por José António Abreu, em 30.11.11
Antes quase não se discutiam decisões governamentais de centenas de milhões de euros com impacto ao longo de décadas. Agora discutem-se ferozmente
alugueres operacionais de viaturas de oitenta e seis mil euros. Proclama-se que deviam ser anulados. Apesar de resultarem de contratos assinados pelo anterior governo, culpa-se o actual. O Ministro (que se enreda ao procurar explicar-se; note-se como Zorrinho preserva o orgulhoso silêncio que tão bem resulta por cá) devia demitir-se ou, no mínimo, voltar a andar de
scooter (não está claro se poderia manter o motorista mas provavelmente Mota Soares preferiria guiar a ter de seguir abraçado a ele). Fazendo voo rasante sobre o pormenor de que, a começarmos a anular contratos, a posição correcta deste seria a uns dois quarteirões do início da fila (ah, os das PPP e os do sector energético e outros igualmente insignificantes...), percebe-se a comoção: uma coisa é
investimento, ainda que direccionado para empresas amigas e catastrófico para as contas públicas; outra coisa são
luxos. E oitenta e seis mil euros acaba por ser um valor muito mais ao alcance da compreensão da maioria das pessoas.