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O País numa caixa de comentários

por Pedro Correia, em 12.10.11

Tanto se fala e se escreve sobre o pequeno mundo da política. Mas pouco se escrutina o pequeno mundo da cultura. Às vezes, no entanto, vale a pena reparar nele. Porque é uma outra forma de percebermos melhor uma certa maneira de ser e de estar em Portugal. Espreitem, por exemplo, a caixa de comentários deste texto da excelente Maria do Rosário Pedreira e vejam até que ponto se ramifica o fio de polémica nele desencadeado. Não me pronuncio sobre o fundo da questão, até por desconhecer as obras dos dois nomes mais mencionados, mas sugiro um olhar atento a muitos comentários aduzidos. Mostram-nos melhor que mil discursos o que somos e como somos.


40 comentários

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De Ivone Mendes da Silva a 12.10.2011 às 14:39

Tens razão, Pierre. E mais: até assusta.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 16:04

É verdade, Ivone. E no entanto aquilo até começa muito bem, com um comentário teu.

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De Ana Vidal a 12.10.2011 às 19:35

Se ela te chama Pierre, devias tratá-la por Yvonne. :-)
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 19:36

Touché, Anne.
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De Ivone Mendes da Silva a 12.10.2011 às 22:45

Mas as meninas ainda não tinham reparado que trato o nosso Pedro por Pierre? Tipo conversa de aristocratas russos, estão a ver? :)
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:15

Me Pierre, you Natasha.
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De Ana Vidal a 12.10.2011 às 23:36

Mais oui, mam'selle, bien sur... o "Pierre, chauffeur russo" é que ainda não tinha dado por isso. :-)
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 12.10.2011 às 14:47

Muito mau, de facto. Com a particularidade de vir do que é supostamente mais erudito.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 16:29

Às vezes, meu caro Joaquim, os chamados "meios eruditos" resvalam com excessiva facilidade para a conversa de café. Ou mesmo de taberna.
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De Carlos Pires a 12.10.2011 às 15:18

Li o post e os comentários e lembrei-me logo da avaliação dos professores, cujos resultados estão para breve.

As suspeitas de falta de isenção dos avaliadores são mais que muitas. Quando a nota proposta é elevada suspeita-se de amiguismo. Quando a nota proposta não é elevada suspeita-se de inimizade. Por vezes pode ser o caso, mas outras não é - e não parece haver maneira independente e objetiva de fazer a destrinça.

Seria uma conversa longa explicar o que se deveria fazer para evitar isso na ADD, mas no caso da crítica literária é fácil: basta pedir a opinião a críticos ou escritores diferentes e publicar as suas opiniões. Depois os leitores decidirão quem tem razão.

Não é apenas a natureza da literatura que torna esse procedimento aconselhável, mas também a pequenez do país: somos poucos, os críticos e escritores conhecem-se todos, etc.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 16:30

É como diz, Carlos: somos um país pequeno. E certas pessoas conseguem por vezes torná-lo ainda mais pequeno do que ele já é.
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De Cristina Torrão a 12.10.2011 às 19:13

Permita-me, Pedro, expressar a minha opinião de que a Maria do Rosário Pedreira não esteve muito bem nesse texto. Ela podia dar-nos conta do seu desacordo em relação à crítica do livro, dando razões que se prendessem com a qualidade literária do mesmo. Mas não! Teve de insinuar a inveja, desacreditando um crítico/escritor. Porque a opinião dela tem peso, ela é, talvez, a editora portuguesa mais famosa, no momento (com todo o mérito, aliás). Mas, aqui, parece-me que se aproveitou da sua posição para defender um antigo "protegido" dela. No fundo, foi ela que deu o mote para tornar o país ainda mais pequeno do que ele é.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 19:39

Sinta-se à vontade para exprimir aqui a sua opinião, Cristina. Como referi, não me pronuncio sobre o fundo da questão por desconhecer em absoluto a obra produzida pelas duas pessoas mais mencionadas nesta longa polémica de caixa de comentários. Só gosto de pronunciar-me sobre aquilo que conheço.
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De José António Abreu a 12.10.2011 às 20:01

Pedro: não me parece que seja necessário ter lido qualquer dos autores em causa para poder ter uma opinião sobre as questões de fundo:
- É ou não um problema ter escritores a fazer apreciações críticas de obras de outros escritores? (Na minha opinião, não é; as publicações americanas e britânicas estão cheias delas e isso só faz com que as críticas sejam frequentemente elas próprias material de altíssimo valor literário.)
- É aceitável que um livro de um autor "sério" tenha menos estrelas que um livro de um autor popular? (Claro que sim. O crítico, o público-alvo, o objectivo do autor, os critérios de avaliação - tudo é diferente. Ninguém interessado em Gore Vidal - tenho de me penitenciar pelo meu esquecimento da semana passada - vai preterir um livro dele porque numa qualquer publicação alguém lhe deu três estrelas enquanto, na página ao lado, outra pessoa deu quatro a um volume da saga "Crepúsculo". Da mesma forma que quatro estrelas para "O Cisne Negro" não significam o mesmo que quatro estrelas para o último "Piratas das Caraíbas".)
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:03

JAA: estou naturalmente de acordo contigo, mas não é propriamente isso que me interessa na referida caixa de comentários, onde aliás tens duas intervenções pertinentes (tal como vários outros dos participantes). A minha chamada de atenção tem a ver sobretudo com um certo tom de acrimónia que se vai tornando bastante transparente à medida que a discussão se desenrola e nem sempre se revela com esta facilidade entre os protagonistas do chamado 'meio cultural', onde vigora uma fachada de meias palavras e de falsa cortesia. Esse verniz estala e surge aqui à superfície um clubismo quase digno de claques políticas ou futebolísticas, com entrelinhados deselegantes, insinuações, farpas envenenadas, ajustes de contas, muito preconceito e o resto que os leitores do Delito eventualmente interessados poderão acompanhar como quiserem. E que cada um tire as suas próprias conclusões.
Dos três escritores mais mencionados nessa caixa de comentários, conheço apenas - como leitor - a autora do blogue. E gosto do que escreve: fosse eu crítico e dar-lhe-ia sem hesitar várias estrelas. Dos outros não falo porque (falha minha) desconheço o que têm escrito.
Para encerrar com um toque de erudição, segue citaçãozinha de [António] Lobo Antunes: «Eu fico sempre pasmado com a quantidade de livros que se publicam e fico de boca aberta com a satisfação destes autores que, quando vendem, pensam que puseram os portugueses a ler e é obvio que isso é uma treta, porque são maus livros.»
Virá a propósito? Sei lá, como diria outro nome sonante das letras lusas.
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De José António Abreu a 13.10.2011 às 09:10

De acordo. Por cá, quase todos os sectores têm uma camada de verniz muito fina. Mesmo aqueles cuja superfície parece brilhar mais.
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De José António Abreu a 12.10.2011 às 20:03

Ah, e desculpa lá - agora é Pierre, não é? ;)
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 22:12

Pierre? Eu quero ser Eleanor, como Eleanor Rigby :)
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 22:42

Podes ser Eleonora, nome da personagem de um conto do Poe.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 22:50

Soa-me a italiano, não gosto muito e o Poe era um bocado apancado, digo eu, que de crítica literária sei zero e só leio o que me apetece. Prefiro os Beatles :)
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:07

Olha c' os Beatles 'tamém' tinham bué da panca.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 23:08

Who doesn´t?
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:06

Oui, Pierre c'est très chic.
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De Ana Vidal a 12.10.2011 às 23:41

Estás a dar beurre ao Pierre, ó Joseph Antoine?
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De José António Abreu a 13.10.2011 às 09:06

Mais non, pas du tout, Anne! À son âge, il faut faire attention au niveau de cholestérol!
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De Ana Vidal a 13.10.2011 às 10:07

looooooool. Voilà, un homme sage.
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De Carlos Cunha a 12.10.2011 às 19:31

não deixa de ser um exercício, avaliar o "país" espreitando as caixas de comentários, seja qual for a parte do país que interesse para o caso.
vão certamente surgir, no futuro, teses de doutoramento baseadas nesse exercício.
existirá diferença entre esse exercício e o de avaliar a sociedade através da observação dos participantes nos "reality shows"? talvez não.
mas, penso eu, devemos ter a precaução de pensar que se calhar a população de comentadores de posts não representa senão uma fracção dessa "parte do país".
ademais, fora das caixas de comentários, parece-me que é muito raro, no mundo da cultura literária, existirem polémicas públicas acessas, sobre apreciações ou galardões atribuídos a obras ou à "obra", excepto no tempo do saramago, devido à sua estatura enquanto autor e teimosia interventiva.
veja-se o caso da recente atribuição do prémio camões ao antónio manuel pina, que bateu o recorde estratosférico da rapidez de atribuição, decidida por um júri internacional lusófono, em meia-hora, na única reunião efectuada pelo júri.
alguém questionou, publicamente, o que quer que fosse, ou achou estranha tanta rapidez? não, nem o próprio antónio manuel pina, habitualmente tão atento a situações assim tão "diligentes".
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 19:37

Suponho que pretende referir-se ao Manuel António Pina.
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De Daniela Major a 12.10.2011 às 19:57

Eu tenho para mim que as caixas de comentários normalmente de sítios muito visitados, por ex. comentários de jornais ou de blogues muito lidos, são precisamente o espelho do país.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:17

Tal como tu, Daniela, não tenho a menor dúvida a esse respeito.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 22:17

Foi das caixas de comentários e sítios parecidos que fiz a minha recolha de bordoadas. Há de tudo e há muito mas muito mau. Quanto à polémica, não consigo opinar porque ainda estou a ler o VHM, mas adianto que já li melhor dele. Este livro parece-me mais forçado, menos genuíno, e não gosto das maiúsculas e de tantos parágrafos. É claro que não é um livro que determina o escritor, mas mesmo tendo nome na praça, se escreveu um livro mau ou menos bom não sei porque não se há-de assumi-lo e dizê-lo sem rodeios.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:14

Nessa caixa de comentários alguém diz - e com razão - que os livros não devem ser julgados em função do nome do autor mas do mérito específico de cada obra. Estou de acordo. Os melhores escritores, em regra, também produziram livros medíocres: ninguém é génio o tempo todo. E obviamente cada género literário merece uma bitola crítica. Por exemplo: gosto muito de Chandler, mas não o confundo com o Tolstoi. Deve haver uma bitola específica para os policiais, onde vários títulos de Chandler merecem cinco estrelas, tal como para outros géneros.
Nenhum deve ser ignorado ou estigmatizado - incluindo a chamada 'literatura light'. Até porque qualquer género pode sempre trazer-nos boas surpresas. O Camilo, por exemplo, cultivava o género 'light' por excelência do século XIX, o folhetim de jornal, quase literatura de cordel. E não deixou de ser um nome enorme das letras por causa disso.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 23:22

Isso mesmo. Detesto endeusamentos. Como já te tinha dito, li dois livros do vhm e gostei muito dos dois. Se este não for bom não retira nada à qualidade dos anteriores. Não se pode é assumir que lá porque escreveu dois ou três bons, todos tenham de o ser e que não consigamos admitir que não o são sem dramas ou ofensas.
Também me faz alguma confusão a comparação entre vhm e o Rodrigues dos Santos e que o simples facto de um ter mais estrelas do que o outro seja indicador de algo. Serão porventura comparáveis? Só se for por escreverem na mesma língua.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:26

Houve um conhecido crítico da nossa praça que há tempos se entusiasmou com um dos romances do JRS brindando-o com quatro magníficas estrelinhas. Eu, ignorante que sou da obra literária deste romancista de sucesso, só posso compará-lo com a Clara de Sousa e o José Alberto Carvalho como apresentador de telejornais.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 23:36

Também não li nada dele e nem me parece que o venha a fazer, não por preconceito mas porque não me chama a atenção e tenho outras coisas que me interessam mais. É um lugar-comum, mas não há dúvida de que hoje qualquer um escreve livros e que muitos são levados ao colo.
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De Ana Vidal a 13.10.2011 às 00:23

Li um único livro dele - o da tese do Colombo português - e até gostei do tema e da forma como a história está construída. Está é muito mal escrito, por isso já não me apeteceu ler mais nenhum.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 22:39

Fui ler e reler. Mas há alguém que leve a sério as estrelinhas? Não me parece.
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De Pedro Correia a 12.10.2011 às 23:26

Pelos vistos há, Leonor. Tudo começa precisamente aí.
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De Leonor Barros a 12.10.2011 às 23:33

É. É o começo da polémica. Não me parecem credíveis a maior parte das vezes. Tirando o José Mário Silva do Bibliotecário de Babel, que considero fazer crítica despretensiosa e honesta, muito do resto não me convence e não é um factor determinante nos livros que leio.
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De Pedro Correia a 13.10.2011 às 14:34

Concordo contigo, Leonor. O José Mário Silva é um bom crítico.

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