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Delito de Opinião

Saramago e os 'judeunazis'

Pedro Correia, 13.01.09

Há muitas páginas controversas no percurso literário e jornalístico de José Saramago. Mas poucas são tão inacreditáveis como as que o Nobel da Literatura acaba de escrever no seu blogue, O Caderno de Saramago, a propósito do ataque do exército israelita ao Hamas na Faixa de Gaza. O escritor compara a investida da tropa de Telavive às atrocidades nazis. Fala em "genocídio" e chega ao ponto de considerar que o que ocorre em Gaza supera aquilo que Hitler accionou contra os judeus durante o Holocausto. Exagero meu? Eis as palavras textuais do escritor: "O exército israelita, esse que o filósofo Yeshayahu Leibowitz, em 1982, acusou de ter uma mentalidade 'judeonazi', segue fielmente, cumprindo ordens dos seus sucessivos governos e comandos, as doutrinas genocidas daqueles que torturaram, gasearam e queimaram os seus antepassados. Pode mesmo dizer-se que em alguns aspectos os discípulos ultrapassaram os mestres."

Banaliza-se o Holocausto, relativiza-se o império do mal nazi comparando-o a qualquer conflito armado contemporâneo, seja ele qual for, estabelece-se uma equivalência moral entre Hitler e os actuais dirigentes do estado judaico. Qual o efeito prático de tudo isto? Branquear a página mais negra da história humana, que se traduziu no assassínio sistemático e meticuloso de seis milhões de seres humanos às ordens de um estado totalitário, onde qualquer dissidência equivalia a morte.

É ainda mais chocante que seja um Nobel da Literatura a estabelecer esta equivalência moral, inadmissível a qualquer título.

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