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A teia e a competência

por José António Abreu, em 10.11.11

Corre por aí um argumento segundo o qual o corte dos subsídios de férias e de Natal no sector público poderá fazer sair os melhores elementos para o sector privado. Começa também a ficar tão evidente que qualquer reforma séria do Estado e das empresas públicas obrigará à redução do número de funcionários que, ao contrário do que sucedia nos tempos do aprendiz de filósofo, já nem surgem desmentidos governamentais de cada vez que alguém refere o assunto. Assim sendo, talvez seja interessante tentar perceber quem vai sair, quem devia sair, por que não coincidem os dois grupos e como esta diferença torna impossível uma verdadeira reforma das instituições em causa. 

Devo começar por admitir conhecer melhor a realidade das empresas públicas (e apenas de algumas) do que da função pública. Desconfio, no entanto, que a seguinte regra se aplica tão bem às primeiras como à segunda. Grosso modo, existem três grupos de trabalhadores no sector público:

- Os administradores e directores de topo, seleccionados de acordo com critérios político-partidários;

- As chefias intermédias, escolhidas por cunha e por saberem dizer «sim» aos elementos do primeiro grupo;

- Os restantes trabalhadores.

(Interregno para explicação que provavelmente não evitará uma série de comentários agressivos.

Ao generalizar, sou injusto para algumas pessoas que subiram ao posto que ocupam por mérito próprio? Sê-lo-ei, mas num número muito menor de casos do que as noções do politicamente correcto me obrigariam a considerar; sou também injusto para quem, apesar de ter subido – ou entrado – por influências partidárias, laços familiares, amizade, etc., vem ocupando o cargo de forma competente? Não; não deixa de o ocupar pelos motivos errados.

Fim de interregno.)

O pessoal das duas primeiros categorias não tem vontade de sair. Está bem, apesar dos cortes – que, de resto, aprendeu a contornar. Para mais, embora murmure repetidamente o contrário para si mesmo ou evite de todo pensar no assunto, sabe ter competências limitadas para sobreviver sem protecções. Não sairá, portanto, como não saiu até hoje, embora fosse lendo que os quadros superiores ganham mais no privado. Contudo, é pena que não saia. Foi esta gente que, ao longo dos anos, com a cumplicidade dos governos central, regionais e locais, criou a teia de interesses e favores que transformou os serviços, as empresas e os institutos nos mastodontes deficitários que hoje são e é por causa dela que a reforma do sector público se revela uma quimera (lá iremos).

Já o pessoal que se encontra na categoria inferior é mais heterogéneo. Inclui preguiçosos e lambe-botas sem cunha ou escandalosamente incompetentes, mas também pessoas com vontade de fazer as coisas de forma diferente. Algumas tentaram-no no passado e aprenderam a custas próprias o erro que isso constitui. Estão cínicas e acomodadas; é pouco provável que saiam. Outras – as que entraram há menos tempo e as mais teimosas – encontram-se ainda no processo de perceber que são os jogos de poder que importam, não a competência (as mais teimosas podem até já ter percebido mas, coitadas, não conseguem deixar de lutar). Estão confusas e desiludidas. Mas compreendem que é preferível ganhar mil ou mil e quinhentos euros num ambiente insalubre do que arriscar a sorte numa economia em recessão. A menos que lhes surja uma verdadeira oportunidade, improvável nos tempos que correm, também não sairão. Contudo, as que saírem constituirão perdas reais porque é aqui que se encontram os tais «melhores elementos», subaproveitados ou (alguém tem de trabalhar, ainda que frequentemente em projectos inúteis ou prejudiciais) explorados.

Resta explicar (se ainda não ficou óbvio) porque é que isto impede a mudança. Forçadas estas entidades a diminuir o número de funcionários, o que sucederá? Quem fará as escolhas? Bingo. Entre o pessoal empurrado para fora do caminho e o pessoal ainda tentando descobrir qual é o caminho, há imensa gente com valor. Mas imaginar que, chegada a hora, administrações e chefias decidirão com base na competência dos subordinados é pura ingenuidade. Até poderão achar estar a fazê-lo (é sempre conveniente acreditarmos nas nossas próprias mentiras) mas a teia é mais forte do que a competência. Ficarão os piores.


43 comentários

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De Emanuel Lopes a 10.11.2011 às 14:09

Sou funcionário público há ano e meio e estou seriamente a pensar voltar para o privado, só que neste momento o meu ministerio não está a conceder licenças sem vencimento e não sei ainda bem como se deve processar uma rescisão contratual.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:37

A única coisa que lhe posso dizer, Emanuel, é que, se ficar a ganhar (financeiramente ou noutros aspectos), deve fazê-lo. Mas um ponto chama-me a atenção: é funcionário público há ano e meio. Ou seja, encontra-se precisamente no grupo de trabalhadores que refiro no post como podendo aproveitar oportunidades para saírem.
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De Emanuel Lopes a 10.11.2011 às 16:51

Eu fico a ganhar, mais ou menos, uma vez que deixei de ser provisório há cerca de 6 meses e não faço ideia de a minha situação retributiva vai ser actualizada. Entrei por concurso, uma vez que tinha a formação específica. Entre 800 candidatos admitidos, fiquei em 25º nas provas e fui admitido. A minha opção pelo sector público foi, para além do curso que tinha, era o de não puder estabelecer-me por conta própria. Agora já posso, em virtude de uma alteração legislativa, no entanto, se me actualizarem o vencimento, fico a ganhar mais ou menos o mesmo que ganharia no privado, por isso ainda estou na espectativa.
Agora, sinto que ando a ser explorado. trabalho todos os dias das 8:30 às 20:00 horas e sou, do meu serviço o que recebe menos. Quando o chefe precisa de alguém para cubrir as falhas, chama-me. Segundo ele, porque me adapto melhor ao diferente serviço. Tenho um colega que está na mesma situação que eu e a pensar o mesmo que eu. Quando estava no privado, ganhava mais e trabalhava menos horas, e tudo o que trabalhasse mais, era muito bem pago.
Face ao exposto, é óbvio que me revi naquilo que disse no seu post. E cada vez mais digo que o funcionalismo público tem muita gente que não merece ganhar metade daquilo que ganha e muito também, que mereciam o dobro daquilo que ganham.
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De Javali a 10.11.2011 às 14:11

"...poderá fazer sair os melhores elementos para o sector privado." Isto parece-me muito positivo e seria bom que assim fosse.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:39

Por um lado, sim. Por outro, seria importante que o sector público fosse reestruturado por eles - ou com a ajuda deles.
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De Pois...Pois. a 10.11.2011 às 14:15

A culpa é do Vasco Gonçalves...
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De Leonor Barros a 10.11.2011 às 14:20

Ainda bem que fazes pausas para comentários agressivos. Já sabemos que nós, funcionários do estado, somos todos uns chulos filhos da puta. Obviamente só posso sentir-me ofendida com este teu post.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:44

"somos todos uns chulos filhos da puta"

Não é isso que está no post, Leonor.

"Obviamente só posso sentir-me ofendida com este teu post"

Se fosse, aceito que pudesses sentir-te ofendida. Quer dizer, assim também aceito, só não compreendo. E, de qualquer modo, frisei que conheço melhor a realidade das empresas públicas do que da função pública. Podes sempre apresentar a tua versão.
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De Leonor Barros a 10.11.2011 às 15:59

Era melhor que isso estivesse no post explicitamente mas esta insistência nos funcionários públicos parece-me despropositada. A minha versão dos factos é que, contrariamente a este auto-de-fé que insistem em fazer, eu acredito que o privado é como o público: há gente competente e outros que não prestam para nada, esfregam na cara dos outros a suposta produtividade e virtudes desse sector tão perfeito que é o privado. A diferença é que quando me cortaram os subsídios eu não vim para aqui dizer que o privado era um sector privilegiado e que nos próximos natais poderão pôr nas vossas mesas de funcionários competentes e cumpridores o que os outros só poderão espreitar da montra. Essa é a diferença. Uma vez que só conheço o privado pelas anormalidades que aqui se dizem remeto-me ao silêncio, acredito que, apesar de tudo, ainda há gente que mereça o meu respeito.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 16:26

Pois eu trabalho no privado e posso dizer-te que também há muita gente incompetente e acomodada e cínica. E que há muitas organizações (e secções dentro dessas organizações) que funcionam apenas por cunha e por saber-se apresentar um sorriso radioso e dizer-se "sim" mesmo quando perante as maiores barbaridades. E que são mal geridas e prestam um mau serviço e apresentam prejuízos ou podiam apresentar lucros muito superiores. A diferença é que tudo isto é um problema dessas empresas e não do contribuinte (quando permitimos que se torne um problema do contribuinte, através de subsídios e apoios e não-sei-o-que-mais, estamos a cometer um erro). O modo de funcionamento da Sonae é-me irrelevante, desde que as leis sejam cumpridas. Se a Sonae entrar em dificuldades financeiras, eu não quero que os meus impostos sejam usados para a salvar, quero apenas que o Estado garanta que, por uma questão de concorrência, não é comprada pela Jerónimo Martins. Já a CP custa-me dinheiro. Tenho direito a ter uma visão crítica do que lá se passa.
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De Leonor Barros a 10.11.2011 às 16:30

E como é um problema do contribuinte vá de dar bordoada indiscriminadamente mesmo admitindo que conheces mal o público.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 16:33

Não foi indiscriminadamente.
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De JP a 10.11.2011 às 16:30

Cada vez gosto mais deste blog. Post muito bom, concordo com o que diz, à luz do pouco que conheço de empresas públicas.

Dito isto, não posso deixar de concordar com o que diz a Leonor Barros: no privado não é muito diferente! Faltará a "rede de protecção" para os do 3º grupo que menciona, que fará de alguns preguiçosos malta minimamente esforçada (lá diz o provérbio, quem tem c* tem medo). Mas tirando isso, o ambiente é igualmente insalubre...

Isto não vai lá se andarmos a marginalizar uma classe - os trabalhadores no público. Vai sim mexendo nas lideranças, seja em que sector for. O gestor médio em Portugal é duma tacanhez à prova de bala - seja ele pago pelo erário público ou não.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 17:02

JP:
Obrigado pelos elogios. Eu sei que no privado não é muito diferente, como já disse à Leonor. A questão é que:
- Os erros dos privados não são (ou não deviam ser, porque muitas vezes são) cobertos pelo "seguro" dos impostos;
- Os trabalhadores do sector público foram, consciente ou inconscientemente, desviando para si (através dos erros de gestão, de exigências de mais pessoal, de aumentos salariais, etc.) recursos que a economia não tinha forma de providenciar. É tempo de assumir que, sendo o principal problema do país a dívida pública (a privada também é elevadíssima mas - de novo - cada um de nós, particular ou empresa, que se arranje), é ao Estado (e aos seus funcionários) que cabe fazer o maior esforço. Isto - já o escrevi há cerca de um mês - não significa que os outros portugueses não contribuam, porque há serviços públicos que lhes são indispensáveis. Mas nunca vi os funcionários públicos (ou das empresas públicas) defenderem que lhes seja retirada parte do salário para ajudar os trabalhadores de uma têxtil na falência. Pelo contrário, continuaram sempre a reivindicar mais dinheiro, mesmo quando já era visível que a economia estava de rastos. Eu não defendo o inverso. Eu aceito que me cortem parte do subsídio de Natal este ano, que me aumentem os impostos, etc., mas acho normal que os funcionários do Estado tenham de fazer um esforço maior.
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De JP a 11.11.2011 às 10:17

Mais uma vez, percebo-o e tendo a concordar com o que diz...mas, e olhe que é um grande mas, concordava muito mais se cá no burgo não tivéssemos no privado uma classe empresarial tão avessa ao risco, rentista e encostada ao estado.

O que foram os "bailouts" à banca (sobretudo lá fora, mas por cá também), senão "seguros" das perdas dos privados suportados pelo erário público?

Depois, quanto aos recursos que foram sendo desviados para os trabalhadores do público...Que me diz então dos recursos que foram sendo desviados para auto-estradas e obra civil desnecessária (financiando privados), os recursos que se perderam por manifesta incompetência e/ou corrupção (ex. a alienação por tuta e meia da rede de cobre à PT - já privada) e os recursos que se torraram em subsídios a privados (ex. subsídios às renováveis - estamos a pagar a privados para terem as máquinas paradas - EDP - ou a trabalhar a um preço incomportável - ex. eólicas)?

Não fiz as contas ao cêntimo, mas parece-me que a ordem de grandeza dos primeiros não tem comparação com os segundos - e nestes últimos casos, nem se pode dizer que haja interesse público, como há ao empregar alguém para desempenhar um serviço numa repartição de finanças, por exemplo.

Por isso cai-me muito mal que se embarque na desculpa fácil de que o país está como está porque a função pública é gorda e ineficiente. Estará, mas também os nossos privados o estão, e têm que se desabituar a ter o estado como muleta. A mim choca-me muito mais, por exemplo, ter um R. Salgado no Conselho de Ministros na discussão do OE do que ver as ruas cheias de professores indignados. São escalas completamente diferentes.

Não quero com isto dizer que você embarcou nessa desculpa, aliás por isso aprecio o seu post porque é inteligente para não o fazer. Só quis frisar o outro lado da moeda.

Por fim, uma pergunta: acha que este governo está a cortar realmente onde importa?
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De Luís Lavoura a 10.11.2011 às 14:46

Post bem escrito.

Creio que no funcionalismo público a situação não é tão má como nas empresas públicas. Isto porque no funcionalismo há, apesar de tudo, concursos com regras para aceder às posições. Não é tão fácil pôr no poleiro pessoas apenas por cunha ou motivos políticos.
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De Javali a 10.11.2011 às 15:31

Além de bem escrito, tem uma óptima ortografia.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:54

Não provoque, Javali. Deixe isso comigo, ok? ;)
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De Luís Lavoura a 10.11.2011 às 15:56

Eu notei especialmente a perfeição da caligrafia.

Pelo menos no meu écran, está ótima.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 16:04

É que, não sendo do tempo em que o caderno de duas linhas era usado nas escolas, os meus pais ainda me fizeram usar um. Nos bons ecrãs, isso nota-se.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:46

É possível, Luís. Como salientei, conheço melhor a realidade das empresas públicas. E obrigado pelo elogio.

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De Pois...Pois. a 10.11.2011 às 15:03

Este blog , é mais de Litro de Opinião !

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De André Benjamim a 10.11.2011 às 15:39

A estratégia é esta: fazer com que saia o maior número possível, e depois roubar os subsídios no sector privado também.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 16:42

Ponha lá uma ordem de grandeza em "maior número possível", André. É que, se saírem todos, o orçamento fica equilibrado e não são precisas mais receitas...



I'M KIDDING!!
(Bom, quanto à matemática da coisa, não.)
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De André Benjamim a 10.11.2011 às 16:58

Fui procurar estudos sobre a percentagem de funcionários públicos na população activa. E como os resultados que encontrei variam de acordo com a posição que os autores pretendem validar, não tomei nenhum como credível. Não faço ideia sobre qual seja o número de funcionários públicos ideais - ideal era que se contratassem os funcionários públicos necessários para desempenharem as funções para as quais são contratados. É minha opinião que o maior problema na função pública não é o número de funcionários, mas sim o facto de haver funcionários que são contratados para desempenharem funções que em nada estão relacionadas com as suas habilitações e competências - um efeito preverso das cunhas, dos concursos públicos a fingir.
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 21:33

André: eu estava mesmo a brincar. Não estou a defender uma razia no número de funcionários públicos, estou a dizer que alguma redução (ou perda de poder de compra para todos) se tornou inevitável - mas que essa redução não se fará à custa daqueles que deviam sair. Repare: o peso dos salários da função pública no PIB é de perto de 12% (ver link abaixo), aos quais devem ser somados os das empresas públicas, que penso corresponderem a mais cerca de 2% (alguém me corrija se estiver errado). Isto tem que baixar um pouco (mas as pensões, que representam cerca do dobro, ainda têm que baixar mais).

http://www.min-financas.pt/informacao-economica/informacao-economica-diversa/documento-de-estrategia-orcamental-2011-2015
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 15:47

Ao litro é mais barato. E então em pack...
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De cenas underground a 10.11.2011 às 15:53

Conheco pessoalmente pessoas que estão a pensar saír do funcionalismo público (para fora de Portugal), só que claro, pretendem saír em licença sem vencimento, desmascarando o paradigma da função publica. Quem quer enriquecer, ter um trabalho XPTO, não vai para a função publica (para os cargos "inferiores"). A função publica é um sitio onde ser um funcionário exemplar, ou ser um mangas nada importa a nível de progressão de carreira. Repito, nada importa. E é por ser assim, que a maioria dos funcionários públicos se vão deixando de esforçar. No fim do dia, o que atrai a maioria das pessoas a um emprego na função pública é, como diz, o "ambiente insalubre", sem riscos. Aí entram as licenças sem vencimento, que a meu ver não deveriam sequer permitir que durante esse tempo fosse exercida outra actividade. Alguns funcionários (não a maioria, mas um grupo selecto de indivíduos menos escrupulosos) usam a função publica como rampa de lançamento na carreira, no auge da carreira, vão ganhar dinheiro a sério noutro sítio, e quando se tornarem inúteis ao mercado de trabalho "real", voltam à função pública para aguardar pela reforma.
Por último, em concordância com o que diz, acrescento ainda que ter no CV que trabalhou na função pública (estou apenas a falar dos cargos que refere no seu ponto 3) só é um motivo de brio para trabalhar noutro local público ou numa empresa com fortes relações comerciais com o Estado. O pequeno e médio empresário da indústria textil, ou mesmo o "Engenheiro Inovador", se apanha um ex-funcionário público à frente solta-lhe os cães. Portanto, não é muito fácil a uma pessoa que trabalhou na função pública a vida toda, arranjar outro emprego "normal".
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 16:12

"A função publica é um sitio onde ser um funcionário exemplar, ou ser um mangas nada importa a nível de progressão de carreira. Repito, nada importa. E é por ser assim, que a maioria dos funcionários públicos se vão deixando de esforçar."

Existirão excepções mas é precisamente esta a minha opinião. Muitas pessoas até entram cheias de vontade mas depressa percebem que não vale a pena.

E não consigo deixar de sorrir com a imagem do empresário a "soltar os cães" ao ex-funcionário público. Mas é verdade. A menos que este seja da família, ou da família de um amigo, ou amigo de alguém que importa manter satisfeito - porque também há nepotismo no sector privado.
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De Emanuel Lopes a 10.11.2011 às 17:10

O que ouço mais vezes dos meus colegas, que tem todos mais de 40 anos e eu tenho 24, é que não vale a pena o esforço. Eu ainda acredito que vale e felizmente as chefias têm reconhecido isso, mas sim, acho que muitos entram cheios de vontade e depois perdem a "pica" toda. É um facto, eu também entrei com a esperança de já hoje estar a ganharo equivalente ao que estava a ganhar no privado, mas é o arrastar desta situação que me faz equacionar voltar para o privado, e sim, quanto mais tempo ficar, pior é, no entanto, tenho visto colegas de profissão sairem reformados e encontrarem logo emprego no sector privado. Para já ainda vou completar uma formação, pelo que até lá não me vale muito a pena sair.
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De JARRA a 10.11.2011 às 16:51

Pedia só que pormenorizasse: quando for internado com um enfarte ou um Avc, em que grupo inclui os médicos e enfermeiros que espera o venham a salvar. Ou estará à espera de ser salvo "no privado"?
Nesse caso antecipo desde já as condolências!
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 17:08

Há-de haver de tudo, como nas outras áreas.

E apreciei que tenha usado "quando" em vez de "se". Gosto sempre de insultos subtis.
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De JARRA a 10.11.2011 às 17:17

É que o ódio é um importante fator de risco para as referidas patologias! È um comentário apenas probablístico!
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De José António Abreu a 10.11.2011 às 19:03

Ah, obrigado pelo aviso. Vou então tentar adocicar as minhas opiniões - para meu bem e do das pessoas que me lêem. E, afinal, por que hei-de insistir estar no grupo dos teimosos? Mais vale ir na onda...
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De lucklucky a 11.11.2011 às 02:52

JARRA então porque é que não incentiva jaa a escrever mais bons posts como este. Guardar o "ódio" dentro de si é que é mau para a saúde... :)



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De p a 10.11.2011 às 19:18

BIIINNNNNGGGGGOOOOO

para quem não conhece a função publica ....

um fp (hoje em dia podemos usar estas siglas para outra coisa)
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De Carlos a 10.11.2011 às 19:24

Com esse conhecimento, parece-me que ao dizer-se que os ambientes de trabalhos, nos dois sectores, são parecidos, e que no sector privado também há cunhas e nepotismo, podemos estar enganar as pessoas.
Eu sei que sector privado há muita incompetência, a começar pelos gestores. Mas também sei que é aí onde se podem encontrar, em quantidade, os melhores grupos de trabalho, que mais facilmente conseguem acalçar patamares de excelência, ao nível do melhor que há. E que as empresas do primeiro grupo têm tendência para desaparecer (falências), quase sempre sem os gestores (patrões) chegarem à segunda geração. Pena é que em sua substituição surjam muitas outras empresas geridas, também, de forma incompetente, para mal, sobretudo, dos seus colaboradores. E aqui é que é bate o ponto: os funcionários públicos, sobretudo os que não são das categorias inferiores, estão sempre safos, quer continuem a trabalhar para o Estado, quer beneficiem dessa injustíssima regalia que é a licença sem vencimento.
Sabendo que ao generalizar se perdem argumentos, e sem esquecer que no sector público podemos encontrar grupos de excelência, como acontece nas universidades e nos hospitais, não há dúvida que é no sector público que se encontram, em maior número, trabalhadores a vencerem salários de valor muito acima do que produzem, ou seja, a viverem às custas do suor de outros seus concidadãos, quer esses outros trabalhem no sector público, quer no privado.
Convém dizer que, na administração pública, coexistindo com esses grupos de excelência, algumas instituições mantêm, muitas vezes, grupos de trabalho anacrónicos, quando não vários colaboradores “encostados”, apenas a ocupar espaço.
Em conclusão, decidi escrever isto para lhe dizer que gostei do seu post e que lhe gabo a paciência para aturar alguns comentadores, por vezes inconvenientes.
Continue.

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De José António Abreu a 10.11.2011 às 20:55

Obrigado, Carlos. E olhe que os comentadores do Delito até são bastante cordatos, em comparação com outros blogues.
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De anónimo a 11.11.2011 às 10:18

Sem dúvida. Algumas vezes passo por comentários de outros blogs que ... bradam aos céus e, não gosto. É saudável manter um certo nível de humor equilibrando-o se possível com boa educação.

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