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por Luís Naves, em 05.01.20

O esforço humano anda ligado à desilusão, mas a vida contemporânea parece esquecida dessa regra. Deixou de haver tempo para as coisas amadurecerem, desapareceu a paciência e as pessoas exigem não menos do que a hipnose sublime, de preferência sem terem de pagar. Tudo é espectáculo, floreado retórico, hipérbole, ou dito de outra forma, nada é o que parece, nem na política, nem na cultura. De certa maneira, voltámos um pouco à época barroca, visualmente exagerada, mas relativamente pobre de conteúdo. As elites de então viviam numa bolha, queriam construir um mundo utópico, de cima para baixo, e adoravam fogo-de-artifício, espécie de arte vistosa que dez minutos depois se esqueceu facilmente, tal como hoje nos esquecemos da falsa realidade que preenche as nossas televisões. Com todas as suas qualidades, esse tempo acabou em desilusão, como acabam todos.


4 comentários

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De Bea a 05.01.2020 às 23:09

Pode ser que acabem todos os tempos em desilusão; se há um tempo novo é porque o anterior já não serve. Mas não são todas iguais, as desilusões que o tempo traz.
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De Manuel Gonçalves Pereira Barros a 05.01.2020 às 23:36

Olhe que náo, olhe que não!
Começar a construir de cima para baixo? E o que diria a Ordem dos Pedreiros, tão digna e antiga como qualquer outra, e sem demasiadas infiltrações políticas,achaque de muitas,podres de reconhecidas ?
O retorno do barroco? De retornados sabemos todos muito, do substrato que os animava e anima e do barroco as curvas apertadas e volutas causam defluxos...
Portanto, largueza! Vamos avançando e quem vier atrás que se vá chegando à frente, faz favor!
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De Justiniano a 06.01.2020 às 08:15

Uma reflexão que honra a palavra, caro Naves!
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De V. a 06.01.2020 às 21:37

Tal como acontece com a Idade Média, acho que há uma certa incompreensão do Barroco — sobretudo porque tematicamente recupera a metafísica (tal como o Renascimento recentra o paganismo clássico no mundo cristão) e cria a ideia de cenário e do "incompleto" na arte e é mais moderno do que o Romantismo, por exemplo. E prolongou-se nos séculos com bastante discrição (o que é sempre sinal de inteligência): Rodin, ao contrário do que afirmam as teses mais populares, nunca descartou totalmente alguns traços escultóricos do Barroco.

Quanto à ideia de que o Barroco padecia de muito artifício e alguma pobreza de conteúdo, sugiro uma investigação sem pressas sobre a Fonte dos Quatro Rios de Bernini, desde os desenhos iniciais, à relação com o Papa e a toda a mitologia ligada aos rios que vem desde o Antigo Egipto, às expectativas sobre o Novo Mundo e a toda a mundivisão daquele período que está cifrada em cada um dos lados do grupo escultórico.

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