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O manifesto "um novo rumo"

por Luís Menezes Leitão, em 23.11.11

 

Mário Soares constitui seguramente a figura mais emblemática do regime saído do 25 de Abril. É por isso com tristeza que o vejo associar-se a uma iniciativa tão absurda como a deste manifesto. Estou totalmente em desacordo com a política financeira de Vítor Gaspar e aposto singelo contra dobrado que daqui a dois anos o país vai estar ainda pior do que está hoje. No entanto, a oposição pressupõe a afirmação de alternativas, não bastando a apresentação de um texto mal escrito, em estilo de redacção escolar, sem uma mínima proposta consistente.

 

Qual a razão do manifesto? A resposta é esta: "Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia". Alguém percebe esta construção gramatical? Afinal são os estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia? Ou é o seu desmantelamento?

 

Como é que se combate a crise? O manifesto dá a resposta: "Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia". Qual é a alternativa? "Apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma".

 

Há, no entanto, uma explicação singela para o manifesto. Como se pode ver aqui, em 1981, quando defrontou Salgado Zenha e o Secretariado, Mário Soares apresentou ao Congresso do seu partido uma noção intitulada "Novo rumo para o PS", tendo na altura arrasado os seus opositores internos. Trinta anos depois parece querer repetir o processo, atacando claramente a estratégia de António José Seguro. Daí a clara referência às "correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via (…)" que "foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal". Este "novo rumo" é assim na verdade um reeditar trinta anos depois da moção "novo rumo para o PS". Não me parece é que António José Seguro esteja na disposição de ter o mesmo destino de Salgado Zenha. 

 

Já em relação ao país, uma coisa tenho por certa. A actual política governamental é um desastre, mas este "novo rumo" não conduz a lugar nenhum.


4 comentários

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De António P. Castro a 23.11.2011 às 17:48

Para o manifesto ficar perfeito, só falta a assinatura do Otelo.
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De Arame Farpado a 23.11.2011 às 20:21

«Afinal são os estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia? Ou é o seu desmantelamento?»

São os estados, nomeadamente os PIIG e por isso estão a ser demantelados, seguindo a lógica presente no manifesto.

«Qual é a alternativa? "Apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma".»

Nem mais.
Eu subscreveria este manifesto, mas a cada um a sua opinião.

Cumps.
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De Tiro ao Alvo a 23.11.2011 às 21:29

Tem toda a razão: custa muito ver o Dr. Mário Soares tomar posições destas.
Eu sei que a comunicação social gosta desta disso, mas ele devia saber defender-se.
E os seus familiares e os seus amigos, deviam ajuda-lo esconjurar ideias tolas, como esta que, tudo o indica, foi o mentor.
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De loli a 25.11.2011 às 11:58

porque é que ainda dão tempo de antena a este senhor? já está desactualizado das reais necessidades, basta!

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