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Quando uma empresa privada se encontra na falência, os funcionários dessa empresa sofrem. Quando um Estado se mostra incapaz de cumprir os seus compromissos financeiros, normalmente sofrem todos os cidadãos. Em parte, isto é compreensível: os trabalhadores do sector privado beneficiam de alguns serviços providenciados pelo sector público, sendo do seu interesse que eles se mantenham. Em parte, não é: uma parcela da população dispõe de garantias especiais, obtidas de forma coerciva. Assim sendo, que o esforço de correcção do problema criado pelo sector público (por elevada que a dívida privada também seja, não foi ela que nos trouxe aqui) seja distribuído por todos os cidadãos mas recaia mais sobre os funcionários públicos e das empresas públicas é um acto de justiça. Ainda que, individualmente, a maioria deles nenhuma culpa tenha. Mas o mesmo se pode dizer dos funcionários de uma têxtil ou de uma fábrica de calçado que enfrente a falência.

 

Já quanto ao corte nas pensões, a questão é mais delicada.


39 comentários

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De Francisco Clamote a 13.10.2011 às 23:29

E se fosse a um sítio que eu cá sei ?
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:27

Provavelmente iremos todos, Francisco.
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De Pedro Correia a 14.10.2011 às 08:25

Provavelmente já chegámos. Falta agora a responsabilização criminal dos políticos que, através de gestão danosa, não cumpriram a execução orçamental reiteradamente prometida aos portugueses.

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De Laura Ramos a 13.10.2011 às 23:40

jaa, algumas aparentes falhas de informação:
- os trabalhadores da administração pública JÁ AGUENTAM MAIS do que os outros cidadãos, ou não sabias? Assim, zut! Uma boa parcela a menos todos os meses, há largos meses, por causa dessa capitis deminutio que subjaz ao teu raciocínio.
- «os trabalhadores do sector privado beneficiam de alguns serviços providenciados pelo sector público». Muitos, muitos serviços, e não alguns. Demais, aliás.
- «uma parcela da população dispõe de garantias especiais, obtidas de forma coerciva». Hás-de explicar-me onde encontras a coerção...
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De Leonor Barros a 13.10.2011 às 23:55

É que nem sequer se está a falar de um corte. É nada, zero, durante pelo menos dois anos, mas pelos vistos merecemos.
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De Laura Ramos a 14.10.2011 às 00:08

Qual merecemos, Leonor... Trabalhamos pela bandeira e somos o bode expiatório, a frente de todas as frentes. E eis que o jaa ainda decobre nisto coerção... Coerção é sermos o alvo a abater, sem tento nem medida. Coerção é o diktat, este, o do alvo fácil.
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De Leonor Barros a 14.10.2011 às 00:17

A questão é que para a opinião pública, seja lá ela o que for, nós somos um grupo de preguiçosos merdosos que vivemos cheios de mordomias à custa do Estado e, portanto, numa situação destas, só temos o que merecemos. Como muito bem dizes, e já o disse aqui várias vezes, fala-se muito sem se ter conhecimento. É mais fácil assim.
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De Laura Ramos a 14.10.2011 às 00:27

Sobre isto haveria tanto a dizer... Infelizmente, a desinformação é muita. Mas nós, seres tutelares por ofício, até nisto temos de saber dar o desconto.
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De Leonor Barros a 14.10.2011 às 00:28

Há anos que não faço outra coisa: dar-lhes um desconto e admito acusar algum cansaço. Estou farta de ser saco de boxe.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:31

São tão preguiçosos como os tais trabalhadores de empresas privadas em dificuldades - ou quaisquer outros. A questão não é essa.
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De Susana a 14.10.2011 às 10:30

"trabalhamos pela bandeira"??? pensei que trabalhassem por um vencimento ao final do mês como todos os trabalhadores. queixem-se, mas com argumentos válidos, porque esse tipo de conversa chorona já enjoa.
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De Laura Ramos a 14.10.2011 às 12:51

Susana... era uma força de expressão. No sentido em que se trabalha para o Estado e isso exige (devia exigir) uma atitude de serviço (não confundir com serviçal). Não sei onde encontrou vestígios de «conversa chorona», não é de todo o tom nem o estilo. Bem pelo contrário: é bom ser lúcido e combativo nesta matéria, como é próprio de quem veste a camisola todos os dias.
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De lucklucky a 14.10.2011 às 13:37

Não é durante 2 anos. Se o país não produzir mais é para sempre.
Parece que ainda não percebeu. Ou não sabe fazer contas.

Mais de 20% do ordenado de um Funcionário Publico nos últimos anos foi dinheiro pedido emprestado pelo Governo aos mercados.
Um défice de 10% em relação ao PIB equivale a 20% de défice em relação ao Orçamento uma vez que o Estado é cerca de 50% da economia.
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De Leonor Barros a 14.10.2011 às 18:14

Durante pelo menos dois anos, digo eu no post aí em cima. Parece que não sabe ler bem. Guarde os ressabiamento que não estou com grande paciência.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:29

- Sim, mas não chega.

- De acordo. Deviam ser menos - tal como os funcionários públicos.

- Para salvar o emprego dos funcionários públicos (e não só), os restantes são obrigados a pagar mais impostos, concordem ou não.

(Desculpa as respostas telegráficas mas não tenho tempo para mais.)

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De Utópico a 13.10.2011 às 23:52

Que pena que eu tenho dos pensionistas. :-(

Pelo menos de alguns. Não estou a falar de quem tem a reforma mínima ou reformas inferiores a 800 euros (e aqui há que ressalvar a Primeira Dama, que segundo o seu honorável esposo aufere apenas 800 euros e tem que ser protegida). Estou sim a falar de reformados com pensões acima dos 2000 euros.

Veja-se por exemplo o caso de um pensionista recente: Nuno Gomes ex-SLB e actual bracarense (coitadinho, ainda vai parar debaixo da ponte).

Não consigo perceber porquê tanto problema em mexer nas pensões (nas mais altas entenda-se) e não existe o mesmo pudor para mexer nos vencimentos da função pública.

Corta-se a remuneração na função pública (2011).
Nas pensões nada.

Corta-se o Sub. Férias e de Natal da Função Pública. Nas pensões apenas se corta um deles.

Será isto justo quando quem está no activo na maior parte das vezes tem casa para pagar e filhos pequenos na escola, enquanto que os reformados (tadinhos) na sua maioria já pagaram as suas casas e os seus filhos já são crescidos e independentes?

Vão mas é à M****.

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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:33

Utópico: não tenho tempo nesta altura para respostas compridas. Percebo o que quer dizer e há pensões escandalosas. A questão é mais delicada apenas porque, bem ou mal, as pessoas descontaram para obter uma determinada pensão e não têm propriamente tempo para tentar fazer mudanças no seu plano de poupança.
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De Utópico a 14.10.2011 às 00:20

"Sem paninhos quentes e estão à vontade para me insultar na caixa de comentários"

Afinal parece que somos tendenciosos na publicação de comentários.




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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:34

À meia noite e vinte estava a dormir. Já agora, peço aos meus colegas que aprovem os comentários a este post (mesmo os que me mandem à merda) durante o dia porque eu não vou poder fazê-lo.
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De Utópico a 14.10.2011 às 10:45

Caro JAA,

peço desculpa se interpretou o ir à M**** para si.

Não era especialmente dirigido a si, mas sim a toda esta corja que são os nossos governantes.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 14:15

Eu percebi. A expressão também não era para si, até porque quando a dei já nem me lembrava da forma como acabava o seu comentário anterior - era mesmo só para dizer aos meus colegas que deviam aprovar todos os comentários, ainda que estes demonstrassem agressividade.
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De Luís Menezes Leitão a 14.10.2011 às 00:44

Essa de deitar as culpas da crise aos funcionários públicos "que dispõem de garantias especiais, obtidas de forma coerciva" é perfeitamente absurda. O que estas medidas mostram é que o Estado pode tomar como reféns os funcionários públicos, que são o elo mais fraco desta corrente. E aí o Estado conta com a falta de solidariedade dos privados. Todos concordam com a imposição de sacrifícios que só atinjam os outros. Mas não deixa de ser uma vergonha.
O corte de pensões não é uma questão mais delicada: é um verdadeiro escândalo quebrar os compromissos assumidos com quem teve uma vida inteira de descontos.
Para mim, não fazem falta nenhuma governantes que não respeitam os compromissos assumidos. Eu não tenho interesse nenhum em viver num Estado relapso e incumpridor.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 07:39

Não, os privados também são atingidos e, já agora, quase toda a gente tem pelo menos familiares na função pública ou nas empresas públicas (eu tenho). A situação de falência é, por definição, uma situação de incumprimento. A velha e - para mim - mais importante questão, que a raiva é compreensível e até saudável mas não resolve o que quer que seja: quais são as alternativas exequíveis? Desejas assumir o default?
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De raioverde a 14.10.2011 às 10:32

essa é que é a questão.
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De raioverde a 14.10.2011 às 10:35

e já agora, sempre se pode perguntar porque é que quem já não trabalha, recebe subsídio de férias?
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De Luís Menezes Leitão a 14.10.2011 às 11:50

O default já está assumido. Só que é parcial e apenas para alguns credores. E isso é um escândalo.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 13:01

Lamento mas continuo sem perceber aquilo que propões.
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De Luís Menezes Leitão a 14.10.2011 às 17:44

Proponho que o "corte de cabelo" que os funcionários tiveram seja aplicado também aos investidores. Os funcionários perderam um quarto do seu vencimento em dois anos. Não deveriam os investidores perder idêntico montante? Ou a bancarrota do Estado é só para alguns?
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 17:57

Ah, pronto, ok, propões um default parcial de 25%. Essa via conduziria provavelmente todos os bancos nacionais à falência, deixaria vários fundos, incluindo o da Segurança Social, em graves problemas e far-nos-ia depender ainda mais de ajuda externa - e quiçá fora do euro, o que levaria a uma desvalorização imediata de trinta ou quarenta por cento - mas é uma escolha possível. Talvez até inevitável. Eu só preferia esgotar todas as alternativas (cumprir, ir tentando renegociar prazos e condições) antes de optar por ela.
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De Vergueiro a 14.10.2011 às 10:42

Vejo neste post algumas “falácias”
É verdade que, até hoje, o funcionário público está mais protegido do desemprego. Mas convém referir que também é verdade que quem foi funcionário público, durante estes anos todos, não saiu da merd@. São os funcionários públicos que compram casas de 500mil euros?? É que eu vejo estes comentários e fico de queixo caído.!!. Só quem seja tosco, tapado, ou quem tenha vivido os últimos 30anos no estrangeiro, é que não sabe que até há 2 anos atrás o privado pagava mais que estado. Quem não tinha medo de trabalhar, fosse bom e dinâmico não ia para o estado, porque ganhava mais no privado. Durante os últimos 30anos houve quem optasse pelo estado, que oferecia posto fixo geograficamente e estabilidade e houve quem optasse pelo risco do mercado que proporcionava salários mais elevados. São opções. Conheci muita gente que saiu do público para o privado. (E alguns agora querem voltar!!..)
Por isso essa do funcionário público ser o responsável, já mete nojo. Relembro também que há uns meses atrás vi no eurostat que Portugal afinal não tem assim tantos funcionários públicos por habitante comparativamente com outros países europeus. Creio até que vi que era o 4º mais baixo. Eu pessoalmente vejo cada vez menos polícia na rua… Ou preciso de um infantário para os putos e não tenho direito, porque só existem 100 vagas e como existem 100 crianças de famílias carenciadas na zona, EU sou obrigado a pagar 500euros por mês num privado!!!! Ou seja fico com um salário de família carenciada!!!!! EU PAGO IMPOSTOS!! TENHO O MESMO DIREITO QUE OS OUTROS DE ACESSO AO SERVIÇO PÚBLICO!!!!!
E para que de uma vez por todas se acabe com o mito da função pública era bom que o governo viesse esclarecer quanto é que arrecada de impostos por ano, e que percentagem dessa verba é encaminhada para salários (produtivos). Arrisco que nem 5% deve ser. Estão a esquecer, leasings, contratos com entidades externas de assessorias de bens e serviços, rendas de edifícios, pensionistas, prestações sociais (isto leva muito do orçamento), concessões (isto também leva muito), despesas de saúde (também leva muito) e JUROS (isto leva quase o orçamento todo).
Outro erro que vejo aqui é sobre as pensões. Meus caros, tirando os funcionários públicos que sempre descontaram, até há 4anos (justiça seja feita à reforma da segurança social socretina) os privados só descontavam nos últimos 5anos de trabalho e recebiam a pensão por inteiro!!! Quem não conhece estes casos?? Eu conheço! Aliás quando comecei a trabalhar (a recibos claro) o meu patrão fez questão de me recomendar que descontasse o mínimo para a SegSoc e de me explicar o “sistema”.
Resumindo, não venham agora todos fazer papel de virgens ofendidas e que a função pública é culpada. Todos sabemos que se viveu bem nos últimos anos, e que os privados tinham mil e um esquemas.
Continuem a malhar nos funcionários e depois queixem-se que o país não funciona, que tudo demora uma eternidade, ou que os índices de corrupção subiram em flecha.
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De Leonor Barros a 14.10.2011 às 12:51

Subscrevo inteiramente.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 14:01

Vergueiro: não é uma questão de salários nem da “culpa” ser dos funcionários públicos. Na verdade, é-me quase irrelevante quem ganha mais. Não é por ganharem o salário mínimo que os trabalhadores de uma têxtil ou de uma corticeira escapam às consequências da falência da empresa. E também não têm culpa por ela falir. Os funcionários públicos (que pagam impostos, com certeza, e por isso andam nas mesmas estradas e podem colocar os filhos nas mesmas escolas e têm direito às mesmas prestações sociais, etc, etc.) têm a sua "empresa" na falência e, apesar de tudo, conseguem retirar recursos aos restantes cidadãos para não ficarem desempregados. Mais: são há anos os únicos cidadãos que não se cansam de reivindicar aumentos salariais apesar dos avisos de que a situação iria dar nisto. Como digo no post, os restantes cidadãos devem ajudar porque também usam alguns serviços providenciados pelo sector público. Mas isso não invalida achar justo serem os funcionários públicos os mais afectados. Ainda que algumas empresas privadas tenham lucrado com o despesismo do Estado (e eu fui contra as PPP, o Magalhães, o excesso de aposta nas energias renováveis, etc.). Mas não é o vendedor que tem de cuidar que o comprador não se endivida demasiado, a menos que lhe esteja a vender a crédito (o que em parte aconteceu, especialmente na questão dos bancos e dos títulos de dívida pública, mas não vale a pena misturar demasiados planos).

Comparar números com a média europeia é um erro frequente mas não deixa de ser um erro - um país pobre não pode (enfim, não devia) ter o nível de impostos (em percentagem do PIB) de países ricos, logo também não pode ter o mesmo nível de despesa.
Os salários da função pública representam cerca de 14% do PIB (números talvez um pouco desactualizados porque não fui pesquisar), o que é elevado. Por favor, leia este artigo de Miguel Frasquilho, com cerca de um ano:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=437911

Quanto às regras das reformas, estou inteiramente de acordo consigo – como muitas outras coisas, as possibilidades que existiram não deviam ter existido. Mas isso não invalida que as pessoas se limitaram a aproveitar a legislação, acreditando vir a receber um determinado montante, sendo ainda que, em muitos casos, agora já não têm possibilidade de repensar as opções de poupança e reforma. Ainda assim, na situação em que estamos, sempre lhe digo que não seria contra a aplicação de um tecto às reformas (e não muito alto), especialmente para pessoas que não tivessem descontado um determinado número de anos.

Finalmente, leia o post abaixo. Tem cerca de um ano e meio e, se inclui um ou outro ponto que hoje talvez alterasse (por exemplo, gosto cada vez menos de "apoios" directos), ainda lá está o essencial.
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De Vergueiro a 14.10.2011 às 14:53

Estive a ver os dois links que enviou. Uma vez que o autor é do mesmo partido que hoje aplica essa mesma "receita" não sei até que ponto os dados são verdadeiros.
Quanto às medidas do plano do governo muitas delas são absurdas. Concordo com a privatização da TAP (podemos voar pela airfrance, ibéria, lufthansa ou qualquer outra que considere rentável aterrar em Portugal), não posso obviamente concordar com a ANA ou os Portos. Primeiro porque são lucro ao estado, segundo porque sendo do estado, está garantida, a igualdade para qualquer operador que decida utilizar as infra-estruturas. Quero com isto dizer: se por ventura fosse um grupo estrangeiro ligado à airfrance a adquirir a ANA, o que acontecia à Ibéria, lufthansa, Alitália etc? Pagavam mais para aterrar nos nossos aeroportos. Quem saía a perder? Os portugueses, que teriam de pagar os bilhetes mais caros!!!!!
Outro erro é a ideia de "atrair capital estrangeiro". Já não posso com esta frase. Esta gente não pensa. Atrair capital, como o da Autoeuropa, sim. Venham todos! Atrair capital, para comprar as nossas empresas (sejam elas públicas ou privadas) é outra coisa completamente diferente. Pois significa que o dinheiro dos lucros anuais, que antes ficavam no país, vão sair para as contas dos "investidores estrangeiros" que, como estrangeiros que são, têm contas no estrangeiro. Ora isto agrava ainda mais as exportações, pois saída de dinheiro é considerada importação. Ou seja se venderem as empresas públicas, para o ano as importações vão subir e muito, quando passam a vida a apregoar que é necessário exportar para equilibrar a balança. Isto não é de burros?? Então é de quê???
De qualquer das formas vou dizer o que penso sobre toda esta reflexão que de grosso modo resume-se a menos função pública=competitividade : tretas!! A função pública compete em quê com os privados?? Só se for na saúde(com a diferença de 2 zeros no custo).
Esta gente (políticos) não tem visão nenhuma de estado. Esse tem sido o nosso problema durante os últimos 30anos. Eles são críticos, pedagogos, filósofos, videntes, são tudo menos estadistas.
A função pública para funcionar precisa de:
1) Autonomia - relativamente aos ministros;
2) De contratos de trabalho que permitam despedimentos; (se é bom fica, se ficar mau vai fora);
3) salários compatíveis com a função que desempenha. Quero com isto dizer que um funcionário, mesmo que tenha a mesma formação base que outro, no caso de ter maiores responsabilidades tem obrigatoriamente que ganhar mais. Não é possível assistir a situações de funcionários a rejeitarem funções porque não lhes pagam o suficiente para as responsabilidades que têm.

Só assim se pode garantir que o estado funciona. Só assim se pode blindar o estado a situações fraudulentas. Só assim se pode rentabilizar recursos. Um trabalhador motivado trabalha por dois.
Caso contrário vamos continuar a desesperar por uma consulta no médico de família, vamos desesperar quando tiramos a senha na repartição de finanças(e quando somos atendidos somos despachados e no dia seguinte estamos lá batidos novamente) ou segurança social vamos desesperar com a morosidade dos processos judiciais e vamos continuar a desesperar com processos burocráticos de licenciamentos. Chega de incompetência.
São precisas reformas? Claro que sim, mas não são estas medidas. Estas vão mergulhar o país na revolta, no descontentamento na depressão e consequentemente recessão económica.

Para o ano estaremos pior, é mais que certo. O mais engraçado é que o salário mínimo na suiça são 2800euros e cá são 498. Na espanha 850, e na grécia 700. Até parece que a malta cá ganha muito $$$. Segundo a teoria do governo afinal somos todos ricos e não sabíamos. :)
"Oh Gasparzinho! Corta mais que a malta anda a ganhar muito!!.."
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 16:25

Eu desconfiaria mais do Frasquilho por ele ter estado ligado ao BES... :)
De qualquer modo: a despesa com pessoal em percentagem do PIB, sem contar com as empresas públicas, é de cerca de 12%. Ver aqui, na página 38:
http://www.min-financas.pt/informacao-economica/informacao-economica-diversa/documento-de-estrategia-orcamental-2011-2015

O "plano de governo" não era mais do que algumas ideias que alinhavei na altura. Não tenho tempo para (nem, para ser honesto, vontade de) as discutir agora. Mas é importante ter um ponto em consideração: há coisas que se tornaram inevitáveis quando ultrapassámos os limites do que era razoável e não vale muito a pena clamar que têm defeitos.

Estou de acordo que a questão não é "menos função pública = competividade". Não apenas, pelo menos. Penso que já todos percebemos que um país precisa da entrada de dinheiro e isso só se consegue com um sector exportador (industrial, agrícola, turístico, etc.) forte. Em teoria, se o Estado gerisse bem, até podia ser tudo estatal - importante é que fosse competitivo. É esta competividade que é necessário assegurar. O Estado só pode tirar da economia montantes que não a asfixiem ou entra-se num ciclo de baixo cescimento como o que temos há dez anos. Por outras palavras: o Estado tem de deixar a economia gerar riqueza antes de a taxar e não a pode taxar ao ponto de a tornar pouco competitiva - por muito boas intenções (construção de hospitais, aumento de salários de funcionários públicos, atribuição de pensões a quem não pôde contribuir durante a vida activa, etc.) que tenha (pior ainda, pelo menos de um ponto ético, se forem más: investimento público excessivo e desnecessário, projectos de fachada, subsídios a empresas amigas, etc.).

As suas propostas para o sector público parecem-me sensatas.

Não temos produtividade para ganhar os salários suiços. Mas é curioso pensar que nem com custos salariais muito mais baixos conseguimos ser competitivos. Devíamos estar a inundar a Espanha e outros países com produtos fabricados cá - e afinal somos nós quem compra carros e produtos alimentares fabricados em Espanha e noutros países da Europa. Andámos a engordar o Estado, as empresas públicas e alguns grupos privados (banca, construtoras, gestoras de infraestruturas) e a asfixiar os sectores que nos podiam ajudar a crescer de forma sustentada. E em 2009, depois de muitos avisos, 36,55% dos portugueses que se deram ao trabalho de ir votar optaram por prosseguir nesta via. Talvez devessem eles pagar uma factura mais pesada.
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De IsabelPS a 14.10.2011 às 14:20

Penso de que a questão não é de culpa ou responsabilidade. Penso eu de que tem a ver com uns gráficos da OCDE que já vi mais do que uma vez (não me lembro onde, mas se os voltat a encontrar ponho aqui): em número de funcionários públicos, Portugal está mais ou menos a meio da tabela; em massa salarial dos funcionários públicos em percentagem do PIB, está em terceira posição a contar de cima, a seguir a Chipre e Malta.

Se alguém tiver uma explicação para esta discrepância para além da óbvia, retiro o que disse, que não sou economista.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 17:12

Isabel: eu não coloquei a questão em termos de responsabilidade ou de culpa. Pelo contrário: afirmo expressamente no post que a maioria dos funcionários públicos nenhuma culpa tem (e os que têm, têm-na apenas por terem muitas vezes exigido, até através de greves, o que deviam saber que já não era comportável). O meu ponto é apenas que são eles quem está na "empresa" em dificuldades. Não podem estranhar sofrer um pouco mais do que as outras pessoas.

Creio que a explicação será que o diferencial entre o salário médio de um funcionário público em Portugal e a média é menor do que entre o PIB português (que é baixo) e a média dos PIB da União. Em parte porque (veja o artigo do Miguel Frasquilho que linkei numa resposta a um comentário mais acima) os funcionários públicos portugueses foram dos que tiveram mais elevadas subidas salariais na década seguinte à introdução do euro (58% contra 34,9% de média europeia - e 13,1% na Alemanha, por exemplo) enquanto nesse período o PIB cresceu cerca de cinco vezes menos.
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De João Mota a 14.10.2011 às 15:49

Fico sempre um pouco espantado, com o discurso de sempre e que passa sempre por: se o estado gastou muito e mal, os seus funcionários terão de sofrer as consequências..só uma pergunta, mas esse dinheiro foi mal gasto com os funcionários públicos , ou foi em estradas, centros escolares, escolas, hospitais, postos ao dispôr de toda a gente???..a culpa da Madeira também é dos funcionários públicos , e do BPN ??..eu vou assumir as minhas culpas, claro...e de que maneira, mas tenho pena sempre que ouço, é benfeita , os funcionários merecem...a nossa grande solidariedade lusitana, mentalidade que sempre nos afunda mais e que passa sempre por, enquanto não me cortarem a mim os subsídios , azar o dos outros.
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De José António Abreu a 14.10.2011 às 16:42

João: peço-lhe que releia, por favor, a terceira frase do post. Quanto ao BPN, tem toda a razão. Na altura, confesso que achei a decisão do governo aceitável, atendendo ao ambiente pós-Lehman Brothers - mas era um negócio privado que não devia ter sido salvo com fundos públicos. Aparentemente, tal como o Estado, os bancos (pelo menos os de grande e média dimensão) estão proibidos de falir. À custa de todos os contribuintes e para sossego não exactamente dos seus trabalhadores (que nem assim têm grandes garantias de que o emprego seja duradouro) mas dos seus accionistas.

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