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O confisco dos rendimentos dos funcionários públicos

por Luís Menezes Leitão, em 13.10.11

 

Este discurso demonstra claramente o falhanço total deste Governo, apenas quatro meses após ter entrado em funções. Efectivamente o país assumiu compromissos internacionais no Memorando de Entendimento com a troika, sendo com base nesses compromissos que recebeu um plano de resgate. O Governo, porém, acha que faz boa figura no exterior (embora às vezes tenha surpresas, como se viu na Eslováquia) apresentando programas de austeridade que ultrapassam em muito o previsto no Memorando. Surgem assim medidas altamente gravosas para os cidadãos, como o imposto extraordinário e agora o corte dos subsídios de Natal e férias para os funcionários públicos. Neste caso, a situação atinge uma gravidade extrema, uma vez que o Governo demonstra não hesitar em confiscar os rendimentos a uma categoria de cidadãos, apenas para parecer bem aos credores internacionais. Conforme já tive ocasião de escrever aqui, nem Marcello Caetano, que governou o país em ditadura, seria alguma vez capaz de uma barbárie semelhante.

 

Não me convencem minimamente os argumentos de que esta é a única forma de evitar a falência do país. O país já está em estado de falência, pois essa é a qualificação adequada de quem não é capaz de solver os seus compromissos. E a falência caracteriza-se precisamente pela exigência de que todos os credores sejam tratados por forma igual. Incumprir os compromissos estabelecidos com os seus funcionários para pagar dívidas resultantes de empréstimos é algo que não é autorizado por lei a nenhum devedor. Não se compreende por isso que tal seja autorizado ao Estado.

 

O Governo decidiu seguir a via grega, repetindo medidas de austeridade sobre medidas de austeridade. Não há atitude mais irracional do que a de repetir sempre as mesmas medidas, na esperança de que algum vez conduzam a um resultado diferente. O resultado expectável e seguro disto é que daqui a um ano estaremos como na Grécia ou pior. E o meu receio não é que daqui resulte a queda do Governo. É que daqui resulte a destruição do país.

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6 comentários

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De Leonor Barros a 13.10.2011 às 22:30

Não tenho dúvidas de que daqui vá resultar a destruição do país, Luís.
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De André Couto a 13.10.2011 às 22:32

Luis,
a minha posição, meramente pessoal, é a seguinte:
Sejamos sinceros. Estávamos à espera de quê? Figos?
Confesso que admiro a honestidade de me olhar nos olhos enquanto me apertam um testículo.
É de Homem.

O estado do Estado é calamitoso, podemos afirmar que o sabemos, ainda que por apenas no-lo terem dito. Estamos falidos. O empréstimo que pedimos chega em controladas fatias e só se nos portarmos bem.

Qual seria a alternativa? Uma solução exequível, entendamo-nos?

Há pouco tempo os media ejaculavam tumultos e revoluções, greves e procissões, o rebentamento do dique que contém os vândalos e cabrões.
Nada disso, para já, acontecerá.

O Povo português é extremamente singular. Tem características únicas moldadas pela sua História. Sim, o fado. Sim um trauma carneirista fascizóide,pois claro. No entanto somos um povo determinado. Encornado, se quiserem. Não vamos para onde os outros querem, não seguimos, muitas vezes, pelo caminho que só a nós mesmos beneficiaria seguir. Não somos muito espertos. Mas somos teimosos. Encornamos.

Nas passadas eleições o memorando de entendimento com a troika foi subscrito por todos os eleitores, não tenhamos a mais pequena dúvida. Se PS, PSD e CDS firmaram, com tinta, o documento, no último acto eleitoral o Povo de Portugal rubricou esse mesmo tratado, não com tinta, mas com o seu sangue. Os Partidos que escolheram a errada estratégia de se porem de parte na negociação com o triunvirato foram, sem o esperar, postos de parte nos votos dos eleitores.
Sim temos os votos no PCP, mas esses sempre os mesmos. (Não critico, notem bem, apenas o constato.)

Por tudo o que expusemos até ao momento a conclusão a retirar é por demais evidente:
A margem de manobra deste Governo é total. Não tenho medo de o afirmar. Reitero-o, pois!
Estamos, enquanto nação, dispostos a sangrar por este país.
Não haverá tumultos, a não ser os politicamente organizados.
Não haverá pilhagens e anarquia. Portugal está encornado em seguir o rumo que a maioria diz ser o único.

Até ao último limite.
A crença.
Quando e se os portugueses entenderem que tanto sacrifício não serve para resolver o problema, meus amigos, a reação será explosiva e incontrolável. Não haverá cacete capaz de segurar um luso enrabado e sem esperança.
Como diria o Bush (pai ou filho, é indiferente):
Make no mistake.

Cumprimentos.
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De André Miguel a 13.10.2011 às 22:52

Continuamos no caminho do abismo.
Havia tudo para fazer as coisas certas no momento certo. Continuamos a bater na tecla do socialismo. A livre economia fica para outra oportunidade. Que, infelizmente, parece-me não voltar a existir.
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De AMendes a 13.10.2011 às 23:00

Caro Luis Menezes Leitão

Antigamente dizia que :
" Cada português é um médico e sinaleiro"...
-Olhe tome isto...aquilo... foi assim que me curei...

...Ele é que tem razão... apresentou-se pela direita...

Agora: cada um é economista... (de bancada).

Diga-nos como fazia...que sentido de transito... que remédio!
Não vá pelo Carlos Queiróz:
-Comigo já estavamos apurados!!!!
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De lucklucky a 14.10.2011 às 13:41

20%de um ordenado de um Funcionário Publico é dinheiro pedido emprestado.
20% dos gastos em estradas
20% dos gastos em Hospitais.
20% das Pensões
.
20% dos gastos do Estado(incluindo EP e Municipios) é pedido emprestado.
.
Défice Directo são 16,6% em relação ao orçamento(se não incluirmos EP e Municípios) ou seja 8,3% em relação ao PIB.

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De Luís Menezes Leitão a 14.10.2011 às 17:38

E o que é que o funcionário público tem a ver com isso?

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