:38

Pois. Queiramos ou não, o acordês vai tomando conta de nós. Já corrigi. Obg.
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De José António Abreu a 07.02.2012 às 08:43

Só uma pergunta: ele usou o termo "piegas" em mais algum ponto do discurso ou só em Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender? É que, independentemente do site a que aceda, encontro sempre o mesmo texto da Lusa que diz no primeiro parágrafo O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou hoje aos portugueses para serem "mais exigentes", "menos complacentes" e "menos piegas" mas depois só surge o termo "piegas" na frase que referi. É mesmo essa frase de que estamos a falar? Porque se é, não percebo a polémica. Se não é, a Lusa devia ter apresentado a frase em questão.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:32

Fui ver. Creio que foi apenas nessa frase. Mas, discordo de ti. Passos Coelho deve falar claro. O discurso da responsabilidade faz sentido. As generalizações sobre pieguice são ofensivas.
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De IsabelPS a 07.02.2012 às 10:46

Já estou farta de ter de passar o tempo todo à procura da versão original para verificar se é verdade ou não aquilo que os jornalistas dizem que os políticos dizem. Por isso desta vez não fui verificar e confio no jaa. E, a ser verdade, estamos a tornar-nos num povo de atrasados mentais que, ou não sabem ler (ou entender um discurso em áudio), ou emprenham pelos ouvidos sem o mínimo de discernimento.

Os políticos, ao menos, vão a votos e eu posso fazer o possível para os pôr daqui para fora. Agora os jornalistas, por menos que eu compre os jornais onde trabalham, não estou a ver como posso impedi-los de conspurcar o meu entendimento e o dos meus concidadãos.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 11:23

Percebo o seu comentário, Isabel, justificado por muitas e diversas situações. Fui ver outra vez o vídeo na íntegra porque admito que a primeira visualização estivesse influenciada pela notícia das edições online. Reafirmo que me parece um bom discurso. Continuo a entender a referência a ser menos piegas como um juízo de valor genérico sobre "os portugueses". Se é verdade, não posso concordar com o diagnóstico.
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De Vergueiro a 07.02.2012 às 10:44

Segundo o que vi na televisão ele estava como que a fazer uma analogia entre relações, a dele com os portugueses e a do professor mauzão com os alunos. E então disse que os portugueses eram como os alunos piegas que se queixavam dos professores que são exigentes e mauzões sem perceberem que a atitude do professor mauzão é a correcta.
Foi de facto infeliz, porque é uma comparação estúpida infantil e completamente desnecessária. Creio que todos os portugueses perceberam que os próximos anos não poderão ser iguais aos últimos 30. O que os portugueses ainda não perceberam é porque é que ELES, Políticos, ainda não perceberam isso!! E continuam a governar com as mesmas mezinhas com que governaram nos últimos 30 anos. A manterem as PP's e Concessões, os cargos camuflados, os rendimentos camuflados os tachos para os amigos, os sacrifícios para os outros, os carrões, as ajudas de custo e suplementos, as fugas ao fisco, o caos na justiça, as privatizações ao desbarato com ligações duvidosas, as transferências para paraísos fiscais, regimes fiscais diferentes para ganhos em bolsa e para os bancos, fugas de capitais e por último: nem uma política para o futuro.
Bem ou mal já tivemos a política do betão e funcionários do estado (cavaco). A política do diálogo e alqueva (guterres). A política dos Magalhães e aerogeradores.
E agora? Não há ideias? Estamos condenados à austeridade, privatização, ao pastel de nata e à emigração?
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 11:48

O que me parece é que o discurso era dirigido a certos interesses e posições. Se é assim, importa ser claro. E não deixar apreciações globais a pairar.
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De Vergueiro a 07.02.2012 às 12:25

Era bom era(!) que o discurso fosse dirigido para os interesses, mas não creio que fosse o caso, se fosse ele teria dito "interesses piegas" e não Portugueses. Ao dizer Portugueses mete-me no mesmo saco e eu recuso-me a isso. Das duas uma, ou me arranjam tacho, ou não me identifico com discurso dele e posso criticar!
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De Anónimo a 07.02.2012 às 09:06

Sinónimos de piegas:

- Mais de 700 MIL desempregados;
- Pensionistas com reformas abaixo dos 200, 300, 400 euros;
- Trabalhadores da Ordem do Carmo, com 9 meses de salários em atraso;
- Trabalhadores da Valadares, que reivindicam há duas semanas os salários em atraso;
- Funcionários públicos a quem foi retirado o subsídio de férias e natal, e a quem já foi usurpado mais de 20% dos vencimentos;
- milhares de micro empresas que já encerraram, deixando no desemprego trabalhadores e donos do negócio;.......
- Trabalhadores da CNE, que reivindicam os salários em atraso;
- 450% mais de famílias que deixaram de pagar os créditos à habitação;
- etc, etc, etc, etc, etc,
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:33

Esqueceu-se dos Bancos com prejuízo e dos Presidentes de Câmara com litígios com as Águas de Portugal.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 09:35

E do catroga,
e da irmã da ministra da justiça,
e do motorista de 21 anos do portas,
e do aníbal.....
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 09:36

E do Vara e do Jorge Coelho e do Lello e do Dias Loureiro e por aí fora.
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De André Miguel a 07.02.2012 às 10:19

E é mentira que não somos piegas? É mentira que os portugueses nos queixamos por tudo e nada, nunca estamos satisfeitos e temos sempre uma reclamação? Sempre vivi junto à fronteira e não será por acaso que sempre ouvi nuestros hermanos apontarem estas como algumas das nossas maiores características.
O que fica comprovado com a indignação que estas declarações estão a levantar.Querem maior pieguice?
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 10:38

Alguma vez temos de discordar, AM. Todas as generalizações são odiosas. Se Passos Coelho se estava a referir, por exemplo, aos que se lamentam pela questão da tolerãncia de ponto, então é a esses que deve dirigir-se. Continuo na minha: nos 700.000 desempregados há uma enorme maioria que não merece rótulos colectivos de pieguice. E o mesmo se passa relativamente a muitos que trabalham. Pessoalmente, não reconheço a Passos Coelho o direito de se dirigir a mim ou a muitos outros portugueses para nos incluír nos destinatários de tais conselhos. Aliás, o André Miguel, por aquilo que nos tem contado, é bem o exemplo daqueles que não se acomodam.
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De André Miguel a 07.02.2012 às 11:15

"Todas as generalizações são odiosas". Completamente de acordo, é por isso que nestas coisas de tentar caracterizar um povo paga sempre o justo pelo pecador.
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De asCético a 08.02.2012 às 22:29

Eu pensava que o defeito dos portugueses era nunca reclamarem e aceitarem tudo.
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De raioverde a 07.02.2012 às 10:29

discordo em absoluto.
O discurso no seu todo é muito bom.
O piegas é para quem servir o chapéu.
e olhe que chapéus há muitos, neste caso em particular.
Foi o primeiro grande discurso do Primeiro-Ministro enquanto tal.
Acho que demonstrou, ontem, a fibra de que são feitos os Homens com H grande.
Certamente não se enquadrará Passos Coelho(pelo menos eu não) na figura de bloco de gelo que agora lhe colarão.
Ele está certo, e não é o facto de muitas pessoas sofrerem hoje que o deve impedir de dizer a Verdade, que foi exactamente o que ele fez durante 25 minutos.
Aliás o sofrimento de muitos e da Sociedade em geral advém precisamente de muitas das características de fraqueza que existem no nosso Povo, ou em muitas das pessoas que o compõem.
E isso é inegável, é um facto que não se pode deturpar nem esconder, que deve portanto ser realçado como um fado negativo que deve ser eliminado da nossa cultura.
Vamos mesmo ter que mudar de vida, e ter alguém que consegue concretizar essa mudança precisamente em características intrínsecas ao português e que devem ser mudadas, é um benefício e não um prejuízo.

Cumprimentos
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 10:40

Também gostei do resto do discurso, RaioVerde. Mas, uma coisa é fazer a defesa da responsabilidade, outra é vir com juízos de valor generalizados sobre os portugueses. Quantos há por aí que fizeram mais no passado pelo país do que Passos Coelho.
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De Paulo de Abreu e Lima a 07.02.2012 às 10:37

Caro Rui Rocha,

Estou-lhe grato por me fazer ouvir o discurso inteiro de PPC. Porque, só o ouvindo, ou lendo, é que posso comentar o seu post e, com todo o respeito, daí inferir que o Rui não o ouviu ou não o leu. PPC disse que são piegas todos aqueles que desresponsabilizam os alunos com a justificação de que têm muito que estudar, têm muito o que fazer. Eu diria pior. Mais do que piegas, são completamente irresponsáveis. Todos os "portugueses" que pensam e justificam os fracassos escolares assim.
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De Rui Rocha a 07.02.2012 às 11:25

Paulo, fui ouvir outra vez. A minha apreciação é a que consta da minha resposta à IabelPS.
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De Anónimo a 07.02.2012 às 11:38

Bem, sei que não sou muito inteligente, e cada vez mais me convenço disso, pois todos os dias fazem questão de me chamar estúpido e burro, mas ainda consigo perceber que o piegas é generalizado, é esse o sentido.
Não, não sou jornalista.
Já teria há muito sido corrido se o fosse.

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