Bom dia Pedro. Há uma coisa que não compreendo... então este governo, depois de dizer que iria desistir do tgv, não declarou publicamente que, afinal, seria para avançar (o que provocou, certamente, uma ejaculação precoce no deputado CAA)? Como ficamos? E para avançar não são necessários estudos e projectos? Outra coisa, o Pedro é contra as "gorduras" certo? Então também será contra os perdões, como os do negócio dos Pandur, ou dos submarinos (que vão dar um enorme jeito para evitar as manif's do exército de indignados, desempregrados e pobres que este governo está a criar), ou contra as negociatas do BPN/SLN, ou contra a Parque Expo (a Ministra Cristas tinha afirmado ser para extinguir, mas depois manteve-e aberta com um boy do CDS na presidência), ou contra o aumento da despesa em administradores da Caixa Geral (com boys, claro). Ou contra os aumentos do dinheiro a dar às escolas privadas (que já recebem balúrdios em propinas) em contraciclo com os cortes no ensino público (o que consusbtancia uma desigualdade brutal entre pobres - nas escolas públicas, sem dinheiro para meios e para pagar aos melhores professores, que vão para o privado - e ricos, que têm dinheiro para as propinas e têm os filhos em escolas de luxo à nossa conta), certo? Ou contra os aumentos de vencimento de assessores, em contraste com os cortes em quem ganha menos? Ou a manutenção de subsídios para quem ganha mais (deputados, funcionários do Banco de Portugal e da CGD) em contraste com os cortes para quem ganha mal, muito mal. Também é contra estas "gorduras", certo?. E já não falo nas injustiças, ficando-me pelos double standards de quem tem a enorme lata de vir escrever e dizer coisas destas, gozando com quem irá passar fome para sustentar os amigos e quem já tem muito.
Cumprimentos.
Já agora, o Pedro escreveu em tempos, aqui no DO, que discordava que Sócrates tivesse assessores pagos para fazerem campanha nos media, nomeadamene blogues, pelo governo. Também é uma gordura certo? Então como justifica que o Ministro Relvas tenha tantos assessores, muitos contratados a jornais (os memos jornais que fizeram campanha a favor do PSD antes da eleições, que coincidência) e blogues, pagos para andarem a defender a sua dama? Não será isto uma gordura? Certamente que poupava mais uns euritos aos pensionistas e aos funcionários públicos que ganham o salário médio...
Lamento, mas você acordou tarde de mais para a indignação contra as "gorduras do Estado". Não me lembro de um só texto seu escrito entre 20 de Fevereiro de 2005 e 5 de Junho de 2011 sobre o tema. Durante o governo Sócrates, corajosamente, manteve a viola no saco. O seu espírito crítico só despertou a 6 de Junho deste ano.
Atreve-se você a falar em 'double standards'. Eu dou-lhe um excelente exemplo de 'double standard' citando-lhe um autor que deve conhecer bem.
Ricardo Sardo, 24 de Novembro de 2010, escrevendo no blogue Legalices sobre a greve geral contra o Governo PS:
«A greve deixou de ser praticada pelos fundamentos com que foi criada. A sua ideologia foi subvertida pelos sindicatos que deixam de ser defensores dos trabalhadores para serem meros veículos de propaganda de partidos e meio de oposição aos governos, à custa, claro, dos que supostamente representam. A greve passou a ser um meio de chantagem, em que as vítimas são terceiros, inocentes. Como não conseguem prejudicar o Estado, prejudicam os cidadãos. (...) Hoje fiquei em casa a trabalhar. Estou a fazer greve à greve.»
Ricardo Sardo, 24 de Novembro de 2011, escrevendo no blogue Legalices sobre a greve geral contra o Governo PSD/CDS:
«Concordo que a greve de hoje tem toda a razão de ser. Nunca existiram tantas razões para reclamarmos contra as medidas governamentais.»
Não lhe reconheço, portanto, qualquer autoridade moral para se pronunciar sobre o tema, sobretudo nos termos grosseiros em que se pronuncia agora - você que sempre foi tratado com educação e urbanidade nesta casa.
E ficamos conversados.
Caro Pedro, certamente que se enganou no comentador a responder. Vamos por partes.
1. Começa por escrever que "acordei tarde de mais para as indignações contra as gorduras do estado" e acrescenta que não se recorda de um só texto meu entre 20 de Fevereiro de 2005 e 5 de Junho de 2011 sobre o tema. Pois bem, deixo aqui alguns links de textos em que critiquei decisões e medidas do anterior governo, nomeadamente em torno das agorachamadas "gorduras":
- http://legalices.blogspot.com/2008/08/o-legislador-tuga.html
- http://legalices.blogspot.com/2009/04/mais-um-excelente-diploma-legal.html
- http://legalices.blogspot.com/2009/12/razao-de-sermos-um-pais-atrasado.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/02/big-brother-fiscal.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/05/notas-breves.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/07/taxas-de-justica.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/05/notas-breves_30.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/09/o-estado-de-ma-fe.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/10/ate-me-comove.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/10/como-controlar-o-defice-2.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/11/notas-breves.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/11/nao-aprender-com-os-erros-dos-outros.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/02/o-estado-burlao.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/03/o-verdadeiro-problema.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/03/teoria-invertida-de-robin-hood.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/04/origem.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/05/que-miseria.html
- http://legalices.blogspot.com/2011/06/mais-sucata.html
Como vê, textos a criticar o anterior governo não faltam. E se seguia o Legalices, sabe que apenas começei a comentar política há relativamente pouco tempo, pelo que não encontra nenhum texto sobre política nos primeiros meses de blogue.
2. Mas, para além de criticar o anterior governo, cheguei também a elogiar Passos Coelho e o PSD, antes de começar a perceber as suas verdadeiras ideias para o país e medidas que viria a tomar. Eis um exemplo:
-http://legalices.blogspot.com/2010/04/evolucao.html
Simplesmente apercebi-me do que aí vinha (mais do mesmo) antes das eleições, ao contrário de muitos que já confessar arrependimento por terem votado PSD...
3. Cheguei, também, a concordar e a elogiar (fazendo links) para textos seus ou de colegas seus quer aqui no DO quer no Albergue Espanhol:
- http://legalices.blogspot.com/2010/05/sociedade-doente.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/09/origem-do-defice.html
- http://legalices.blogspot.com/2010/11/greve-greve-2.html
Ou seja, como pode ver, essa de ter metido a viola no saco não pega. Mais atenção e teria acompanhado as minhas opiniões sobre o anterior governo. E espírito crítica nunca me faltou, bem pelo contrário.
4. Deu o Pedro um exemplo se uma suposta contradição minha, acusando-me de me atrever a acusá-lo de ter double standards. Ora, já que estamos de boa fé, fica o segundo texto (o deste ano), para as pessoas lerem-no no contexto em que foi escrito e não no contexto do escerto que o Pedro aqui transcreveu:
"Nunca fui adepto de greves (há precisamente um ano, aquando da última greve geral, escrevi isto, que poderia repetir hoje), apesar de defender a sua existência, como direito fundamental. Talvez por ser utilizada para fins político-partidários e não para defender os trabalhadores, suposto motivo da sua realização. Mas considero que a de hoje tem toda a razão de ser. Sucede que, agora, já ninguém acredita nos sindicatos e nas suas razões para protestarem. É a estória de Pedro e o Lobo... Mas, voltando ao ponto da sua justificação, nunca existiram tantas razões para reclamarmos contras as medidas governamentais. Eu, como já aqui expliquei por mais do que uma vez, o Estado ainda não me pagou nada este ano, pelo patrocínio oficioso. Mas paga (mais) aos amigos dos grandes escritórios de advogados, por um trabalho bem menos necessário e relevante do que o oficioso. E esta será a principal imagem deste governo, tirar aos pobres para dar aos ricos. Exemplos já aqui tenho deixado vários."
5. Em 26 de Julho escrevi um texto sobre as posições do Pedro e fica o link (http://legalices.blogspot.com/2011/07/coerencia.html). Lamento é que considere as minhas palavras grosseiras (cont.)
(cont.) Para mim, ser-se grosseiro não é dizer as verdades, com factos, por muito que doa a quem as ouve ou lê. Grosseiro é, por exemplo, tirar a quem pouco tem para dar a quem já muito tem e dizer que tal é necessário e justo. Ou dizer uma coisa e fazer o contrário. Mas, lá está, é uma questão de moral. E ética. Ou se tem ou não se tem.
Por último, o Delito de Opinião há muito que é o melhor blogue nacional. Não é um ou outro texto em concreto que me farão mudar de ideias. E uma das razões de o considerar o melhor é precisamente a urbanidade e a educação e fair play com que acolhem todos os comentadores. Lamento, pois, que o Pedro tenha encaixado o meu comentário como grosseiro e de ter respondido como o fez, em vez de analisar os factos e os dados que aqui trouxe. Isso, sim, seria um discussão relevante e importante. Limitou-se a tentar descortinar uma contradição minha, que não existiu. É pena.
Cumprimentos.
Ricardo Sardo, vou ser rápido, porque o Pedro Correia não precisa de escudeiros e porque esta minha interferência deve ser entendida apenas como pessoal.
V. destila considerandos que, para os menos atentos, podem confundir-se com classificações que quer atribuir a algumas pessoas em concreto. Por me cheirar que V. tem a pretensão de atingir o carácter deste ou daquele e que pode ter tentado dirigir-se a pessoas de boa-fé e de quem sou particular amigo, deixo-lhe aqui o meu repúdio. Aliás, espantado pela insolência, pois já tivemos várias trocas de opiniões no DO em que V. há-de reconhecer que foi tratado com todo o respeito. Aconselho-o a acalmar-se, portanto.
João, como tive oportunidade de escrever na resposta ao Pedro (escrevi antes do comentário do João, mas foi publicado apenas depois), lamento que o Pedro tenha interpretado mal as minhas palavras. Acredite que, se quissesse fazer ataques pessoais, daria por isso. As críticas que fiz - e mantenho - são ao governo e às suas medidas. E que são o contrário do que o Pedro tem escrito ao longo destes anos. Se o Pedro defende uma coisa, como explica que integre um governo que faz o seu contrário? E exemplos há muitos (limitei-me a dar alguns no primeiro comentário). A única critica que faço ao Pedro é esta. Se isto é ser-se grosseiro, então sou grosseiro e assumo-o sem rodeios. Não sei é como classificará as palavras de bloggers conotados ao PS e que têm tratado o Pedro de uma forma, essa sim, rude e abusiva. E penso que saberão do que (e de quem) estou a falar...
É o próprio João que reconhece já termos trocado várias vezes de opinião, muitas delas concordantes. Dessas vezes, fui grosseiro ou mal educado? O meu estilo sempre foi o mesmo. Sem papas na língua, mas respeitando sempre os limites da decência, ao contrário de muitos bloggers por essa blogosfera fora.
Espero, de uma vez por todas, ter deixado bem claro que ataco políticas, acções, medidas e não pessoas. E faço-o com dados e factos. Tenho pena é que o Pedro não tenha respondido aos dados que apresentei no primeiro comentário, como o TGV...
Cumprimentos.
PS: tenho amigos ligados a vários partidos e com as mais variadas ideologias e todos já tivemos grandes discussões e debates. Mas a amizade sempre se manteve por cima. Não será uma contradição do Pedro ou algumas palavras mais azedas que me deixarão, como já escrevi, a desgostar do DO e cá vir todos os dias. E a comentar, a trocar opiniões ou a criticar.
Exactamente: é bom ter «amigos ligados a vários partidos e com as mais variadas ideologias». Eu tenho alguns, muito próximos, agora ligados por este ou por aquele modo ao actual Governo. Este não será perfeito, mas eles não poderão responder-lhe à letra por motivos que são óbvios. É mais uma razão para a minha solidariedade, visto que eu não sou e nunca fui independente ou equidistante, quando se trata de amizade, valor que coloco no patamar da lealdade. Fico-me por aqui.
João, bem sei que o Pedro está limitado, mas foi o Pedro que trouxe o assunto aqui. Compreendo que seleccione e linque apenas as notícias que digam respeito ao anterior governo e omita as negativas para o actual. O contrário é que seria de estranhar. Mas se não pode discutir livremente os assuntos, então porque os trás aqui? Mas há questões - e aproveito para recentrar a discussão no tema do post - que não posso deixar de colocar, como por exemplo:
1. Este governo é a favor ou contra o TGV? E, se é a favor, não acha que são necessários (ou foram, quando o projecto foi lançado) um planeamento cuidado, que passa necessariamente por estudos e pareceres?
2. Comparando esta "gordura" com, por exemplo, o orçamento para 2012 para estudos e pareceres (101 milhões de euros, mais do que o orçamento de 2010, aprovado pelo governo PS), não será exagerado insinuar que 15 milhões é muito, mesmo que dividido em 4 anos?
3. Comparando este valor (14,6 milhões) gasto em quatro anos num projecto com o impacto que todos sabemos ter, não será insignificante se comparados com os milhões que o governo (este e anteriores) gasta com grandes escritórios de advogados num só ano (e alguns em pareceres e serviços duvidosos)?
Cumprimentos.