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Europa sob o espectro da bancarrota

por Pedro Correia, em 16.11.11

 

Portugal sofre severas medidas de contenção da despesa pública e privada. Mas é uma ilusão pensar que, face à situação de penúria a que chegámos, haveria hoje alternativa ao programa de austeridade em curso. Basta reparar nas notícias que nos chegam de outros países europeus. Na vizinha Espanha, que regista a maior diferença entre ricos e pobres de toda a União Europeia, a economia estagnou: uma pessoa fica sem emprego a cada 20 segundos e de cinco em cinco minutos uma empresa fecha as portas. Eis a triste realidade: há hoje um milhão e quatrocentos mil lares espanhóis sem qualquer receita oriunda do trabalho.

Os italianos, confrontados igualmente com uma grave crise, têm um novo primeiro-ministro que não se sujeitou ao teste do voto popular: é um economista apartidário, que goza da plena confiança de Bruxelas e avisa desde já que tenciona permanecer no poder pelo menos até 2013. Os países onde se vai instalando o espectro da bancarrota começam a recorrer a economistas que surgem com inevitável aura de "salvadores", o que se traduz numa "profunda desconfiança na democracia representativa", alerta o politólogo Angelo Panebianco nas páginas do Corriere della Sera. Há razões para recear o pior num país cuja dívida ultrapassa já os 120% do produto interno bruto, cifrando-se em 1,9 biliões de euros.

A Grécia -- onde outro tecnocrata favorito da Comissão Europeia, Lucas Papademos, acaba de substituir o desacreditado socialista Georgios Papandreou como primeiro-ministro -- necessita de uma remessa imediata de oito mil milhões de euros, sob pena de não haver dinheiro para salários e pensões já em Dezembro. Em certas zonas do país, a taxa de desemprego ronda os 70%. E 17% dos estabelecimentos comerciais de Atenas fecharam definitivamente as portas.

Recordistas europeus da fuga aos impostos, os gregos continuam a desafiar as regras da austeridade tal como sucedia em Janeiro de 2010, quando a Comissão Europeia acusou Atenas de "irregularidades sistemáticas" no envio de dados fiscais para Bruxelas. Na Grécia não há cadastro de propriedades e a esmagadora maioria dos utentes de transportes públicos utiliza-os sem pagar bilhete. Um movimento intitulado "Não pagamos" congrega ali já pelo menos 30 mil pessoas. O problema é se os contribuintes alemães, holandeses e finlandeses também começam a dizer "não pagamos": como irá a Grécia continuar a salvaguardar salários e pensões?

Bélgica e Áustria são outros dois países sob ameaça. Entretanto, em França (corte de 500 milhões em despesas do Estado previsto para 2012) e no Reino Unido (um milhão de jovens desempregados) começaram a vigorar as medidas de contenção orçamental mais duras de que há memória em tempo de paz. Olhemos para estes e outros países antes de fazermos juízos definitivos sobre as ramificações da crise em Portugal. E deixemo-nos de ilusões: não existe de momento alternativa à austeridade. Desde logo pelo mais simples dos motivos: não há dinheiro. Só um irresponsável ou um imbecil pensa o contrário.

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48 comentários

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De H.R. a 16.11.2011 às 14:05

"Há muito poucos com demasiado e muitos com tão pouco."
"É uma guerra de classes, está a começar e estamos a olhar para a primeira grande guerra do século XXI."
Diz Gerald Celente, editor do Trends Journal e director do Instituto de Pesquisa Trends
http://www.youtube.com/watch?v=tv4WyOQedj4
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De Javali a 16.11.2011 às 19:25

Interessante, mas tem alguns erros de "marxismo" pelo meio.
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De IsabelPS a 17.11.2011 às 00:03

Punhamos então o marxismo de parte e digamos como Keynes em 1922 que "the process of adjusting the currency and debt will primarily be one of assigning the costs to different economic groups":

http://seekingalpha.com/article/239459-the-rough-politics-of-european-adjustment

Basicamente, quem paga?
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 11:29

A questão é essa.
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De mike a 16.11.2011 às 14:09

Acho curioso (e subscrevo o seu último parágrafo, para abreviar), que ainda haja dúvidas sobre este assunto. Pessoalmente, acrescentaria má fé, para além da irresponsabilidade ou imbecilidade. O que espero, Pedro, como cidadão e contribuinte, é que os tempos que atravessamos e atravessaremos sejam tempos de moralização transversal, i.e., e não encontrando melhor exemplo à mão, que os 1.6 bi que, segundo consta, estão destinado ao BCP (dos 12 bi que são para revitalização da banca e economia nacional) sejam para isso mesmo. Só para isso mesmo! Não para perdoar ou renegociar dívidas contraídas para comprar acções, dando-as como garantia. Lá vem a velha máxima: quando devemos 100.000 € ao banco temos um problema. Quando devemos 1 bilhão, é o banco que tem um problema. Abraço.
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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:37

Sintonia no essencial, Mike. Abraço.
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De Paulo Sousa a 16.11.2011 às 14:13

"Só um irresponsável ou um imbecil pensa o contrário."
Totalmente de acordo, Pedro, mas da mesma forma que foram os irresponsáveis e imbecis que nos colocaram nesta situação, são também eles que insistem numa estratégia de negação da realidade.
Há dias explicava a um amigo, não europeu, que a Europa andou durante décadas a construir um puzzle espectacular com uma imagem fantástica, mas agora debate-se com um problema complicado. Há uma peça que não encaixa nesse puzzle e essa peça é ... a realidade. Tudo o resto bate certo e é bonito.
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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:38

Em cheio, caro Paulo. Essa é a peça que não encaixa. Lamentavelmente, nenhuma outra é tão importante como essa.
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De Nuno Silva a 16.11.2011 às 14:28

Boas,
Sou leitor assíduo do blog e acho que é um excelente blog.
No entanto depois de ler o ultimo post algumas dúvidas me surgiram e apesar de seguir com interesse o escalar da crise e da implementação de medidas de austeridade umas atrás de outras não consigo deixar de me perguntar:
1) Como surgiu esta imensa crise, o dinheiro simplesmente desapareceu?
2) Ouço falar em "mercados" cada vez que se fala em crise fala-se em "mercados" mas o que são?
3) Países que até à pouco estavam "imaculados" como a França estão agora também a começar de apertar o cinto Espanha e Itália estão à beira do abismo em mais um ataque dos "mercados" à suas dividas, tal como tinha acontecido à Grécia e ao nosso país, que se limitaram a subir as taxas de juro, começa a parecer que os "mercados" é o nome dado a algo que tem como objectivo destruir povos através da economia para proveito próprio, agora a pergunta é que aconteceu a esses países? A sua estrutura bancária e produtiva também não eram eficientes? ou não prestavam?

São algumas das perguntas que eu gostava, se possível, ver respondidas, atenção que não possuo qualquer conhecimento de economia pelo que perdoem as perguntas se parecerem tolas.

À dias num outro post vós publicaste um filme intitulado "Debtocracy", excelente filme sem duvida e fiquei com a impressão que precisávamos de um PM como o do Ecuador aqui em PT, acho também que esta ideia de abrir mercados ao mundo inteiro fui muito mal pensada, pelo simples motivo que quanto maior for a "loja" menos lucro à a fazer pelos comerciantes uma vez que à maior dispersão de capitais, vejam o caso da Suiça não têm crise nenhuma uma vez que é uma economia fechada e se queres adquirir produtos compra-los lá dentro. Acho mesmo que esta na altura de voltar ao "antigamente" e voltar a fechar alfandegas e a taxar produtos vindos do exterior principalmente asiáticos, dado que neste modelo económico não podemos de maneira alguma ser todos ricos, isto é todos os países do mundo terem um excelente tecido empresarial e escoar os seus produtos isso é simplesmente impossível, então a solução é delimitar os mercados ou taxa-los..
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De lucklucky a 16.11.2011 às 18:28

"1) Como surgiu esta imensa crise, o dinheiro simplesmente desapareceu?"

Esse dinheiro nunca existiu, foi pedido emprestado - É o que quer dizer ter défice.
Ou seja foi-se buscá-lo ao futuro. Entretanto o futuro chegou mas no período de tempo que era suposto pagá-lo não se produziu o suficiente para a quantidade de dinheiro que se foi buscar ao futuro.
Estado Português andou nos últimos 3 anos a crescer o endividamento a mais de 10% do PIB quando a nossa riqueza o PIB crescia a 1%.
A Dívida Publica(acumulação de défices sucessivos) passou em 6 anos de 60% do PIB para mais de 100% do PIB. A este nível os mercados já duvidam que nós iremos pagar de volta.
Uma boa parte dos países mais próximos de nós têm sempre gasto muito mais que o que produzem de modo que as dívidas têm crescido, crescido.

"2) Ouço falar em "mercados" cada vez que se fala em crise fala-se em "mercados" mas o que são?"

Os mercados são os bancos onde mete o dinheiro, fundos de investimento que tomam ordens de quem tem dinheiro. Isto inclui desde uma empresa , um milionário até à segurança social passando por um fundo de pensões de trabalhadores etc, etc . O mercados somos todos nós ou a quem delegamos responsabilidade por zelarem pelo nosso dinheiro.
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De Javali a 16.11.2011 às 19:29

O truque é, de facto, voltar às cidades-estado.
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De VSC a 16.11.2011 às 14:42

Mas o que acontece é que temos toda a razão para desconfiarmos das nossas democracias, que são tudo menos representativas. Basta olhar-se para o chamado «acordo» ortográfico, imposto à força e com total desprezo pelos pareceres negativos das entidades oficiais e do sentimento da população para vermos que as democracias foram-se tornando clicocracias e muito pouco representativas.
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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:43

O problema, meu caro, é que nenhum outro regime provou até hoje ser tão menos mau como a democracia representativa. Este é o regime que mais tem libertado a Humanidade dos dois maiores flagelos que remontam ao princípio do mundo: a fome e a guerra.
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De lucklucky a 16.11.2011 às 15:15

Mas...mas...mas...o senhor Presidente diz que se pode imprimir ilimitadamente...parece que não está contente com a impressão de dívida durante a última década, quer mais...

"profunda desconfiança na democracia representativa"
Pena é que a desconfiança seja por causa dos resultados em vez de ser por causa do comportamento que levou a esses resultados.

"necessita de uma remessa imediata de oito mil milhões de euros, sob pena de não haver dinheiro para salários e pensões já em Dezembro."

É evidente que haveria dinheiro, não seria é nos valores delirantes que só existem por causa da dívida que cresce a cada ano.

A austeridade não teria nada de especial se a economia não estivesse distorcida. Qualquer país teria superavites se gastasse o que gastava nos anos 90 e alguns no início dos anos 00. O problema é que os Governos habituaram-se a viver do crédito e agora a distorções são enormes. Qual é parte da economia que tem preços verdadeiros?
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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:51

As taxas de juro estão a derrubar governos na União Europeia, o que é preocupante. A subida das taxas de juro deve-se essencialmente ao fraquíssimo crescimento económico na zona euro. Assim torna-se cada vez mais difícil, senão mesmo impossível, pagar qualquer dívida.
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De lucklucky a 17.11.2011 às 08:57

Não é fraquíssimo crescimento*. É recessão e já está cá há muito. Para Portugal já está cá há mais de 10 anos.
Agora chegou a conta.

Quais desses países nestes últimos 10 anos tiveram o Estado com Défice Inferior ao Crescimento do País?

*Estar por exemplo a crescer 3% PIB com o Estado a endividar-se a 6% do PIB não é crescimento é endividamento. Ou seja no futuro ou há cortes e ou impostos.
As pessoas devem mudar a maneira como olham para as estatísticas. O crescimento não pode ser olhado isoladamente. A qualquer custo.
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 11:33

Portugal teve uma das dez maiores taxas de crescimento do mundo em 40 anos, entre 1960 e 2000. A década seguinte foi de estagnação. Esta está a ser marcada pela recessão. O crescimento não pode ser olhado isoladamente, é certo. Mas nenhum é tão essencial como este: as três primeiras frases que escrevi atrás bastam para dar um retrato certeiro do País de há meio século para cá.
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De lucklucky a 17.11.2011 às 17:17

Vou ter de discordar do período de 1960 e 2000. A década final não foi de crescimento e a dos anos 70 80 embora tenham sido de crescimento não o foram assim tanto se contarmos com o endividamento que foi feito no mesmo período. E ainda menos se descontarmos as ajudas da CEE.
Não se pode fazer as contas sem verificar quanto a dívida publica subiu ou seja quanto foi insustentável esse crescimento.
A Dívida Pública subiu de 15% para 60% desde o 25 de Abril até ao ano 2000.
É preciso descontar esse valor do crescimento pois é um truque irrepetível.
Os políticos da Democracia tiveram uma vida de aristocratas porque puderam endividar o país. Vamos imaginar que o Estado Novo tinha deixado 100% do PIB em Dívida em vez de 15%. A nossa História teria sido completamente diferente.
O nosso verdadeiro crescimento desde 1974 seria melhor determinado se reduzi-se-mos a Dívida a Publica a 15% do PIB e pagasse-mos as ajudas comunitárias.
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 17:54

Dados da Pordata sobre a taxa média de crescimento do PIB a preços constantes:

década de 60: 3,56%
década de 70: 8,48%
década de 80: 4,76%
década de 90: 7,86%

Por curiosidade: o período mais longo de crescimento económico acelerado da história recente da economia portuguesa decorreu entre 1960 e 1973, com 6,9% de taxa média de crescimento do PIB.
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De lucklucky a 18.11.2011 às 11:56

Preços Constantes é sem valor da Inflação. Logo ainda é pior do que sem contar com o Valor do endividamento.

Ou seja a maneira como apresentamos o crescimento - e como se fala e escreve nos media - também ajudou a criar o buraco onde nos metemos.Não só cá. É ler ainda agora o Daily Telegraph a tecer loas de 1-2% de crescimento enquanto o BoE faz QE e a inflação dispara para 5%.

De notar os ventos favoráveis que os políticos* das últimas 3 décadas douradas tiveram- e ainda assim levaram o País para a Bancarrota 2 vezes:

-Dívida Publica baixa 15% no início do regime. Subida para 60% 10 anos seguintes.
-Ajudas da CEE especialmente da agora malvada Alemanha. E que continuam a chegar.
-Aumento de impostos até mais de 40% do PIB -Assim se manteve a Dívida Publica nos 60% de 1985 até 2004.
-Juros Historicamente baixos.
-Nova subida salto da Dívida de 60% para 105%...

The End.

E assim acabaram as 3 décadas de ouro em que foi extraordinário ser político.
Os próximos vão ter de escolher, discriminar fortemente.
Pois nenhum destes benefícios extraordinários se pode repetir no futuro.

* E Eleitores. Em Democracia as culpas nunca são só dos políticos.
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De lucklucky a 18.11.2011 às 12:09

Peço desculpa cometi um erro grave. O PIB a preço constante desconta o efeito inflação mas no sentido em que não conta com a inflação para induzir um crescimento falso.
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De l.rodrigues a 16.11.2011 às 15:27

Não há, mas podia haver. Quem diz o contrário (que a austeridade é prejudicial e evitável) também diz isto: O BCE devia funcionar como verdadeiro banco central europeu e emitir moeda.

O facto de se reconhecer que o problema é europeu e, como o próprio Durão Barroso já se atreve a enunciar, sistémico, deveria ser uma pista para urgentemente mudar o mandato do BCE.

Mas há demasiado dogmatismo ideológico, fortemente suportado por quem tem a ganhar com a crise e por opiniões que se não são mal intencionadas são veementemente ignorantes, para não dizer imbecis.

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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:54

O Presidente da República já veio defender que o BCE se torne num verdadeiro banco emissor. É uma tese que começa a ganhar terreno na UE - e ainda bem. Concordo consigo: existe demasiado dogmatismo ideológico. Mas os habitantes desta Europa cada vez mais desunida não devem ser cobaias para experimentalismos ideológicos. Sabemos sempre como começam, mas nunca como acabam.
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De l.rodrigues a 17.11.2011 às 10:11

"os habitantes desta Europa cada vez mais desunida não devem ser cobaias para experimentalismos ideológicos"

Tem a noção de que o seu post é uma saída em defesa de experimentalismos ideológicos? Acredita mesmo que "não há alternativa"?
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 11:34

Sem dinheiro não há alternativa: quem dita as regras são os credores. Não interessa a ideologia de quem passa os cheques. Que o digam os americanos, cada vez mais submetidos aos cheques chineses.
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De l.rodrigues a 17.11.2011 às 12:22

A ideia de austeridade expansiva é ideológica. A narrativa moralista é ideológica. A fúria privatizadora é ideológica. A desvalorização do "factor trabalho" é ideológica. A ideia de que se se der bastante dinheiro aos "ricos" porque são eles os "empreendedores" e "criadores de emprego" é ideológica. A economia "supply side" é ideológica, etc etc.

Tudo coisas que estão a enformar as decisões a que estamos a ser submetidos.

O problema de aceitar a ditadura dos credores é este: No fim perdem os credores (porque a austeridade nos impedirá de pagar na mesma, apenas essa conclusão chega mais tarde), e perdemos nós porque nos pauperisámos para nada, comprometendo, agora sim, o futuro de várias gerações.

Além disso, de quem defende a democracia como o Pedro Correia esperar-se-ia outra reacção a este tipo de ditadura. Hoje estamos todos menos livres do que há meia dúzia de anos, e até meia dúzia de meses.
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 12:57

Não tenho a menor dúvida de que hoje estamos todos menos livres do que há meia dúzia de anos e até do que há meia dúzia de meses. E - como já escrevi - vejo com a maior preocupação situações como a grega ou a italiana, em que governos legitimados pelas urnas são bruscamente substituidos por governos de "salvação", formados por tecnocratas que ninguém elegeu. Todas as ditaduras são más e aquilo a que chama "ditadura dos credores" não é excepção. Nós, portugueses, temos a obrigação de ser particularmente sensíveis a isto. O problema é sempre o mesmo: sem contas equilibradas, com a espiral da dívida descontrolada, continuaremos nas mãos dos credores. Repare que existe uma correspondência entre a curva ascendente da dívida e a perda progressiva da nossa liberdade.
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De l.rodrigues a 17.11.2011 às 14:50

Por isso, quando preparou Bretton Woods, Keynes levava consigo a proposta de um sistema que evitaria os efeitos espirais, quer de deficits quer de superavits. Esse sistema foi preterido pelos credores da altura, os Estados Unidos. Há alternativas. Não há é vontade e força política. Por enquanto.
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De lucklucky a 17.11.2011 às 17:34

Que piada a Esquerda a falar contra ideologia. Desceram assim tanto no combate de ideias ou é só mais uma das tentativas temporárias que fazem de construir mais uma palavra que meta medo?
Tudo o que diz e o seu contrário é ideológico.
Na maioria dos casos os únicos que estão contra a ideologia são os oportunistas.
Você não o é. Só quer usar a palavra "Ideologia" como usam a palavra "Populismo". Fazendo precisamente o que condenam. Afinal não há nada mais populista que distribuir dinheiro dos outros. O Estado Social é um monumento ao Populismo.Mas não aparece nos jornais.
E isso fazem-no muito bem.
No código jornalista definido pela esquerda a acusação "Populismo" é só para aplicar à Direita. Pelos vistos "Ideologia" vai pelo mesmo caminho.
Apesar de serem ideológicos...

"Há alternativas."
Há alternativas "ideológicas" embora não se perceba bem que raio defende. Essa do Keynes teve muita piada.
Todas deram mal resultado.
Por isso é que o Brasil mudou.
Estava sempre a ver o mesmo filme:
http://www.youtube.com/watch?v=H62RJIU-WYI

"veementemente ignorantes, para não dizer imbecis."

Imbecilidade demonstra-se por que não querer fazer contas.
A Inflação que defende é recessão. Na casa das pessoas. Não podem comprar o compravam no passado. Todas. E assim se recompensa quem deveria ser punido.
Todos as actividades que nasceram por causa do dilúvio do crédito estatal propagado pela sua ideologia deveriam desaparecer.
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De l.rodrigues a 17.11.2011 às 22:34

Deixa cá ver.... em quem devo acreditar? Numa boa dúzia de economistas que previram e anteciparam o desastre em que estamos?

Na... vou antes com o lucklucky. Porque é, sei lá... de direita e isso é bom e pronto.

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De J.M. Coutinho Ribeiro a 16.11.2011 às 16:20

Também, acho, meu caro Pedro, que não existe outra solução que não sejam medidas de austeridade para tentar recuperar da crise. Em Portugal e na Europa no seu conjunto. Temo, porém, o que por aí poderá vir.
O que está em causa é a falta de dinheiro, mas também um modo de vida. Um modo de vida para o qual todos contribuímos - uns mais do que outros, sem dúvida -, quando decidimos que poderíamos andar a vida inteira a viver de empréstimos, empréstimos para tudo, até para férias em hotéis de 5 estrelas, quando mandaria prudência, a sensatez que nos fixássemos em patamares mais baixos - porque não somos ricos, nem temos recursos para um dia vir a sê-lo. A minha angústia é simples: como será possível, em democracia, convencer as pessoas a regredir socialmente de forma tão abrupta? Como explicar que direitos adquiridos e tão enraizados (ainda que muito discutíveis) na nossa cultura possam ser postos em causa? Temo, por isso, que o caminho passe pelo regresso das ditaduras ou, pelo menos, de democracias musculadas que imponham, sem reticências, as medidas que doem às pessoas. Aquilo que parecia improvável há bem pouco tempo, é uma hipótese não descartável. Não por acaso, a Grécia mudou as suas chefias militares recentemente. Não tenho grandes dúvidas de que as grandes convulsões políticas estão aí ao virar da esquina. Resta-me saber quem vai dar o primeiro passo e se o efeito vai ser em cascata. Catastrofista? Sim, talvez. Mas já o disse, em público, por mais do que uma vez, há dois ou três anos.
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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:57

Partilho grande parte dos teus receios, Joaquim. E não tenho a menor dúvida em subscrever esse diagnóstico: andámos demasiado tempo a gastar o dinheiro que não tínhamos em jipes, rotundas, segundas habitações e telemóveis de terceira geração. A ressaca está a ser brutal. Conseguirá o choque que todos hoje sentimos contribuir para a cura?
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De Carlos Pimentel a 16.11.2011 às 18:30

Eu discordo dessa ideia de que «não há alternativas». Discordo quer no patamar mais geral (só para a morte não existem alternativas) como discordo no patamar mais concreto das formas de abordar esta crise.

Entre outras, há uma alternativa elementar e que deveria ter sido tomada já há meses, senão mesmo há um ano, e que seria a dos países do sul e outros periféricos, ao invés de repetirem à exaustão que não eram a Grécia, que não eram a Irlanda, que não eram Portugal, etc, se terem juntado e lutado por melhores condições de "ajuda".

É que não tenhamos dúvidas: a austeridade quando nasce não é para todos e o dinheiro que chega dos países do norte vem com juros elevados (menos que o dos "mercados", mais elevado na mesma), para além de vir com a "obrigação" de passar a patacos os sectores mais produtivos e lucrativos da nossa economia para privados alemães e franceses (vide o que se está passando na Grécia).

Os países do norte estão, por enquanto, a fazer muito dinheiro com a crise. Eles não estão a "salvar" os países do sul mas antes a salvar os seus bancos, que andaram a emprestar dinheiro como se não houvesse amanhã e de forma tão irresponsável quanto a de quem contraía os referidos créditos.

Por outro lado, cada um para seu lado e amarrrados que estão ao Euro, os países do sul entraram numa espiral de destruição sem fim e não é com esta austeridade cega e brutal que se cresce e bem depressa isso vai ficalar claro e cristalino. A emissão de eurobonds seria fulcral para resolver isso; é outra alternativa que não se tem em conta, que se afasta liminarmente assim que em berlim se espirra.

Mas, acima de tudo, a concertação entre os PIIGS (que unidos poderiam negociar muito melhores condições) é que tarda, e tarda como se os líderes destes países em concreto fossem completamente zarolhos, apesar disso serem contas de outro rosário.

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De Pedro Correia a 16.11.2011 às 23:59

Em tese, existem sempre alternativas. O problema é que nenhuma das alternativas é defensável (a ditadura, a bancarrota, o regresso ao escudo...).
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De Carlos Pimentel a 17.11.2011 às 00:47

Não percebo. Em que medida é que uma política, ou, sendo fiel ao comentário, em que medida é que um entendimento comum entre países que partilham problemas comuns não é uma alternativa defensável?

Teria uma acção assim tão cobarde e vil como consequência óbvia, natural, um regresso a moedas nacionais (que medo) e portanto um regresso a uma bárbarie indisputável, um mundo pior do que aquele em que vivemos, vis a vis o que a receita preconiza?

Pedro, você às vezes parece que nem lê De Gaulle.
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 11:39

Olhe que não, meu caro. Conheço bem o pensamento do general De Gaulle: ele era um defensor feroz da Europa das nações e um céptico assumido da "unidade" europeia defendida por Jean Monnet e Robert Schumann. A tal ponto que vetou sempre a entrada do Reino Unido na Comunidade Europeia. Foi visionário, isso sim, na construção de um forte eixo franco-alemão como contraponto simultâneo aos blocos norte-americano e soviético - antecipando-se assim ao actual directório que hoje gere os destinos da Europa.
Um entendimento comum entre países que partilham problemas comuns não é uma alternativa? - pergunta você. Tudo depende do grau de autonomia financeira desses países. Caso contrário isso conduziria apenas a uma espécie de associação de nações falidas.
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De lucklucky a 17.11.2011 às 08:51

"Austeridade cega e brutal"
Patético, hoje Portugal gasta mais do que produz.
.
"A emissão de eurobonds "
Ora aí está um aliado dos políticos, descobrem-se logo quando deixa de dizer mal e começam a apontar "soluções".
Políticos tipo Ditadura América Latina anos 80(exceptuando o Chile).
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De Carlos Pimentel a 16.11.2011 às 18:37

p.s. - o documentário a que se refere um dos comentadores não me recordo de o ter visto aqui. Seja como for, parece-me ajudar à discussão e pode ser visionado no you tube:

http://www.youtube.com/watch?v=nwlJDAufvnM&feature=player_embedded

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