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Crowding out

por Rui Rocha, em 03.12.11

Um galambista muito galamboso criou uma galamba que nem o melhor desgalambista conseguia desgalambar. Assim foi galambando, num doce galambar. E enquanto galambava, cantava canções de engalambar: galambas tu e galambo eu, galambas tu mais eu e galamba que galamba e torna a galambar. E assim galambando, fez-se galambeiro. E logo outros galambistas começaram a galambar. Com tantos galambistas, era ver qual deles galambava mais e, se virmos bem, todos galambavam por igual. E galamba que galamba e torna a galambar. E se o galambeiro galambava como galambava e os outros galambistas galambavam como ele, ali se formou um belo galambal. E galambas tu e galambo eu, e galambas tu mais eu. Havia nesse galambar coisas de esgalambar. Quanto mais o galambeiro galambava mais os galambistas galambavam com ele. E todos juntos galambando, foram ao parlamento galambar: a galambice é uma loucura que nem o melhor desgalambeiro consegue curar e galamba que galamba e torna a galambar. Um desgalambeiro veio e outro desgalambeiro também. E ao galambeiro não o desgalambava ninguém. E galamba que galamba e torna a galambar. E mais outro veio e o galambeiro a galambar. Um dia chegou o Governador do Banco de Portugal e o galambeiro foi ao ar.

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29 comentários

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De lucklucky a 04.12.2011 às 00:35

Já tinha colocado aqui noutro tópico mas em 1897 os Socialistas sabiam o que era o crowding out:

“O juro em Portugal mantem-se alto; a taxa do desconto no Banco de Portugal, actualmente de 5 1/2 por cento,(Novembro de 1897.) tem sido normalmente de 6 por cento, nunca descendo abaixo de 5; para a industria não se obtem dinheiro senão acima de 6 por cento; e para a agricultura, em geral, a 10 e mais por cento. A razão d’esta alta permanente do juro é principalmente a concorrencia desastrosa que os governos desde 1851 sempre fizeram ao commercio, á industria e á agricultura, levantando emprestimos a trôco de um juro attrahente e largamente remunerador. Rendimento de facil recepção e bem garantido, na opinião do vulgo, era preferido por todos que dispunham de alguns capitaes e que tinham por ideal uma vida tranquilla sem canceiras e sem cuidados. Entretanto, privadas de capitaes, que só obtinham com juro exorbitante, a agricultura definhava e a industria difficilmente luctava para viver.”

BIBLIOTHECA POPULAR DE ORIENTAÇÃO SOCIALISTA

A Dissolução do Regimen CAPITALISTA

Teixeira Bastos 1897

http://www.gutenberg.org/files/24701/24701-h/24701-h.htm

Claro que em 1897 os Socialistas também protestavam contra o excessivo funcionalismo, existência de défices entre outras coisas hoje ditas "ideológicas" e ultra neoliberais como se pode ler no link.
Eram uns incivilizados merceeiros!
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De Isabel T. a 04.12.2011 às 10:36

,como sempre.
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De Tiro ao Alvo a 04.12.2011 às 12:43

Hoje, no Jugular, o Galamba dá uma espécie de resposta ao Carlos Costa, deixando publicar uma série de comentários a apoia-lo, presumivelmente de alguns seus camaradas, sem ninguém a contraria-lo, coisa que que parece ser o seu critério - comentários desfavoráveis, delete com eles.
E digo por ainda ontem lhe mandei este comentário que ele mais uma vez ignorou:
Vou repetir o comentário que fiz ontem, dia 2, para ver se o amigo é capaz de ouvir quem não partilha dos seus pontos de vista, ou se o Dr. Carlos Costa tinha toda a razão quando lhe chamou ignorante.
Você julga-se um génio, amigo. Aquela sua conclusão de que a evolução da Irlanda "parece desmentir a teoria de crescimento pressuposto nos programas de ajustamento que estão actualmente em curso nos países periféricos" é um achado, assim como é de mestre a sua conclusão de que "a Irlanda já está a crescer, mas este resultado não tem qualquer relação com o actual programa de ajustamento", para depois nos vir dizer que o ajustamento "é explicado, isso sim, pelo facto do sector exportador irlandês valer 90% do PIB. O 'sucesso' irlandês é, pois, explicado por aquilo que a Irlanda é, não por causa daquilo que está hoje a fazer".
Você mistura verdades de La Palisse com tonturas. Então esta de que "a Irlanda cresce apesar do programa que está a implementar, não por causa deste", é de antologia. Não por causa deste? Os irlandeses são umas bestas, não reparou o amigo que é isso que nos está a dizer? E a dizer-nos que os seus correligionários do PS são uns tontos, pois nunca deveriam ter pensado nos PECs, nem no acordo com a Troica. E que os actuais governantes são ainda piores e que, no meio disto tudo, o único inteligente é o amigo. Caramba! É de mais!
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De José Luiz Sarmento a 04.12.2011 às 16:33

O jogo de palavras é muito engraçado - até eu me ri - mas vamos a factos.

Discutia-se no Parlamento a questão da emissão de moeda pelo BCE. Qualquer político realista sabe que o BCE não pode continuar por muito tempo a ser um caso aberrante entre os Bancos Centrais do resto do mundo. Não pode ter como missão exclusiva a estabilidade monetária prescindindo das outras duas pernas do tripé: promover o financiamento da economia real e contribuir para o combate ao desemprego. Temos assim que o Ministro da Economia e o Governador do Banco de Portugal são, na sua qualidade de políticos, irrealistas.

Segundo: qualquer economista competente sabe que a estabilidade monetária tanto consiste na ausência de inflação como na ausência de deflação. A inflação é causada, entre outros factores, pela emissão de moeda em demasia; a deflação pela insuficiente emissão de moeda. O nível óptimo de emissão de moeda é o que leva à activação plena dos factores de produção instalados. Qualquer economista competente sabe que o problema económico da Europa - económico, realço, e não financeiro - é, neste momento, o excesso de capacidade produtiva que não é utilizada por falta de liquidez. Ou seja: na conjuntura actual, tudo o que uma emissão massiva de moeda por parte do BCE faria seria conter a deflação nas periferias europeias e provocar no centro níveis de inflação perfeitamente suportáveis. Seria bom que o Governador do Banco de Portugal e o Ministro das Finanças português se preocupassem um pouco mais com o perigo de deflação em Portugal e um pouco menos com o perigo de inflação na Alemanha.

Qualquer economista que saiba um pouco de História Económica tem obrigação de não confundir a Alemanha de 1923 com a Alemanha de 1933. Agitar o papão da hiperinflação, como o fez Vítor Gaspar no Parlamento, para justificar as políticas de austeridade que nos são impostas é isso mesmo: agitar um papão. E agitar o papão do crowding out sabendo, como qualquer economista competente sabe, que ele não se aplica à conjuntura presente nem na UE, nem nos EUA, é totalmente descabido. Não é João Galamba que precisa de estudar melhor o conceito de crowding out (incluindo as muitas e autorizadas objecções que tem suscitado), mas sim o Ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal.

Temos então que estas duas personagens são, não só irrealistas enquanto políticos, mas também incompetentes enquanto economistas.

De onde lhes vem a incompetência? Da falta de qualificações e de currículo não é, com certeza. Ambos têm currículos impressionantes, tanto do ponto de vista profissional como académico. O currículo profissional foi feito no sector financeiro, é certo, e o académico em escolas onde a pureza ideológica tem sido desde há décadas a preocupação dominante, conduzindo a purgas e saneamentos. Em vez da rasoura de Occam para aferir a realidade recorre-se, para usar a metáfora feliz de Paul Krugman, à construção de epiciclos cada vez mais complicados. E aqui está a resposta à pergunta que abre este parágrafo: a incompetência profissional destas criaturas decorre do seu fanatismo ideológico e dos seus compromissos com o poder financeiro.

Irrealistas enquanto políticos, incompetentes enquanto académicos, fanáticos enquanto ideólogos, corruptos enquanto profissionais, estes homens têm tanta autoridade para mandar João Galamba estudar o que entendem por "economia" como para o mandar estudar astrologia, que é outra "ciência" tanto mais falsa quanto mais exacta.
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De lucklucky a 04.12.2011 às 17:46

Mais uma vez temos de sofrer com a novel Teoria da Inflação para o Crescimento.
Despejar notas faz crescer.
A esquerda obcecada com dinheiro.

Ao José Luiz Sarmento :
Para começar o dinheiro todo despejado em Portugal, Grécia, Espanha, ou na Inglaterra, ou em França ou nos EUA ou, ou na última década deu que crescimento?
Os Estímulos de 2008 até hoje mais o QE e as intervenções do BCE deu em quê?

Só agravou o problema.

Mas mesmo de frente à realidade não aprendem.
Escolhem sempre o caminho mais fácil onde não têm de fazer perguntas difíceis sobre a sociedade assistencialista que formou gente pouco competente e incapaz que ajudaram a criar.

E aí está o que não querem enfrentar.
A produtividade.
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De José Luiz Sarmento a 04.12.2011 às 18:51

A teoria da inflação virtuosa não é nova, já vem de longe. Hoje é defendida por Paul Krugman, entre outros economistas de primeiríssimo plano.

A teoria da austeridade para o crescimento também vem de longe, mas nunca deu outro resultado que não fosse a catástrofe: na Alemanha, por exemplo, entre 1930 e 1932, serviu de base às políticas de Heinrich Brüning, o Chanceler da Fome, que baixou salários, despediu funcionários públicos, restringiu as funções do Estado, criou o pânico nas classes médias e baixas, presidiu a uma era de deflação e abriu deste modo o caminho aos nazis.
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De Teresa Ribeiro a 05.12.2011 às 01:18

Resumindo: o galambinha, galambão, foi parar ao meio do chão :)))))

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