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A terceira ilha

por João Carvalho, em 27.11.11

A 1 de Abril (é verdade) de 2009, tive de mudar-me para Angra do Heroísmo, transferido para a Terceira por motivos de trabalho. Logo nessa noite tive uma experiência "agitada". Aproveitei o primeiro fim-de-semana para um reconhecimento pelas redondezas e registei então as primeiras impressões, recuperadas para trazer agora aqui.

 

 

Recém-chegado, sou sacudido na primeira madrugada por uma inesperada "comissão de recepção": 4,8 na Escala de Richter. E tinham-me dito que não há agitação nesta terra tranquila! É verdade que ninguém se agitou. Nem eu, não sei explicar porquê. É como se nada de mal pudesse acontecer, mas não sei explicar.

É o primeiro domingo aqui. Abro a porta e sinto o sol brilhante da manhã de Primavera. Não sigo o caminho curto e estreito em cimento do jardim: cruzo deliberadamente a extensão envolvente de relva rumo à garagem, a sentir os sapatos afogados na verdura, enquanto o cheiro do mar a dois passos se junta aos aromas que crescem e o chilrear dos pássaros ensaia o concerto matinal. Paro a olhar para a árvore solitária, a meio da sebe de ibiscos que protege a frente dos olhares alheios: pardais empoleirados aos magotes; saltitantes no relvado, em contraste negro, vários melros e estorninhos partilham comigo o sol ameno.

Deixo o portão e conduzo lentamente pela estrada marginal. Atravesso a quietude da cidade que foi outrora a capital heróica do arquipélago e continua a ser sede do bispado desde tempos remotos. Bispo de Angra e dos Açores — é a designação histórica mantida até hoje.

Já nos arredores, bovinos preguiçosos ruminam lentamente, ao ritmo da natureza que regressa nesta estação do ano. Molduras de basalto negro dividem campos e pastagens em cambiantes infinitos de verde.

De quando em vez, um avião ou um helicóptero quebram o sossego no ar, indicando que há vidas movimentadas noutro ponto afastado da ilha que não pertencem a esta vida serena. A base aérea recorda que estou ligado ao mundo, nestes mares perdidos, mas não cabe no que absorvo.

Sem perder a estrada de vista, deixo o olhar deslocar-se, em intervalos, para lá das duas bermas. As molduras basálticas estendem-se pelas planícies e encostas, entrecortadas por bosques densos de mistérios.

Ainda vou ter de habituar-me a isto, conhecer os cantos, entender o que me rodeia. Mas uma coisa é certa: não faltam boas razões para me sentir bem.

 

 

Não é a primeira ilha em que me instalo para ficar nunca-sei-até-quando: a minha primeira ilha foi a Taipa, em Macau.

Nem sequer é a segunda ilha onde fico: a minha segunda ilha foi São Miguel, que acabo de deixar para trás, já com saudades.

Faço inversão de marcha e regresso a Angra com um dado já adquirido: esta é a minha Terceira...


46 comentários

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De David Costa a 27.11.2011 às 16:03

Parabéns pelo texto e pelas imagens. A incerteza e o risco são condições de vida acrescidas, nas ilhas. A vida na Terceira oscila entre o risco e drama dos abalos e a beleza das suas paisagens e o folguedo das suas gentes desafinado dessa maneira a Natureza que nos vai "consumir".
Boa estadia na Terceira.
Saudades. Vive lá 2 anos.
Abgraço
DC
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 17:05

Obrigado, David. Vale realmente a pena.
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De Luís Reis Figueira a 27.11.2011 às 16:15

Lindíssima. Esta conheço-a eu bem (eheheh) e, pese embora a minha curta passagem por ali, dado o seu pequeno tamanho, pode-se-lhe dar uma vista de olhos geral num par de dias. Também tive a sorte - devo referi-lo - de ter tido um anfitrião/cicerone que conhece bem os cantos à casa e que, como tal sabe bem orientar um, como eu, turista acidental. Angra é uma cidade lindíssima, muito bem conservada e recuperada após o grande terramoto de há vários anos. No 'campo', a paisagem é verde, verde, verde, como nos 'demais' Açores, a água do mar agitado, azul, límpida e fresca é um regalo, e a gastronomia é sempre um gosto para ver e apreciar. Os "Impérios" que se encontram disseminados por toda a ilha, são na sua maior parte uma loucura de formas e de cores berrantes que, precisamente naquela altura, fervilhavam de agitação, com bandas a tocar, oferendas e festejos em honra das solenidades do Espírito Santo. Fazia 'bom tempo no canal', de modo que, lá muito ao fundo, difusamente, pude vislumbrar a comprida ilha de S. Jorge que 'tapa' o Pico, mais a sul. Foi a minha primeira vez na Terceira, mas espero que não tenha sido a última. Não se esquece facilmente este bocado do paraíso, digo-vos. Recomendo-a vivamente, e então se conseguirem ter na Terceira um cicerone de primeira, como eu consegui, então é mesmo uma 'primeirinha', posso-vos garantir.
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De macarvalho a 27.11.2011 às 16:56

Sortudo!!!! E foste primeiro do que eu.
Não só por amizade mas também como apoio, mereces tudo isso e muito mais. Mais vezes, também.
Gostei de ler as tuas impressões e gosto da tua escrita.
Provavelmente, terei o mesmo cicerone que tu....
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 17:07

Sei que gostaste muito. Espero que voltes, Luís.
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De Luís Reis Figueira a 27.11.2011 às 18:27

Voltarei certamente, se puder, João.
Grande abraço.
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 18:39

Abraços para ti e para os teus.
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 17:07

Pode ser que sim...
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De Luís Reis Figueira a 27.11.2011 às 18:36

Obrigado, Xanda, pelo cumprimento e pela simpatia. Gostar dos Açores é quase obrigatório e escrever coisas lindas acerca daquela maravilha, torna-se uma coisa fácil.
Um beijo grande.
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De macarvalho a 27.11.2011 às 16:37

Apesar da comissão de recepção, um relato delicioso de uma chegada em dia solarengo (onde é que eu já ouvi isto??) e também soalheiro.
Há por aí uma fotografia dum cantinho do teu solar, que eu bem vi....
Pelos teus olhos, a ilha torna-se bem apetecível e espero brevemente pousar aí os pés. Por sinal, eles irão com tudo o que pousa sobre eles.
Dessa maravilha da natureza chamada Açores, o que mais me atrai são sempre os verdes e essas lindas mantas de retalhos com todos os seus matizes.
Dizem que o verde e o azul nos dão uma sensação de conforto e paz, sem igual.
Talvez por isso se "respire" tão bem, por aí.
Acrescentem-se as flores, os chilrear dos pássaros e tem-se logo a ideia desse ritmo alucinante do dia-a-dia. Não há como, com um acordar tão sereno.
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 17:09

Nada de ilusões: há muitos cinzentos tristonhos também. Mas só em intervalos passageiros.
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De Laura Ramos a 27.11.2011 às 18:46

macarvalho: esperamos pela sua crónica! Pois eu há anos estive com viagens marcadas para S. Miguel por duas vezes, que acabaram sempre frustradas, pelo meio de complicações do arco da velha. Acho que foram um sinal panâir.... :)
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De macarvalho a 27.11.2011 às 19:38

Se fizer alguma crónica, já é sinal que pûs lá os pés!
Mas, tenho um defeito terrível: sou demasiado apaixonada por S. Miguel, por aquela beleza extasiante com toda com que a ilha foi dotada, para conseguir sequer comparar.
Mas foge-me a alma para a paz, o silêncio, a beleza natural, é verdade. E há mais ilhas para ver!
Laura, se já quase foi duas vezes, não deixe de ir. E ponha de lado o panair...
E, já agora, aproveite o cicerone, que é muito caprichado.
Costumo dizer e sem exagero algum, que não deveríamos morrer sem antes passarmos pelos Açores.
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De Laura Ramos a 27.11.2011 às 22:36

Melhor do que um bom destino, só um destino bom com um 'intérprete' à altura. Estás tramado, João, um dia destes desembarco mesmo (mas levo 3 viúvas clicquot na bagagem para te compensar, já sei que não fazes por menos :)
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De Ana Vidal a 27.11.2011 às 22:51

Vai às Flores antes da segunda garrafa. Primeiro, porque tudo aquilo merece ser visto ao milímetro, e depois porque há lá escarpas perigosíssimas... lol
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De Laura Ramos a 27.11.2011 às 23:18

Nada disso! O nosso cicerone gosta de acompanhar as refeições com 'champagne', estás a ver? Por acaso eu também. Mas assim o líquido fica devidamente almofadado :)
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De João Carvalho a 28.11.2011 às 00:44

Venham as viúvas. E traz-me algumas órfãs de caminho.
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De Laura Ramos a 28.11.2011 às 12:15

!!!!!!!!!!
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De Luís Reis Figueira a 28.11.2011 às 10:31

Belíssima ideia, Laura, e... desculpe-me a intromissão, mas atrevo-me a sugerir que me deixe auxiliá-la no transporte de tão preciosa e pesada carga. Suponho que irá de paquete e, se assim for, também eu me ofereço para levar 3 Mümm e outras tantas de Pol Roger e assim fica a conta certa para se abrir uma em cada uma das 9 ilhas, eheheh... ;-))
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De Laura Ramos a 28.11.2011 às 12:36

Grande número, Luís. Parece um filme com o glamour 'décadent' da Agatha Christie :) Lá estarei com a valiserie a preceito e a indispensável capeline. Está combinado :)
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De Luís Reis Figueira a 28.11.2011 às 13:23

Muito bem, então, está combinado! Felizmente, nunca me enganei a reconhecer uma verdadeira Senhora.
Ah!,... e já agora, convém que não esqueçamos "les manteaux et les couvertures", pois nesta altura do ano, os decks no vapor são um pouco ásperos.
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De Laura Ramos a 28.11.2011 às 23:35

Bem lembrado, Luís, mas então eu levo umas decadentíssimas fourrures para enfrentar o canal. Não asseguro é que não vão largando pêlo...
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De macarvalho a 29.11.2011 às 09:36

Percebes da coisa!
Não te bastam as clicquots? Tás convidado para a nossa excursão, com lugares limitados off course.
E leva lá a elegância dos teus vintages, que nós levamos a nossa.
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De Laura Ramos a 27.11.2011 às 22:31

macarvalho(tem de dizer o nome que este aqui não dá jeito nenhum!): sim, há 2 ou 3 sítios onde quero ir antes de morrer (p.ex., a Índia portuguesa). Os Açores não estavam no meu rol, mas de facto isto é uma lacuna imperdoável. Têm uma vantagem: estão mais à mão ;) Pior mesmo é que para conhecer aquilo tudo de fio a pavio não há bolsa que aguente os voos inter-ilhas.. Vou ter de seleccionar. ;-(
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De macarvalho a 28.11.2011 às 09:12

Alexandra, é esse o meu nome.
Índia Portuguesa é um destino com que ainda sonho, principalmente Goa. Mas está cada vez mais longe.
Perto, perto, e com garantia de uma boa estadia, estão os Açores.
Garanto-lhe que supera qualquer postal, qualquer foto que já tenha visto. A mãe-natureza chegou ali e parou demoradamente. Caprichou e só depois partiu, mas nunca mais fez nada igual.
E aposte no cicerone. Com ou sem viúvas, órfãs, etc.
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De Laura Ramos a 28.11.2011 às 12:41

Pronto, Alexandra, já estou catequizada, confio no seu bom gosto :) Até podíamos ir em colectivo, não fosse eu ter pena do cicerone, já viu? Arrasávamos com ele :)
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De macarvalho a 28.11.2011 às 22:19

Que nada!!! Ele adora boa companhia.
Estou a gostar da ideia: vamos todos juntos, mais as viúvas (ele até faz por menos...), vai também o Luis, que é do melhor que há, as acommpanhantes e levamos os manteaux para o deck.
O cicerone e intérprete preenche-nos o dia, numa azáfama imprópria da ilha. Vai lembrar-se das inúmeras vezes em que lhe pedi para parar, sempre nos mesmos sítios, para abraçar a paisagem (em S. Miguel).
Vou já pôr a arejar as minhas valises Louis Vuitton, da feira de Espinho...
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De Laura Ramos a 28.11.2011 às 23:45

Alexandra, espero que o seu modelo da feira de Espinho (ou da fic - feira internacional de Carcavelos, entreposto concorrente) seja daqueles que servem mesmo para transportar des bonnes bouteilles de champagne... É que o meu, da mesmíssima proveniência, só dá para 5... E o Luís diz que têm de ser 9... Ora leia aqui atentamente, até ao fim, e veja se eu não tenho razão :):-) http://www.journaldesfemmes.com/luxe/0611-cadeaux-en-ligne/1.shtml
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De macarvalho a 29.11.2011 às 09:48

Pois...entendi!
Entendi que cette auguste maison criou, en hommage, un petit sac avec un gran prix: 395€.
Então, controlemos desde já a situação: o Continente disponibiliza embalagens próprias para les bonnes bouteilles, em cartão, com pega e tudo.
Do Continente para as ilhas, até fica bem, não?
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De Laura Ramos a 29.11.2011 às 13:00

Eheheh;)) Claro! É que uma embalagem do Continente para as «eilhas» não poderia ficar mais a preceito para rematar esta brincadeira ;)
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De macarvalho a 29.11.2011 às 09:58

Não lhe cheguei a responder ao panâir ou panãir, mas tive uma dúvida semelhante há pouco mais de três anos (atrás...).
Não se tratava de viagens.
O certo é que me atirei de cabeça, ponderando as vantagens, em detrimento dos riscos.
O certo é que já passaram mais de três anos e esses ninguém mos tira!
E, afinal, o mundo muda tão rapidamente....
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De Laura Ramos a 29.11.2011 às 13:09

Confesso que agora fiquei um bocadinho confusa, Alexandra ;)) Não sei se percebi completamente, mas de qualquer maneira aplaudo, não sou nada a favor das cautelas excessivas e dos trilhos direitinhos, digamos que confio muito mais nos palpites da intuição do que nos rigores científicos da bússola ;)
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De Ana Vidal a 27.11.2011 às 18:18

Bom regresso, João! Que saudades dos Açores. Um dia destes vou aí visitar-te, e a essa terra mágica. A propósito, já conseguiste "entender o que te rodeia"? É que o mistério dessas ilhas faz parte da beleza delas... não faças um grande esforço, deixa o mistério no ar. :-)
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 18:41

Esforço zero, Ana. Esta terra espera sempre por ti. Sem esforço, como é timbre local.
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De Laura Ramos a 27.11.2011 às 18:49

Bela crónica e belas fotos. Podias habituar-nos a isto.
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 18:59

Obrigado. A ver vamos.
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De teresinha a 27.11.2011 às 21:48

Subscrevo.
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De teresinha a 27.11.2011 às 23:28

Sim. Acho que podia tornar-se num agradável hábito.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2011 às 19:11

Há quem chame pasmaceira à serenidade. Tempos houve em que eu era assim. O silêncio fazia-me comichões, a Natureza fascinava-me mas sentia a falta do bulício dos grandes centros. Agora aprecio cada vez mais ambientes como esse que descreves aqui tão bem. Bom regresso, João.
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De João Carvalho a 27.11.2011 às 19:16

Obrigado, Teresa. Sabes? Acho que um dia fomos todos assim, alérgicos ao que é sereno.
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De João Severino a 27.11.2011 às 22:47

Pelo que leio nesta "cacha" de comentários até parece que a tua relva é só para senhoras...
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De João Carvalho a 28.11.2011 às 00:46

Sabes? Tenho os meus critérios!
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De Dylan a 27.11.2011 às 23:49

As duas últimas fotos são brutais. Aproveite (em descanso ou em trabalho).
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De João Carvalho a 28.11.2011 às 00:46

Em trabalho, meu caro, que é um descanso!

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