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EDP

por José António Abreu, em 22.12.11

Bom sinal, o dado pelo governo ao escolher a Three Gorges como vencedora do processo de privatização dos 21,35% da EDP. Já é tempo de, em Portugal, se usarem apenas critérios financeiros nestes processos (ou não se vende ou vende-se pela maior oferta). Para mais, na situação em que nos encontramos qualquer escolha garantindo uma receita inferior seria incompreensível. O governo teve sorte num aspecto: a proposta da Three Gorges era claramente a mais forte, o que, para além de forçar o PS a declarar-se de acordo com a decisão, deverá permitir evitar irritações excessivas dos derrotados e dos líderes dos países dos derrotados. Mas o governo também terá tido azar: uma proposta vitoriosa da alemã E.On permitiria obter ganhos políticos superiores a nível europeu (uma Alemanha com interesses múltiplos em Portugal talvez fosse mais renitente em expulsar-nos do euro ou mesmo em obrigar-nos a implementar medidas demasiado gravosas para a economia) e, dentro de alguns meses, a provável vitória de outra empresa chinesa no processo  de privatização da REN não constituiria problema. Porém, caso a E.On vencesse, dificilmente chineses e brasileiros (com Dilma à cabeça) acreditariam que a decisão fora tomada apenas por critérios financeiros. E, quanto à REN, cada coisa de sua vez. Para já, ignorando o detalhe da China estar longe de ser uma democracia (não gosto da ideia, confesso, mas, falidos e com tanto capital de outros países não democráticos – de Angola, por exemplo – já a circular por aí, valerá a pena inventar pruridos?), o governo fez bem.

 

Nota: a Secretária de Estado Maria Luís Albuquerque merece uma menção. É directa, clara e credível. Já o tinha demonstrado antes, julgo que na sequência do processo de privatização do BPN, voltou a fazê-lo hoje.


4 comentários

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De Mephistos a 23.12.2011 às 00:19

O que mais me espanta é que um programa de privatizações venda uma fatia desta dimensão uma empresa, pública... pequeno pormenor em face dos "prémios monstruosos" de 5 e 6% em relação aos outros interessados, que por acaso são empresas privadas, sedeadas em países democráticos, mas também será um pormenor o Estado alienar 21% da EDP a um governo gerido por um comité central. Meu Deus, ao que havíamos de chegar.
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De José António Abreu a 23.12.2011 às 09:31

Eu também não gosto mas a aplicação de critérios políticos que excluíssem com base nesses factores seria muito difícil de defender na situação em que nos encontramos, ainda para mais quando várias empresas portuguesas já são parcialmente detidas por empresas de países com regimes ditatoriais, afastaria os chineses que, infelizmente, são quem tem dinheiro disponível, e condicionaria as ofertas para as próximas privatizações - se concorrentes europeus e americanos soubessem que os chineses não tinham hipóteses, poderiam avançar com propostas mais baixas (é verdade que também há o risco de já nem irem a jogo mas logo se verá).

Mas concordo em absoluto com a sua última frase.
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De Luís Lavoura a 23.12.2011 às 11:50

Excelente post. Vou transcrever (excertos) no meu blogue.
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De José António Abreu a 23.12.2011 às 13:58

Obrigado. E à vontade. Mas mantenha-lhe as consoantes mudas... ;)

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