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Indignação

por Pedro Correia, em 16.10.11

 

Vários noticiários televisivos e radiofónicos revelaram-nos ontem a existência de manifestações de indignados "em todo o mundo". Isso seria, sem dúvida, uma boa notícia para o mundo. Acontece, porém, que a notícia não é verdadeira. Na China - o país mais populoso do planeta - não houve manifestações de indignados. Nem na Coreia do Norte. Nem no Vietname. Nem em Cuba. Nem no Zimbábue "socialista" do tiranossauro Mugabe. Nem na Guiné Equatorial. Nem no Iémene. Nem na Síria. Nem na Argélia. Nem na Bielorrússia, onde reina a última ditadura da Europa. Nem no Irão dos aiatolás. Nem sequer em Angola.

As generalizações apressadas costumam ser fontes de equívocos. Convém não nos deixarmos iludir: em grande parte do mundo contemporâneo o direito de manifestação continua a ser uma miragem. Seria bom, aliás, que os indignados de cá começassem por se lembrar disso. Solidarizando-se expressamente com os indignados de lá - aqueles que não podem sair à rua em protesto contra os respectivos governos porque se sujeitam a ser presos, torturados e até mortos.

Nada deve suscitar maior indignação que isto.

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2 comentários

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De luis eme a 16.10.2011 às 13:25

não consigo perceber a mesagem desta "posta", Pedro.

por haver gente que não se pode indignar por esse mundo fora, devemos ficar calados, solidários com eles?

não nos devemos indignar, por percebermos que as medidas que estão a ser tomadas pelo governo, só nos vão tornar mais pobres e miseráveis, pois só geram mais desemprego e desigualdade social?
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De Pedro Correia a 16.10.2011 às 13:44

Julgava ter sido claro, Luís. Insurjo-me contra a falta de rigor jornalístico que proclama aos portugueses ter havido manifestações de indignados "em todo o mundo" quando isso não é verdade. Numa grande parte do mundo, começando precisamente pelo país mais populoso, não houve manifestações nem há condições mínimas para que o legítimo direito à manifestação ali ser exercido.
Como refiro, "seria uma boa notícia para o mundo" se a indignação tivesse um carácter mais lato. Infelizmente não é assim. E não devemos esquecer-nos disso.

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