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Louçã, o Rei Momo de 2012

por Rui Rocha, em 05.02.12

A tradição já não é o que era. Já se sabia. Agora o que não se esperava é que Jardim, candidato natural a rei de todos os carnavais, fosse destronado no Entrudo de 2012 por Francisco Louçã. Todavia, esta frase permite entronizá-lo como Rei Momo indiscutível dos carnavais deste ano:  “A existência de uma tolerância de ponto, de um dia em que não se trabalha no Carnaval, é um direito das pessoas, não é um baile, é um direito das pessoas fazerem o que querem, é um dia em que não são obrigadas a trabalhar de graça pela força do Governo”. Não se trata do acto revolucionário de exigir o respeito pelos direitos adquiridos. Não. Agora entramos numa fase mais avançada da luta. A do respeito pelas tolerâncias adquiridas. A tolerância é um direito. Se tudo correr bem, a expectativa, mesmo a mais carecida de protecção, vai tornar-se um dia um direito potestativo. No mínimo, será protestativo. Saliente-se, entretanto, que o Carnaval não é um baile. Registado. Não sei bem o que será. Mas, qualquer mente progressista, com um lenço tipo Arafat ao pescoço, estará em condições de afirmar que é uma manifestação cultural. O Estado paga 50.000.000 por ano para subsidiar filmes que são vistos por 2.000 pessoas? Então o Carnaval, cultural como só ele, também deve ser subsidiado. Para quê? Para investir em carros alegóricos, pagar aos cabeçudos e dar umas mamas novas (que não sejam PIP) às gajas despidas que vão nos cortejos a bater o dente. Mas, a vertigem destrambelhada continua:  o Carnaval é um dia para as pessoas fazerem o que querem. Por exemplo, Louçã quer armar-se em patarata com pose e pretensão moralista. Pode. É Carnaval. Ninguém leva a mal. O problema não está no que faz nesse dia, mas no que diz ao longo do resto do ano. Entretanto, para o final está reservado o melhor: as pessoas são obrigadas a trabalhar de graça pelo Governo. Claro que alguém que não pretenda andar disfarçado de palhaço responderá que as pessoas têm um salário mensal. E que, se é assim, cada uma delas que vai ao Carnaval está a obrigar quem lhes paga a que o faça sem a contrapartida natural: o trabalho. Aliás, como o David Levy refere, por cada dia de tolerância, o Estado paga 700.000 dias de salário para nada receber em troca. 700.000 dias de salário para financiar o Carnaval de Ovar, de Loulé, do Funchal e do CaraçasMaisVelho. A menos que me queiram convencer que 1 dia de trabalho de 700.000 funcionários públicos não tem utilidade, a conta sai baratinha. Ainda veremos alguém decretar Carnaval todo o ano para estimular a economia. Ou me engano muito, ou será Louçã. 


17 comentários

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De Helena Sacadura Cabral a 05.02.2012 às 17:22

Porque será que ele não se cala?!
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 17:42

Deve haver muitas razões, Helena. Mas a principal parece-me ser a existência de um jornalismo que tem como única ambição servir de caixa de ressonância do soundbyte mais elementar. Só isso justifica que nenhum jornalista confronte Louçã por afirmações como esta, que todos se calem perante a ideia de dinamismo local que Seguro defendeu sobre o mesmo assunto ou que ninguém pergunte a Passos Coelho o que é isso do custe o que custar (vender os filhos no mercado incluir-se-á no preço?). Só para sabermos.
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De Samuel a 05.02.2012 às 21:01

Provavelmente porque a senhora dona Helena ainda não manda...
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 22:29

E mandaria melhor, não tenho dúvida.
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De Helena Sacadura Cabral a 06.02.2012 às 15:45

Ai! meu caro se eu mandasse...
Mandar é o que todos fazemos melhor!
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De José Francisco a 05.02.2012 às 17:24

Mesmo assim sugeria que se desse o feriado ao Louçã, na condição de se mascarar de Diácono Remédios
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 17:43

Ou em topless.
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De Rómulo da Silva a 05.02.2012 às 17:46

Por mim achava que se devia era pôr o mês de Fevereiro com 30 dias como qualquer mês que se preze . Assim compensava-se a tolerância.
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 17:47

Pensei numa coisa parecida, Rómulo. Decretar que todos os anos são bissextos.
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De Beirão a 05.02.2012 às 18:31

Se fosse um grunho a despejar semelhantes tontices, vai que não vai. Num país em que, no consulado do 'bonzinho' do Guterres, uma gaja (só lhe posso chamar isto) com responsabilidades na Educação, confrontada com a indisciplina nas escolas e sobre a 'moda' de os alunos sovarem, impunemente, os professores, essa gaja disse ao país, "não vejo onde está o motivo para tanta lamúria... já que, dar um aluno um encontrão a um professor não é mais que um sinal de afirmação...".
Depois disto, querem o quê?! Um país de gente culta e civilizada?
Não haverá aí à mão de semear um pano encharcado para dar nas fuças deste sujeitinho Louçã?
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 19:04

Aliás, só não percebo o que o professor estava a fazer naquele sítio, Beirão.
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De Anónimo a 05.02.2012 às 21:04

Louçã não precisa (nem espera) que eu o defenda. Ainda assim, como se pode ver neste triste texto, o ódio quando é assim avassalador, ou vem acompanhado de poder e é trágico... ou então é apenas patético.
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De Rui Rocha a 05.02.2012 às 22:28

Ódio? Ódio tem o Louçã sempre a carregar nos erres contra tudo e contra todos. Eu, por mim, só lamento um país com 700.000 desempregados, sem dinheiro para pagar salários aos funcionários públicos e para comprar betadine nos hospitais se não nos emprestarem, com pessoas a perderem as casas e crianças com fome, com 30% de desemprego entre os jovens, em que ainda há quem tenha o topete de discutir se deve ou não haver tolerência de ponto no Carnaval.
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De Outside a 06.02.2012 às 11:24

Desconhecia este discurso.
Valha-nos os bloggers, jornalistas ou não de profissão, para questionarem em rigor e isenção - mesmo que apenas por escrito, ao longe - as afirmações daqueles que nos representam porque a imprensa "oficial" não tem qualidade ou capacidade para tal.

Bom texto Rui Rocha.

À margem: quanto ao caríssimo que adjectiva de "ódio" a substância deste texto, não terá V.Exa. amizades profundas no Bloco para ignorar o discurso populista e irracional de Louçâ?!
Haja lucidez pelamordedeus.
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De Rui a 06.02.2012 às 15:52

O " Louça " está um caco ...
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De jo a 06.02.2012 às 19:18

Com este sistema de contagem, sempre que alguém trabalha menos de 24 horas por dia e menos de 7 dias por semana está a roubar o patrão. Porque sendo o vencimento mensal então tem de se trabalhar todos os dias.
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De Outside a 06.02.2012 às 19:29

Um desabafo: Trabalho no público e não encontro razão/lógica (como não encontrava enquanto exerci funções no privado) para o feriado de Carnaval, que não se compara a um sábado/domingo, como é deveras óbvio, nomeadamente neste feriado...digamos que elitista ou jocosamente folião (e gosto do Carnaval aussi) para a maioria dos trabalhadores (não empregados) portugueses.

Fiquem bem e não duvidem que, em conformidade com o post, o Rei desta folia não tem jardim mas parte a loiça toda.

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