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O teatro e o desacordo ortográfico

por João Carvalho, em 21.01.12

Não preciso de ser detetive nem ténico para contatar com os novos textos dos espetáculos teatrais e perceber que estamos no fim exato da interação entre atores e espetadores. Para os atuais diretores de teatro, ratores dos velhos princípios, as regras passaram a ser exceções e a antiga exceção é a regra atual. Confesso que não sou um adeto disto nem vou adotar este sistema de fraco impato.

· • o • ·

Felizmente, nesta casa, continuamos a dar lições diárias de bom português. Por sinal, ao contrário do que faz o serviço público da RTP todas as manhãs, dessa RTP paga por nós para se dar ao luxo de conseguir achar tantas vezes, entre uma chusma de disparates de bradar aos céus, dois modos diferentes de dizer a mesma coisa e considerar pacífica e alegremente que ambos são "bom português".

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47 comentários

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De Cristiano Bernardo a 21.01.2012 às 11:25

Nos termos do novo Acordo Ortográfico, não se escreve:

-"ténico", mas sim "técnico"
-"ratores" mas sim "raptores"
-"adeto" mas sim "adepto"
-"impacto" mas sim "impato".

É normal que possa não concordar com a nova ortografia oficial portuguesa: aconteceu sempre isso com as velhas gerações, no passado, sempre que houve lugar a novas reformas.

O que já não é normal é caricaturar a sua posição com exemplos falsos, de palavras que não mudaram.
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 14:55

A resistência a certas mudanças é natural, mas aquelas a que V. chama velhas gerações tiveram a sote de ver acordos ortográficos actualizados por linguistas e não por decisores políticos impreparados.

Quanto a não ser normal caricaturar esta e outras situações, só a si lembraria. Não é normal? Caricaturar até é uma das melhores reacções (reações) que podemos e devemos ter perante a maioria dos casos que nos consomem neste país anedótico.
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De VSC a 21.01.2012 às 16:28

O português sofreu uma mutilação pelo governo ditatorial (e maçónico) de 1911.
Até aí não tinha tido qualquer reforma.
Como não tiveram qualquer reforma ortográfica, até hoje, o inglês e o francês.
É que, quanto mais culto um país, mais estável é a ortografia. É essa a regra, não a de «reformas» de 30 em 30 anos que rege a língua.
Para exemplificar: um escritor norte-americano ou australiano de hoje utiliza a mesmíssima ortografia que Dickens usava há 150 anos. E podia-se ir mais longe, já que o inglês não muda desde o século XVII.
E Shakespeare, que contém algumas diferenças é lido, ainda hoje - em qualquer escola de qualquer pais anglófono - no original.
É no original que lêem e estudam as peças de Shakespeare os alunos do Zimbabué - país que tem um índice de alfabetização bastante superior ao do Brasil, que tantas «reformas» gosta de fazer.

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De Sidney Silva a 05.04.2013 às 02:13

Bem, não sei qual é a especialização deste sr. João Carvalho! Mas de uma coisa, tenho a certeza, em relação à língua portuguesa, ele não percebe, nem baseado no novo acordo, nem tão pouco no antigo!
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De VSC a 21.01.2012 às 16:10

Quanto mais culto e alfabetizado o país, menos a ortografia muda, o qe bem se percebe: quanto melhor o acesso à fonte da norma, menos erros.
O INGLÊS E O FRANCÊS NÃO MUDAM DE GRAFIA HÁ SÉCULOS
A Espanha mudou agora 7 ou 8 palavras (literalmente) mas o a mudança é uma mera recomendação, por uma questão de respeito para com quem usa a língua.

A ideia de «reforma ortográfica» e mais ainda a aproximação entre «escrita e a oralidade» é que são ideias completamente ultrapassadas à luz das descobertas das ciência cognitivas.
Apenas no Brasil, país com 75% de analfabetos ainda se fala desses temas que misturam com um agressivo nacionalismo linguístico.

De facto, o iniciador deste «acordo» - que é um acto colonial de inculturação e, essencialmente, um crime, foi o maçon presdiente Sarney e a coisa está a ser espalhada em Portugal via maçonaria, por via administrativa, e bem contra a vontade do povo português, o que, por si, ilustra bem o perigo das sociedades secretas nas democracias.

Quanto ao post, brinca com a tendência dos burocratas brasileiros em mutilar as sequências de consoantes, o que já provocou que o Brasil seja o único país do mundo onde se pronuncia anistia, ou indenização. Isso não corresponde a qualquer "evolução" mas a mudanças ordenadas por decreto.
E já vi escrever "contato" e semelhantes coisas em blogs de gente com licenciaturas.
O texto com os ratores está, por isso, mais que justificado. São oções que parecem agradar aos brasileiros e os veneráveis daqui estão muito interessados em fazer-lhes a vontade.

E... já agora, a ortografia é uma questão de estado em que país democrático e culto?
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De VSC a 21.01.2012 às 17:11

A nova (? pensava que era a ortografia do Brasil de 1930, velha de 85 anos) oficial (? o inglês não tem ortografia oficial. É função do estado ocupar-se de ortografia? Aqui apenas governos de ditadura mudaram a ortografia)
Quanto a isto que para aí é um tratado assinado contra os pareceres de entidades oficiais e que, passado 20 anos não foi ratificado senão por 3 países.
A aprovação de Portugal foi ordenada por Cavaco ( por telefone), o que me faz perguntar se não será mação.
Entretanto, é muito difícil que considerar que este acordo esteja em vigor: não foi ratificado por todos os estados que o assinaram - isto de acharmos que os políticos podem andar a mudar a ortografia de palavras... apenas porque sim.
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De V. a 22.01.2012 às 00:18

O João é um cristão cota?
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De João Carvalho a 22.01.2012 às 01:22

Sou um crisptão cocta...
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De Fatima a 21.01.2012 às 11:25

Técnico e adepto é o correto:)
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 14:48

Correto e afirmactivo!
:o)
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De Pudget a 21.01.2012 às 11:26

Nao podia concordar mais, mas se as pessoas desistem no seu dia-a-dia de o fazer acabam por ractificar uma ideia que e penosa parta a nossa cultura.
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 14:57

Obrigado. Concordo.
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De Luís Naves a 21.01.2012 às 13:10

Não percebo este texto. O novo acordo ortográfico tem certamente aspectos lamentáveis, mas nas palavras alteradas do texto em cima há vários erros: técnico leva "c", contactar também; impacto leva "c"; adepto leva "p" e ratores não sei o que é. Se for raptores exige o p.
As alterações não são tão extensas como parece no post. As 17 palavras deste texto supostamente alteradas pelo acordo são afinal 12.
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 15:06

Não é inteiramente verdade, Luís. Ambos sabemos que várias dessas palavras passaram a ter duas grafias, consoante a pronúncia ou sotaque seja nosso, brasileiro ou outro. Certo? Certo. Portanto, nada há a perceber, ao contrário do que o comentário refere.
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De VSC a 21.01.2012 às 16:36

Se o monstruoso acordo vigorasse teria de se saber como se pronuncia no Brasil uma palavra para podermos apurarmos se determinada grafia seria correcta em Portugal!
Um completo absurdo. Seria tempo de acabar com a palermice do «acordo» que constitui um crime cultural e um triste atestado do atraso dos países de língua portuguesa e do estado da democracia portuguesa, totalmente permeável à influência de sociedades secretas, no caso a maçonaria, que parece ter tomado em mãos a imposição do «acordo» em Portugal. Por via administrativa e em desrespeito dos os pareceres oficiais de entidades públicas portuguesas (veja-se o Parecer da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário)!!!
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De Luís Naves a 22.01.2012 às 19:29

O acordo ortográfico tem vários elementos absurdos, mas o texto em cima só tem 12 alterações, como escrevo no meu comentário. Para as cinco palavras que referi já havia duas grafias. Na realidade, não é necessário alterar.
Compreendo a irritação das pessoas, partilho dessa indignação, mas o texto de cima exagera o impacto do acordo.
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De João Carvalho a 22.01.2012 às 21:12

O texto de cima é clara e modestamente irónico, coisa que nunca esperei ser necessário explicar.
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De VSC a 21.01.2012 às 16:51

As mutilações (a que chama pudicamente alterações...) contam-se por milhares, uma extensão inédita em qualquer pais do mundo, em qualquer altura da história da humanidade.
Como se sabe, nenhum país europeu* celebrou qualquer acordo" deste género.
Essencialmente estamos perante um crime contra o património cultural infligido pelo estado aos seus cidadãos a pedido e por conta de interesses de países estrangeiros.

* O chamado «acordo ortográfico» do espanhol modifica 7 ou 8 palavras (sim, 7 ou 8) e ocupa-se de questões de nomenclatura - designação das letras, etc. Apesar disso é meramente indicativo. As «reformas» de outros países de que por vezes se fala são do mesmo género desta do castelhano.
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De Maria a 21.01.2012 às 13:38

Não sei se o texto de cores é uma paródia... É que não está bem escrito nem com acordo, nem sem acordo.

"Não preciso de ser detetive nem técnico para contactar com os novos textos dos espetáculos teatrais e perceber que estamos no fim exato da interação entre atores e espectadores. Para os atuais diretores de teatro, ratores dos velhos princípios, as regras passaram a ser exceções e a antiga exceção é a regra atual. Confesso que não sou um adepto disto nem vou adotar este sistema de fraco impacto."

Facto, impacto, contacto, adepto e espectadores mantêm as consoantes porque estas se pronunciam.

Se o texto às cores é a sério, então sugiro que se informem antes de escrever. Não questionando se se é a favor ou contra o AO, questionando apenas que se informem as pessoas de forma correta... Ou correcta, como preferir.
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 15:09

É facílimo perceber e nunca pensei que tivesse de explicar que o texto não foi escrito a sério. Sério é o assunto versado, isso sim. Acho que ambos entendemos o que está em causa.
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De Sidney Silva a 05.04.2013 às 02:18

A única coisa que não se compreende neste assunto, é o facto de o autor abrir uma discussão sobre algo, em que tenta de todas as formas, sobrepor as ideias e forma de pensar!
Não vale a pena debater um assunto, com quem não tem a mínima vontade de aceitar outros pontos de vista, que não seja o próprio!
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De macarvalho a 23.01.2012 às 10:06

De facto, apenas as consoantes mudas deixaram de existir.
Como na palavra homem, hoje e por aí fora...
Depois, há as que têm duas escritas possíveis.
Depois, as indecifráveis.
Coitada da nossa língua, até ela fica perdida.
Se olharmos para o lado, quer o inglês quer o francês não sofrem alterações há mais de um século.
Também aqui vamos de arrasto, à procura de uma uniformidade com o brasileiro que teve origem na nossa língua?
Não lembra ao diabo!
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De João Carvalho a 23.01.2012 às 10:20

Só ao diabo do Sócrates lembrava mutilar a língua por decreto.
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De Rómulo da Silva a 21.01.2012 às 14:41

Penso que grafou mal de propósito, palavras como: técnico, raptores, adepto e impacto. Porque é que é mau português escrever diretores sem o "c"? Grafar segundo novas regras é mau português? Se é assim, D. Dinis, D. Peres de Amboim ou o Papa João XIII deviam achar que Santo António era um iletrado ; estes deviam olhar com muito maus olhos a escrita de D. Duarte; Camões, Gil VIcente ou Zurara deviam ser muito mal vistos pelos admiradores do Eloquente; faço ideia o mal que estes terão dito de Damião de Góis, Fenão Mendes Pinto ou de Garcia da Horta; o que não terão vociferado estes contra a escrita de Soror Mariana, Freire de Andrade ou F. M.el de Mello; e o que terão pensado estes de Garreth, do Judeu ou do Chiado?
Dirá que literatura é outra coisa: Saramago desrespeitava muitas das regras ortográficas e foi um Nobel. Mas a ortografia de documentos oficiais, cartas particulares, diários e outros também evoluiram ao longo do tempo, sem que por isso tenham deixado de ser bom português.
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De João Carvalho a 21.01.2012 às 15:28

Como já disse noutra ocasião, resumirei a coisa assim: no passado, os portugueses não tiveram a desdita de ver os linguistas (preparados para consagrar novas escritas) substituídos por políticos decisores impreparados para o próprio exercício político e, por acrescida razão, impreparadíssimos para qualquer exercício linguístico (como facilmente se verifica todos os dias).
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De VSC a 21.01.2012 às 16:15

O que nunca aconteceu, até à «reforma» de 1911 - feita por um governo ditatorial - foi o estado intrometer-se na ortografia.
Nem isso faz parte das suas funções em qualquer país democrático e culto.
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De VSC a 22.01.2012 às 15:54

O construtivismo que este «acordo» impõe apenas é concebível em sociedades totalitárias.
A haver «reformas» ortográficas estas deviam ser, numa democracia, meramente declarativas e indicativas (como foi o Acordo da Língua Castelhana), isto é, limitar-se a reconhecerem que à data se escreve de um determinado modo e que esse é mais correcto, por ser assim que os escreventes cultos escrevem. O «acordo ortográfico não é nada disso! Cria palavras, duplas grafias, modifica outras - sem qualquer necessidade! - e quer impor tudo isso com força de lei! - contando, talvez, com o espírito pouco crítico e serviçal e «maria vai com as outras» da população e, porque não dizê-lo, com o gosto fútil pela novidade, tão típica em sociedades pouco dadas à reflexão.
Creio que, felizmente, se enganaram e que, de um modo ou outro, Portugal já atingiu um patamar que não tolera a violentação dos seus hábitos de escrita - «violentação» é o termo certo, como reconhece um conhecido acordista desavindo na questão, também escandalosa, até para quem aceite o acordo, do «vocabulário comum».
Zangam-se as comadres...
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De 12.º A a 21.01.2012 às 17:15

O que impressiona é que uma série de leitores do blogue não tenha percebido a fina ironia do «post» (ou caricatura, ou brincadeira, como lhe quiserem chamar) e, pelo contrário, tenha ficado na dúvida ou levado a sério.
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De João Carvalho a 22.01.2012 às 01:26

Pode crer. Não há pachorra.
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De Helena Sacadura Cabral a 21.01.2012 às 17:46

João tu não sabes que o país anda tão triste que já leva a sério uma rábula?!
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De João Carvalho a 22.01.2012 às 01:27

Pelos vistos. Tenho de andar menos distraído. Eheh...
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De Leonor Barros a 21.01.2012 às 19:06

Bolas. Mas não se vê tão bem que estás a ser irónico com esta treta do Acordo Ortográfico, João? Juro que não entendo esta capacidade de ler tudo de forma tão literal. Às vezes também me acontece aqui no blogue. Assumem uma brincadeira como um facto científico e vá de cascar. Respirem fundo e vejam o Janeiro de sol que temos lá fora, pode ser que ajude a ultrapassar tanta amargura.
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De João Carvalho a 22.01.2012 às 01:28

Muito bem observado, Leonor.
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De Beirão a 21.01.2012 às 19:25

É preciso, é imperioso fazer levantar no país uma uma onda de indignação contra o dito 'acordo ortográfico ', que, pobre país que não merecia estes miseráveis troca-tintas, um punhado de safados cozinhou nas costas dos Portugueses.
Abaixo a RTP, a RDP (pagas com o dinheiro dos contribuintes), os expressos, os recordes , e todas essas publicações que se deixaram abastardar, estupidamente mandando às ortigas a nossa riquíssima Língua Portuguesa .
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De Helena Sacadura Cabral a 22.01.2012 às 13:13

Já agora também debaixo!

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