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O homem duplicado

por Pedro Correia, em 30.01.12

 

Há oito anos, escrevi no Diário de Notícias que Arménio Carlos seria o sucessor de Manuel Carvalho da Silva na CGTP. Lembro-me de que na altura não foi fácil encontrar fotografia do obscuro coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa, então totalmente desconhecido da opinião pública. Sabia-se, isso sim, que a cúpula comunista estava irritada com as contínuas fugas à ortodoxia de Carvalho da Silva e pretendia substituí-lo por um homem aparentemente mais duro mas afinal muito mais dócil no cumprimento das directivas partidárias. Por um motivo fácil de explicar: a CGTP é o mais poderoso instrumento de acção estratégica do Partido Comunista, que após ter perdido os seus bastiões operários e autárquicos recuou com a tenacidade de sempre -- um passo atrás, dois passos à frente, recomendava Lenine -- para o seu derradeiro reduto, o do sindicalismo nas áreas da administração pública e das empresas públicas, designadamente na área dos transportes. Quanto mais Estado, tanto mais a CGTP se robustece. E quem diz CGTP diz PCP. Não faz qualquer sentido a actual correlação de forças -- firmada durante os anos do "processo revolucionário" -- na cúpula da central sindical onde os comunistas estão em larga maioria, remetendo independentes, socialistas, católicos e bloquistas para posições minoritárias. Algo sem paralelo na sociedade portuguesa.

Essa foi talvez a cacha mais fácil da minha carreira jornalística, à semelhança de outra -- que escrevi com meses de antecedência -- em que garantia, também no DN, que Jerónimo de Sousa seria o sucessor de Carlos Carvalhas como secretário-geral dos comunistas. Porque não há nada mais previsível do que o ritmo "lento" e "vertical" -- sem qualquer traço revolucionário -- em que ocorre o processo de tomada de decisão no PCP. E se a ascensão de Arménio Carlos acabou por ficar quase uma década no congelador isso deveu-se apenas à fortíssima popularidade de Carvalho da Silva na sociedade portuguesa, alcançada não por causa da sua ligação enquanto militante de base aos comunistas mas apesar dela.

 

Virada a página, reforça-se a ligação orgânica da central ao partido com a promoção a dirigente máximo de um membro (desde 1988) do Comité Central do PCP, vinculado às rígidas normas de disciplina interna impostas pelo "centralismo democrático". Esta subordinação -- que Carvalho da Silva nunca aceitou na integridade -- torna agora mais nítido o controlo comunista da CGTP, onde o direito de tendência é rigorosamente interdito e as "minorias" (largamente maioritárias na sociedade) servem apenas para conferir um vago verniz pluralista a uma organização que o PCP passa a tutelar de forma ainda mais inflexível.

Era isto que eu gostaria de ter visto dissecado e debatido nos dias que precederam a entronização de Arménio Carlos, o homem que se prepara para duplicar sem deslizes o discurso sindical de Jerónimo de Sousa em todos os telejornais, tal como o PEV duplica a retórica comunista na frente parlamentar. Mas isso seria talvez exigir demasiado de um certo jornalismo e de uma certa "opinião" que se esgotam na poeira do instantâneo sem repararem no essencial.

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62 comentários

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De João Carvalho a 30.01.2012 às 19:19

Foi um grande prognóstico, compadre. Muito bem fundamentado, como hoje se percebe.
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De Helena Sacadura Cabral a 30.01.2012 às 21:45

O que vai ser mais difícil perceber é como se irão eles - UGT e CGTP - entender!
E sem sindicatos corremos o risco do poder cair na rua, estejamos ou não na UE.
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De Rómulo da Silva a 30.01.2012 às 22:01

"o poder cair na rua..." parece que já ouvi essa frase. Não me lembro bem mas parece-me que foi a 24 ou 25 de Abrir há uns anos atrás. Foi o Marcelo Caetano que disse, não foi?
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De Helena Sacadura Cabral a 30.01.2012 às 22:20

Grande Rómulo. Nessa altura era brincar. Não passava do Campo Pequeno!
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 01:20

Nenhum partido é mais previsível do que o PCP, compadre.
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De Outside a 30.01.2012 às 19:53

Muito bem.
Não só na premonição (talvez e sem querer ofender) óbvia para o olhar atento e idoneidade exigida ao profissional "jornalista", como no texto, conciso sobre a realidade do PC, imutável qual dogma fixo num tempo e num manifesto bem como na ligação umbilical a um sindicato que supostamente representa os trabalhadores, não obrigatoriamente afectos ao ideal comunista.

E o ultimo parágrafo bem conclui, num desejo nosso, neste mundo às avessas onde a prática jornalística é, na sua generalidade, comprometida, parcial, sem a prática do seu mais puro pilar, o de prestar a informação. (ponto)

Muito bem.
Fique bem Pedro.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 01:19

Agradeço as suas palavras, Outside.
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De alice goes a 30.01.2012 às 21:57

É verdade que esses senhores da cgtp cataram a internacional no final?
A ser verdade são uns traidores da nação...
p.s. em minúsculas, com o novo acordo, também bastardo...
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De Tomás Vasques a 30.01.2012 às 22:20

De acordo, Pedro. Abraço.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 00:46

Um abraço, Tomás. Saudações leoninas.
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De Desconhecido Alfacinha a 30.01.2012 às 22:24

Caríssimo,

"Era isto que eu gostaria de ter visto dissecado e debatido nos dias que precederam a entronização de Arménio Carlos"

Também eu!

"Mas isso seria talvez exigir demasiado de um certo jornalismo e de uma certa "opinião" que se esgotam na poeira do instantâneo sem repararem no essencial."

Isso implica visão e trabalho, nem que seja mental, o que para alem de não se estar para tal tem também a desvantagem de não trazer audiência ou tiragem e parecerá estar de acordo com a corrente dominante,

Quantos dos 10 milhões das nossas avestruzes futebolísticas desenterram a cabeça dos relvados para isso ?

Forte abraço,
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 01:17

Chega a ser chocante a falta de memória nas redacções, meu caro. Não por culpa dos jornalistas, claro. Mas por culpa de certas administrações e certas direcções que tudo fazem para se livrar de jornalistas veteranos - e o 'veterano', neste caso, é a partir dos 40 anos - ou por custarem mais dinheiro à empresa ou por serem potenciais rivais de direcções medíocres ou por delito de incorrecção política ou simplesmente por parecer mais fácil domar gente mais jovem.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 12:19

Isso não se passa apenas nos mídia. No mundo do trabalho em geral, cá em Portugal, só se quer ter trabalhadores com menos de 40 anos de idade (e no caso de trabalhadoras, ainda menos). Pelas razões corretamente elencadas.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:29

Tem razão: as mulheres são duplamente penalizadas no mercado de trabalho.
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De João Campos a 31.01.2012 às 12:44

Pedro, só isto daria tema para muitos posts e para longa polémica...
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:20

Tens razão, João. Voltarei ao tema, que conheço bem.
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De Nuno Pereira a 30.01.2012 às 22:51

Estou curioso por saber onde Carvalho da Silva, estenderá o seu próximo futuro, agora que se libertou totalmente do PCP.
Conquistou a imagem de um sindicalista puro, integro e respeitado, até por quem pouco, simpatizava com sindicalistas a rondar-lhes as portas das empresas.
Não quero acreditar que irá ser embrenhado também na anarquia politica que reina neste país. Porque o contágio em convites de ganhos económicos e não só, é tão apetecido que vira a mente de gente sã!
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 01:14

Carvalho da Silva começa a partir de agora a preparar-se para a próxima corrida presidencial. Não tenho a menor dúvida disso.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 12:21

A próxima corrida presidencial será apenas daqui a 4 anos. O mundo ainda vai dar muitas voltas até lá chegarmos. E Portugal vai dar mais voltas ainda. É inútil estar-se a falar já do que acontecerá então.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:21

Claro, faltam ainda três anos e 11 meses para a próxima eleição presidencial. Mas candeia que vai à frente alumia duas vezes. John Kennedy, vencedor da corrida à Casa Branca em 1960, iniciou a pré-campanha quatro anos antes.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 16:39

Não se pode comparar Portugal em 2012 aos EUA em 1962.
Portugal em 2012 está em grave crise e com soberania limitada. Há riscos de queda rápida do PIB e desagregação de vários serviços públicos.
Perante este cenário, é pueril estar a discutir uma eleição presidencial que terá lugar daqui a 4 anos. É como estar a discutir o sexo dos anjos enquanto Constantinopla está prestes a cair às mãos dos turcos.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:42

Este debate é irrelevante. Esperemos pelo desenrolar do tempo, que em seu tempo nos dirá.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 16:47

Exatamente, foi isso mesmo que eu disse no meu comentário acima: que inútil estarmos a falar agora de quem será candidato às eleições presidenciais de daqui a 4 anos.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 18:13

Adiemos portanto a discussão. Mas o que está escrito, está escrito.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 31.01.2012 às 00:22

A intersindical é o veiculo que o PCP usa para ter em Portugal uma influencia na vida publica e politica que os 8% conquistados nas urnas não lhe permitiria. Não é isto uma perversão da Democracia? na minha opinião é! Por isso defendo a alteração das leis que regem o sindicalismo em Portugal, para que os sindicatos sejam dirigidos pelos trabalhadores seus associados, e não por partidos politicos, ainda por cima de cariz totalitario como é o PCP.
A eleição de um membro do comité central do PCP para sec geral da inter, significa que a organização vai mesmo ser dirida a partir da sede do partido, pratica a que Carvalho da Silva parece ter conseguido fugir, pelo menos de há uns anos a esta parte.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 01:12

Há o ser e o parecer. O PCP já nem se preocupa em parecer que não controla a principal central sindical. Pelo contrário, faz até de alguma forma gala nisso. Só assim se compreende que a CGTP passe a ser liderada por alguém que é há 24 anos membro do Comité Central do PCP. Repito: 24 anos. Nessa altura ainda nem tinha caído o Muro de Berlim.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 12:25

Eu sou membro de um sindicato (que não integra nem a CGTP nem a UGT) e regularmente voto (em voto secreto) para a direção dele. O sindicato é efetivamente dirigido pelos seus associados, no sentido em que estes é quem escolhe a direção. Penso que nos sindicatos membros da CGTP se passa a mesma coisa.
Aliás, se os trabalhadores não estiverem satisfeitos com o seu sindicato e com a respetiva direção, podem desvimcular-se desse sindicato (e eventualmente filiarem-se num outro). A genralidade dos trabalhadores não aufere de qualquer vantagem por ser membro de um qualquer sindicato (ao contrário do que acontece, por exemplo, nos EUA).
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:24

É portanto mera coincidência que o líder da CGTP seja sempre membro do PCP e que este partido tenha transformado a central sindical numa correia de transmissão. Não há sequer o menor indício disso. O facto de o novo líder ser há 24 anos membro do Comité Central comunista também não merece qualquer relevância especial. Resulta certamente do mero acaso.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 16:44

Eu não digo que seja mera coincidência. Digo que há aqui algum fenómeno que necessita de ser explicado.
Eu, por exemplo, recebo regularmente notícias do sindicato a que pertenço, e da sua atuação. Se eu estiver descontente com essa atuação, posso dessindicalizar-me. E ninguém me obriga a aderir às greves, etc.
Eu não sei como, ou se, o PCP controla os sindicatos. Mas presumo que, se esses sindicatos não agissem de acordo com os interesses percebidos pelos traalhadores, estes últimos dessindicalizar-se-iam.
O problema está por explicar. Cabe ao Pedro, que afirma que o PCP manipula os sindicatos, explicar-nos exatamente como é que ele o faz, e porque é que os trabalhadores, perante tais manipulações, não abandonam esses sindicatos manipulados.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 18:12

Vou tentar pôr a questão de outra maneira. Imagine você os rios de tinta e o coro de polémica que haveria por aí, com acusações de grosseira manipulação política do movimento sindical, se o novo líder da central fosse há 24 anos membro do Conselho Nacional do PSD ou da Comissão Nacional do PS. Só o PCP parece escapar a este crivo crítico.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 00:36

Ou o que seria escrito se o João Proença fosse membro do PS.....
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 13:06

Acha bem ou mal que um secretário-geral de uma central sindical seja simultaneamente membro da direcção de um partido político? Eu acho mal, já deixei bem claro. Você fala da UGT. Mas a questão agora é a CGTP, que acaba de mudar de líder reforçando a ligação umbilical da secretaria-geral da central à casa-mãe partidária.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 14:39

Acho bem que cada sindicato e cada central sindical tenha o Líder que democraticamente for eleito pelos seus membros. Assim como acho bem que um país tenha o primeiro ministro indigitado pelo partido, ou coligação, mais votada pelos eleitores, apesar de não concordar com a opção da maioria dos eleitores, é a democracia.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 16:46

Acha que uma central sindical em que socialistas, bloquistas, católicos e independentes todos juntos valem sempre menos do que os comunistas isolados? Por que motivo os comunistas, com maioria absoluta, não conseguem mais que 8% em eleições legislativas? Em nada o incomoda esta profunda discrepância entre a correlação de forças na central e a representação política dos trabalhadores na sociedade portuguesa? Parece-lhe bem que o líder da CGTP (primeiro Armando Teixeira da Silva, depois Carvalho da Silva e agora Arménio Carlos) seja sempre um membro do PCP? Acha sinceramente que Arménio Carlos chegava ao posto cimeiro sem receber o patrocínio directo da cúpula comunista? É capaz de me indicar um caso - um só caso - em que ao longo de todos estes anos a CGTP tenha assumido uma posição diferente da linha oficial do PCP?
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 17:06

É capaz de me indicar um caso em que qualquer dessas eleições para os sindicatos tenha sido fraudulenta ? é capaz de reconhecer que está a falar de universos de eleitores diferentes ? é capaz de dizer que nem todos os eleitores que votam para a AR, são trabalhadores sindicalizados ? é capaz de explicar porque é que as manifestações e greves convocadas pela CGTP, têm uma adesão que aponta para uma concordância com os resultados das eleições sindicais ? é capaz de reconhecer que qualquer trabalhador quando tem problemas laborais, indepedentemente da sua opção partidária, gosta de poder contar com um sindicato que o defenda e não com quem se coloca do lado contrário ? e já agora, esqueceu-se de José Luis Judas. E sabe, presumo, que na CGTP a maioria dos dirigentes é afecto ao PCP, ou à sua ideologia, porque os do PS e do PSD estão na ...UGT, por opção, quando um sindicato tem uma maioria PS ou PSD, normalmente é afecto à UGT, isto será assim difícil de perceber ?
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 17:14

Verifico, como já previa, que foi incapaz de me indicar um só caso - um só caso - em que a CGTP tivesse assumido uma posição diferente do partido que a controla. Não dizendo, disse tudo.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 17:21

Bem, eu respondi-lhe a tudo, ao contrário de si, que lança as coisas mas não as justifica, eu não disse que a CGTP tem posições divergentes das do PCP, nem isso é obigatório, as posições do PCP em matéria laboral são na defesa dos interesses dos trabalhadores, porque é que a CGTP teria que ser divergente, para lhe agradar a si ? Se for sindicalizado, tem que usar o seu direito para questionar essas posições no seu sindicato.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 17:57

Respondeu sem responder. Estou esclarecido.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 18:12

Bem, então para que entenda o que quero dizer, e não que concorde comigo, eu faço-lhe uma pergunta, e a sua resposta penso que lhe explicará, pela sua lógica, o porquê da maioria da tendencia na CGTP. Cá vai :

- Como é que explica que tendo o PCP uma implantação tão grande no meio sindical, a sua expressão na UGT seja praticamente inexistente ?


Abraço
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 18:37

Julgo que terá entendido o meu ponto de vista. Eu critico a existência de um movimento sindical - tenha a cor política que tiver - sem plena autonomia dos partidos políticos. Isto aplica-se tanto ao PCP como ao PSD, ao PS, ao CDS ou ao BE. É possível - e desejável - a existência de delegados sindicais fortes e representativos, defendendo plenamente os interesses dos trabalhadores sem servirem de correias de transmissão dos partidos. Basta mencionar, para o efeito, o exemplo da Autoeuropa.
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De Luís Lavoura a 31.01.2012 às 09:23

Não faz qualquer sentido a actual correlação de forças na cúpula da central sindical

Essa cúpula não é eleita pela base? Se a cúpula tem esta correlação de forças, só pode ser porque a base o deseja ou, pelo menos, o aceita.

Qualquer sindicato é livre de votar por uma cúpula diferente, ou de sair da CGTP. Ou não?
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:27

Não lhe faz qualquer impressão que o PCP seja minoritário em todos os sectores da sociedade portuguesa excepto na cúpula da CGTP onde dispõe sempre de maioria absoluta? Se é esse o sentido de voto dos trabalhadores por que motivo isso não se traduz nas opções políticas, eleição após eleição, com o PCP mal conseguindo descolar dos 8% (nas legislativas) ou 5% (nas presidenciais)?
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 00:56

Ou 10% nas autárquicas, sabe que a representação democrática não é exclusivamente na A.R. As eleições nos sindicatos, e na CGTP, são tão democráticas como as outras, só os resultados é que não são do seu agrado. Mas as pessoas provavelmente optam por aqueles que julgam defender melhor os seus interesses em cada situação. Ou só consideramos representação democrática aos resultados que nos agradam mais ? Não lhe faz impressão a UGT ser uma central dominada pelo PS, João Proença ser membro do PS ? Se os sindicalistas que são afectos ao PCP defendem melhor aqueles que os elegem, têm que ser impedidos de ser eleitos por pertencerem a um partido ilegal ? isso era o que defendia Salazar, mas foi precisamente nessa altura que o PCP, na clandestinidade, se organizava por células com base nas empresas, o PCP não tomou os sindicatos de assalto, desenvolveu e cresceu dentro dessa luta, o que é diferente. Lembro-lhe que a UGT é que foi artificialmente criada, mas legítimamente, para "partir a espinha ao PCP", como disse Salgado Zenha, a conselho de Carlucci. E como já alguém aqui lhe perguntou, e obviamente o Pedro não respondeu, como é que o PCP domina esses sindicatos contra a suposta, por si, vontade dos sindicalizados, e como obtem adesões às greves convocadas ?

Para terminar, o Pedro é azarado, acertou no euromilhões, mas na semana errada, fez uma previsão há 8 anos, que falhou, mas vá lá que, embora por motivos completamente diferentes dos que invocou na altura, acabou por acertar no nome. É como o Godinho Lopes, o Sporting vai ser campeão, não se sabe é quando, mas pronto, quando for, ele vai dizer que estava certo.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 13:02

Arménio Carlos, sucessor de Carvalho da Silva. Não é previsão. É um facto. Aconteceu. Estava escrito nas estrelas.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 14:54

Também lhe garanto que um dia destes vai sair o nº 10 no sorteio do Euromilhões, está escrito nas estrelas, agora se é daqui a 8 anos....isso já não sei, mas quando sair vou estar por aqui para dizer que acertei.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 16:39

Então você compara a eleição do novo secretário-geral da CGTP ao sorteio do euromilhões? Julgava que estávamos a debater coisas sérias mas já percebi que estou a perder o meu tempo.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 17:10

Não, estamos a falar de uma coisa que previu para acontecer há 8 anos, mas não aconteceu, Carvalho da Silva não saiu por divergências com o PCP, saiu 8 anos depois e quando quis, a sua previsão política falhou, acertou num dos principais quadros para o substituir, já foi bom, pronto, não se zangue, nunca se perde tempo quando se debate educadamente.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 17:13

Então e o euromilhões? Esqueceu-se agora de falar do euromilhões. Ou da Lotaria do Natal.
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De Laura Ramos a 31.01.2012 às 11:13

Excelente análise.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 16:27

Obrigado, Laura.
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De José da Xã a 31.01.2012 às 17:12

Pedro,

a CGTP (a Intersindical dos nossos velhos tempos) é assim uma espécie de maçonaria dos sindicatos. Não terá lojas obviamente, mas é de um seguidismo atroz ao PCP.

Se tivessem outra postura, quiçá mais "open mind" provavelmente teriam mais sindicatos com eles.
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De Pedro Correia a 31.01.2012 às 18:05

A falta de autonomia estratégica da CGTP em relação ao PCP desprestigia todo o movimento sindical português, meu caro. Sou o primeiro a lamentar tal facto.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 01:03

Parece-me, mas não tenho a certeza, que o que desprestigia o movimento sindical português, são as posições da UGT, especialmente esta última, mas isso acho que é só a opinião dos interessados, não obrigatoriamente a sua.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 13:03

Mal andaria a UGT se duplicasse a CGTP, que por sua vez duplica o PCP. Percebo que o meu caro Anónimo Desconhecido perfilhe a teoria leninista das "correias de transmissão" mas convém não exagerar.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 14:50

Mal anda uma central sindical que não defende os interesses dos seus associados. Prova disso foram as desastradas tentativas de justificar o injustificável, claro que isto tem sempre duas visões, aquilo que para si são posições previsíveis, para mim podem ser posições fiáveis, ficaria muito desiludido com a CGTP, se esta tivesse assinado este acordo, isso seria trair aqueles que lhe confiaram a sua representação, para isso está lá o governo.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 16:38

De uma coisa pode estar certo: a CGTP jamais irá 'trair' os interesses do PCP.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 16:53

Essa questão está mal colocada, e é tendenciosa, o que é importante saber é se quer um quer outro continuam a manter posições coerentes com aquilo que prometeram a quem os escolhe para seus representantes. Concorde-se ou não, na A.R., nas autarquias ou nos sindicatos, o que não devem nunca fazer é prometer uma coisa e fazer outra, para não serem iguais aos outros. Essa é a questão e não outra. Se as ideias são convergentes, isso é lógico, só quem não conhece a História poderá achar isso estranho.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 16:56

Tem razão: a CGTP é "coerente" com a direcção do PCP. E diz bem: a História ensina-nos muito. Nos países comunistas, invariavelmente, todo o movimento sindical foi sufocado. Veja-se o que sucedia na União Soviética, na ex-RDA, em todo o antigo bloco leste europeu. Veja-se o que sucede hoje na China. E em Cuba. Já para não falar da Coreia do Norte. De uma "coerência" exemplar.
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 17:14

Agora já vai na Coreia ? eu pensei que estávamos a falar da CGTP e do PCP, organizações portuguesas, e nas suas posições em relação à política portuguesa, se quer discutir as várias opções de diversas fações políticas, nos diversos continentes, também não me importo, mas isto vai dar "pano para mangas".
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 17:17

Falo dos países que servem de modelo ao PCP, naturalmente. Quer que fale de quê? Dos Estados Unidos?
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De Anónimo Desconhecido a 01.02.2012 às 17:23

Está enganado, além de ter misturado aí países que não têm sequer a ideologia ou o modelo económico em comum, posso lhe assegurar que o país que serve de modelo ao PCP, é Portugal.
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De Pedro Correia a 01.02.2012 às 17:43

A China, Cuba e a Coreia do Norte - países dirigidos por um partido único, comunista - não têm ideologia comum? E não são países de "sistema socialista"? Que outras referências internacionais, em termos de modelo de governo, tem o PCP ? Leu as teses que o partido aprovou no último congresso?

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