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Balanço de Natal

por Ana Vidal, em 06.01.12

De todos os Natais

aquele distante

com cheiros de musgo e doçuras fritas

de subir ao céu da boca

e espelhos no presépio que eram lagos

e um trio de reis que avançava

todos os dias mais um passo

até chegar ao rei-menino

E eu sofrendo com eles a viagem

e eu oferecendo também

o meu ouro mouro

a minha mirrada mirra

o meu incerto incenso

à espera do retorno

 

De todos os Natais

aquele outro

um brilho nos olhos como nunca antes

como nunca mais

e os mais belos cânticos a nascer todos de mim

e o poder do mundo na minha mão

porque um outro menino

só meu ainda

se agitava na sua concha

o meu íntimo mar

 

De todos os Natais

o que virá um dia

quem sabe um dia

Aquele que me falta

para dizer Natal

sem dizer Eu

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25 comentários

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De Patrícia Reis a 06.01.2012 às 18:46

Querida Ana. Se estivesses aqui dava-te colo, assim mando-te um beijo virtual:)
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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 18:47

Deste-me colo, pronto. Beijo!
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De Leonor Barros a 06.01.2012 às 18:53

Muito bem, Ana.
É-nos sempre tão difícil não dizer 'eu'.
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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 19:04

É mesmo, Leonor. Não vivemos sem as nossas memórias, mas o Natal devia ir muito para além delas.
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De Leonor Barros a 06.01.2012 às 19:16

Não sei. Todos nós somos memórias e memória. Já leste De Profundis - Valsa Lenta do José Cardoso Pires? Sem memória não há afectos.
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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 20:42

Já li, sim, e gostei muito. Claro que a memória é fundamental, só digo que o Natal não devia centrar-se em nós.
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De fernando antolin a 06.01.2012 às 18:53

" Tomado " a David Mourão Ferreira e dedicado ao meu Pai,que já deixou vago o tal lugar e fazia anos ... no dia de Natal...

"...Ladaínha dos Póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito ..."

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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 19:02

Fernando,
também gosto muito, muito, desse poema do David.
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De Rita Vasconcellos a 06.01.2012 às 20:14

bonito Ana
bonito
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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 20:42

Obrigada, Ritinha.
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De Ivone Mendes da Silva a 06.01.2012 às 20:48

Bem, Ana ... muito bom. Muito bom.
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De Ana Vidal a 06.01.2012 às 23:58

Ivone, gosto que gostes. :-)
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De macarvalho a 06.01.2012 às 21:08

Muito, muito bonito, Ana.
Muito difícil não dizer "eu", é verdade.
À medida que vamos "crescendo", cada vez mais aprecio "os outros", penso menos "eu", sou mais memórias e alimento o prazer e o carinho dos que me são queridos.
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De Ana Vidal a 07.01.2012 às 00:00

Isso é muito sábio e muito bonito, Alexandra. Eu estou a anos-luz desse ponto, mas espero lá chegar um dia. :-)
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De joaov a 06.01.2012 às 22:59

O botão "gosto" é um absurdo, faz-me comichão. Contudo agora fez-me falta porque nada consigo comentar embora tenha gostado muito.
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De Ana Vidal a 07.01.2012 às 00:06

João, sempre querido. Gosto muito de saber que me lês, e que gostas do que lês. Obrigada.
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De Leitor de poesia a 07.01.2012 às 12:25

Absolutamente maravilhoso, este poema de Natal. O meu querido amigo Mourão-Ferreira não teria feito melhor. Parabéns.
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De Ana Vidal a 07.01.2012 às 16:16

Muito obrigada, Leitor. O seu amigo é autor da melhor colecção de poemas de Natal que eu conheço, por isso é ainda mais gratificante ler essas palavras.
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De Laura Ramos a 08.01.2012 às 20:08

Continua, continua, que boa síntese: a pele de muitos Natais. E outros por vir.
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De Ana Vidal a 08.01.2012 às 21:11

Podia estar aqui a pele de muitos outros, dos meus. Mas eu quero um que não seja "dos meus"...
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De Laura Ramos a 09.01.2012 às 00:39

Justamente... outros por vir... Eu hei-de passar um na rua.
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De Ana Vidal a 09.01.2012 às 01:15

Tem graça que digas isso. Nos últimos anos tenho pensado fazer isso mesmo (uma vez, pelo menos), mas ainda não ganhei balanço. Talvez no próximo ano... combinamos?
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De Laura Ramos a 09.01.2012 às 02:01

Na maior. Há muito tempo que ando a pensar nisso. Quando 'os meus' deixarem (já faltou mais). Encontramo-nos na esquina de.... ?
:)
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De s a 10.01.2012 às 16:19

Hoje passei por aqui, por acaso e vi-te! Tinha saudades da tua poesia. Cada vez melhor.


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De Ana Vidal a 12.01.2012 às 12:10

Olá, S., welcome back.
É raro eu pôr poesia minha aqui, abri uma excepção para o Natal.

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