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Há uns dias falou-se bastante, por aqui, do acordo ortográfico. Pondo de parte, agora, a questão básica da existência do acordo (em relação à qual tenho muitas dúvidas, embora tenda a considerá-lo mais negativo do que positivo), tenho pensado bastante, nos últimos tempos, com o início do ano escolar, na forma como a sociedade em geral e a escola em particular irão lidar com a situação inédita, para muitos de nós, da coexistência simultânea de duas grafias e do surgimento constante de dúvidas concretas na aplicação do acordo.

E se na comunicação social o novo acordo tem penetrado paulatinamente, nas escolas não entendi ainda como será operacionalizada a sua introdução. Os programas, os manuais das diversas disciplinas, a formação dos professores que alterações terão que introduzir?

E em casa? O que vamos nós fazer? Os nossos filhos passarão a escrever de uma maneira e nós, mais avessos à mudança, deliberadamente ou não, de outra? Já são tantas as coisas que nos afastam e agora até a forma como escrevemos?

E os avós, que dão uma ajudinha e para quem, ao longo da vida, não têm visto grandes alterações a este nível? Será que se conseguirão habituar?

Cá para mim já será bom se os miúdos, perante as duas hipóteses, não optarem por uma terceira: a das grafias abreviadas das escritas de mensagens via telemóvel e redes informáticas. 

Estas vão ganhando terreno e entraram já na linguagem verbal. As minhas filhas, por vezes, dizem já: obg, em vez de obrigada; MG em vez de My God; e pior ainda, já não riem, limitando-se a dizer Lol.

Claro que todas estas angústias serão ultrapassadas daqui a algum tempo. Mas, por enquanto, não deixam de me preocupar.


26 comentários

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De Octávio dos Santos a 06.10.2011 às 10:59

As angústias serão menores se rejeitar o «acordo». Agora e sempre.
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De Ana Lima a 07.10.2011 às 01:22

Apesar de tudo o que já li sobre o assunto (incluindo alguns conteúdos interessantes do ILC...) continuo com dúvidas.
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De Luís Lavoura a 06.10.2011 às 12:14

As crianças têm uma capacidade, muito superior à dos adultos, para aprenderem duas línguas diferentes. Por exemplo, crianças filhas de pais de nacionalidades diferentes aprendem facilmente, simultâneamente, as línguas de ambos.
Isto para dizer que para uma criança é trivialmente fácil aprender que determinadas palavras tinham uma grafia dantes e agora têm outra.
Eu tenho um filho de 7 anos que não se engana numa. Conhece as grafias antigas mas sabe perfeitamente que agora se escreve de forma diferente. Nem estranha tal coisa.

Já agora, quanto aos manuais escolares: os deste ano vêem já todos de acordo com a nova grafia. Os do ano passado estavam com a grafia antiga. No ano passado ensinava-se a grafia antiga, a partir deste ano ensina-se a atual.
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De Ana Lima a 07.10.2011 às 01:45

Ainda bem que está tão optimista em relação a este tema. Tem razão, claro, em relação à capacidade das crianças para entrarem num registo diferente. Mas também em relação aos adultos é tudo uma questão de tempo, como digo no final do post. Não posso, no entanto, deixar de achar que o processo só seria linear se houvesse total consenso sobre o acordo o que está longe de acontecer. Entre os próprios professores se percebe a resistência de muitos à aplicação das novas regras o que, mesmo se apenas de um ponto de vista psicológico, interferirá, certamente, na relação de ensino.
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De Luís Lavoura a 07.10.2011 às 12:07

Total consenso é coisa que nunca haverá. Como a própria Ana diz no outro comentário, até em relação à reforma de 1973 não houve total consenso.
O processo nunca é linear. Há sempre pessoas que, por revolta ou por simples hábito, continuam a usar grafias antigas. Por exemplo, o meu padrinho continua a escrever o meu nome Luiz.
Também, alguma resistência, da parte dos adultos em geral e dos professores em particular, é sempre de esperar.
Tudo isto para dizer que esta reforma ortográfica nada tem de especial, e impôr-se-á com o tempo, como as restantes se impuseram.
A única coisa especial nesta reforma é, mesmo, o ter sido feita mediante acordo com o Brasil. E isso é uma espinha cravada na garganta de muitos portugueses em geral, que consideram os brasileiros um povo inferior. Outra coisa especial é que esta reforma afasta a grafia portuguesa de muitas palavras da grafia inglesa de palavras análogas (por exemplo, atuar versus to act), e isso é outra espinha cravada, desta vez na garganta dos intelectuais lusos, que admiram apaixonadamente o inglês.
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De Ana Lima a 08.10.2011 às 01:10

Se em relação à primeira parte do comentário tendo a concordar consigo (apesar de esta "reforma ortográfica" ter especificidades que outras não tiveram: desde logo a maior uniformização que diminui a diversidade cultural); já em relação à segunda... Não sei quem são os intelectuais lusos a que se refere. Mas não me parece que esse suposto afastamento do inglês motive assim tantos protestos. Quanto ao Brasil, os protestos não acontecerão por muitos portugueses considerarem os brasileiros "um povo inferior". Aliás os argumentos que consideram que este acordo beneficia muito o Brasil apresentam-no como uma mais-valia económica para um país que está já num processo pleno de desenvolvimento muito avançado da sua economia e que assim reforçará o seu poder, pelo menos, junto dos países lusófonos.
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De VSC a 10.10.2011 às 02:45

Um aspecto desagradável da tentativa de imposiçao do acordo é a má fé com que se assacam aos portugueses defeitos que não têm. A coisa chega à mais abjecta calúnia.
Em Portugal não há anedotas étnicas de maneis e jaquins e quanto a nacionalismos ortográficos, leia-se o que escreve um professor brasileiro de linguísitica, Maurício Silva da USP em: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html
«A década de 1920 é de particular importância para a afirmação do nacionalismo lingüístico brasileiro, o que se pode perceber já nos títulos de alguns livros que inauguram a mesma (por exemplo, A Língua Nacional de João Ribeiro, publicado em 1921). Essa afirmação nacionalista dava-se em geral pela via da negação do estatuto lusitano da língua portuguesa, o que concedia ao nacionalismo lingüístico uma natureza claramente antilusitana e antipassadista: “a bandeira modernista européia, calcada no antipassadismo foi transmudada, no Brasil, para o nacionalismo. No fundo, o nacionalismo era o antipassadismo, a negação da presença portuguesa na linguagem”.»
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De VSC a 10.10.2011 às 03:20

«E isso é uma espinha cravada na garganta de muitos portugueses em geral, que consideram os brasileiros um povo inferior.»

Hora de loucura.
Ou será que não convirá saber que os índices brasileiros de analfabetismo, literacia, frequência escolar, de faculdade, etc, são muito baixos mesmo comparados com outros países da América do Sul, ou até de África? Como os de Portugal, quando comparados desde logo com a vizinha Espanha.
Mas isso são os índices, não os povos...
E que mais? É proíbido falar da "má vontade brasileira em relação ao que vem de Portugal", como referia trextualmente em carta a Sophia de Mello Breyner, o poeta luso-brasileiro Jorge de Sena, dois conhecidos xenófobos?
Era o que faltava, já agora, uma conjunção tardia de salazarismo-stalinismo!
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De VSC a 10.10.2011 às 02:37

Felizmente há opositores a este «acordo» de todas as idades, profissões, estratos sociais e ideologias. E serão perto de 80% da população no seu total, contra a máquina do estado e o silêncio da imprensa, etc.
Creio que todos já percebemos a venerável força que tem disseminado o «acordo», obra do venerável Sarney.
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De Paula Martins a 08.10.2011 às 23:25

Nem todos, por ironia do destino, no caso da minha filha, apenas o de português não é de acordo com a nova grafia.
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De Ana Lima a 11.10.2011 às 23:28

No caso das minhas, também são os professores de português que mais protestam. O que não é por acaso. :)
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De VSC a 10.10.2011 às 02:32

Por exemplo, tomemos director e «diretor»: qual é a grafia antiga? Director, com ct ou kt é como se escreve hoje em dia em espanhol, francês, alemão, línguas nordicas, ou inglês. «Diretor» é a grafia decidida por um decreto brasileiro há 85 anos.
Parece-me uma evidência que a grafia antiga é a brasileira.
O mesmo se passa com a palavra actual, que mantém o ct ou kt nas mesmíssimas línguas. A forma antiga é, evidentemente, a brasileira.
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De Luís Lavoura a 11.10.2011 às 10:08

O nome "Frederico" escreve-se com um R depois do F em muitas línguas. Na sua origem é um nome alemão: "Friedrich" vem de "Frieden" ("paz" em alemão). Há depois Fryderik (em polaco), Fred (em inglês), Frédéric (em francês), etc. Porém, em espanhol escreve-se "Federico", sem R depois do F. Por quê? Porque na pronúncia espanhola do nome, ao contrário de noutras pronúncias, não há o som R depois do F.
Ou seja, em espanhol escreve-se o nome tal e qual como ele se lê, embora no original alemão haja um R depois do F.
A palavra "direto" em português é análoga. Nas outras línguas todas pronuncia-se um K antes do T. Em português esse som K não existe, e portanto também não se escreve. É simples.
As palavras escrevem-se em cada língua tal como se pronunciam, e não de acordo com a sua etimologia numa qualquer língua estrangeira distante. "Federico" em espanhol como "direto" em português.
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De Luís Lavoura a 06.10.2011 às 12:17

A Ana, talvez por ser muito nova, esquece-se que em 1973 já houve uma alteração da ortografia. Tal coisa não constitui nenhuma tragédia, nem nada de totalmente invulgar. Os professores num ano ensinam a grafia antiga, no ano seguinte explicam aos alunos que a grafia se alterou, e adiante.
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De Ana Lima a 07.10.2011 às 02:26

Dependendo do critério utilizado poderemos dizer que sou nova. Já muito nova, acho um exagero :)
Mas sei que não sendo o Português uma língua morta, as alterações vão acontecendo. E, não falando das anteriores, desde há 100 anos a esta parte, já houve várias reformas ortográficas, umas seguidas apenas em Portugal, outras apenas no Brasil, outras nos dois países e noutros com a mesma língua oficial. Em 1973, com muitas mudanças ao nível dos acentos gráficos, houve, de facto, uma aproximação entre as grafias dos dois países. Não foi uma tragédia, pois não. De qualquer forma, muitos são os que, ainda hoje, utilizam a grafia anterior a esse acordo. Mas nada disto poderá ser considerado uma tragédia se o compararmos com questões que tocam a sobrevivência de seres humanos. O que é facto é que, talvez pela força da opinião de tantos cidadãos que se manifestaram contra o acordo, muitos a quem este debate passaria ao lado acabam por ter, também, uma palavra a dizer. E é esta dinâmica que acaba por ser um pouco invulgar mas desejável pois dá corpo a uma participação democrática mais efectiva.
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De VSC a 10.10.2011 às 02:26

O dificil é saber por onde começar... Dado o adiantado da hora, vai por aqui: «que não sendo o Português uma língua morta, as alterações vão acontecendo.»
Ora vejamos, no Inglês, que arrisco a dizer, não é uma língua morta - e terá até alguma projecção internacional nos campos da literatura, da filosofia e da ciência não houve qualquer mudança ortográfica. Nenhuma! Nem uma letra. Vai para mais de 200 anos... E em França, pasme-se, na França onde tanto se escreveu sobre «orthographie positive» no século XIX (que foi, evidentemente, onde os portugueses de 1911 e os brasileiros foram buscar a ideia de reformar a ortografia...), também não houve qualquer reforma ortográfica (a Língua Francesa não é, evidentemente, para retraçar por mariolas e os franceses podem sempre ver os resultados das suas ideias, aplicadas «la bas», em Portugal e Brasil, onde a língua esteve e está ao dispor de qualquer ditador ou seus sucedâneos autoritários).
Destes dados, de fácil verificação, se extrai que quanto mais culto é um país menos muda a ortografia, pelo motivo simples de que o acesso à norma é simples, directo e universal. Não há analfabetismo em França, ou na maioria dos países anglófonos (um dos mais infelizes, o Zimbabué, tem, mesmo assim, uma taxa de alfabetização bastante superior à do Brasil - e Espanha está 21 lugares acima de Portugal na lista de alfabetização). O Castelhano, que também tem alguma projecção internacional teve recentemente um acordo ortotográfico a sério: mudaram seis ou sete palavras (literalmente! Uma delas será Catar em vez de K ou Qatar, as outras são semelhantes) e decidiram a nomenclatura de algumas letras (bê grande, etc). O Acordo, firmado à luz do dia por 22 academias é facultativo, claro está, por uma questão de respeito pela cidadania de quem fala Castelhano.
Já em Portugal é que ninguém pára a evolução (nem o analfabetismo, nem a iliteracia). De 30 em 30 anos, vá de reforma! É o progresso!
Agora, seria "apenas" 4% do léxico.... dezenas de milhares de palavras, e criação de perto de 70 000 duplas grafias... para abandonarmos o português hodierno, de 2011, no Português de Sarmago ou de Sophia e essencialmente passarmos a escrever do modo como o governo brasileiro decidiu, por decreto, escrever há 85 anos! Um acto de inculturação inédito em qualquer local do mundo e em qualquer época, que aqui se quer fazer passar por coisa de somenos... e em nome da «evolução» ou de ideias saloias de linguas oficiais, num torvelinho bronco de mentirolas e irrelevâncias, como se nós fôssemos tolinhos!
Já é tarde, e tenho o gosto de lhe indicar um link com artigos e obras sobre o assunto, das quais me permito destacar as do Prof. Doutor António Emiliano, mas também de Fernando Ventura ou do brasileiro Prof. Cláudio Moreno - que, embora doutorado em linguística, não deixa de contar alguns aspectos mais sumarentos e canalhas da questão, onde valeu - e vale - tudo, «naifada» incluída.
Mas o essencial a reter, e estou certo que assim concluiráé que, este «acordo» é absolutamente desnecessário e, por isso, paara além de um crime, é um erro... como dizia Fouché.
Fica o link: http://www.jrdias.com/acordo-ortografico-biblioteca.htm



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De José António Abreu a 11.10.2011 às 10:52

Excelente, VSC (tal como os seus comentários mais acima).
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De Ana Lima a 11.10.2011 às 23:31

Obrigada pelas achegas e pelas sugestões de leitura.
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De Ana Cláudia Vicente a 06.10.2011 às 15:52

Ana, tormentosa questão para qualquer educador. A linguagem abreviada não me faz confusão nenhuma, já a ortografia imposta por decreto revolve-me a figadeira.
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De Ana Lima a 07.10.2011 às 10:21

Pois eu confesso que também a linguagem abreviada me chateia, apesar de perceber a sua utilidade. :) Quanto à ortografia imposta por decreto... bem, gostemos ou não, é a única maneira de a validar.
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De Luís Lavoura a 07.10.2011 às 11:59

Todas as ortografias são impostas por decreto.
Quero dizer, as pessoas na sua vida particular (por exemplo, nas suas mensagens SMS) são livres de escrever como quiserem, mas nas escolas é ensinada uma ortografia oficial, nos textos oficiais é usada uma ortografia oficial, etc.
Ou a Ana Cláudia supõe que cada professor na sua escola é livre de ensinar aos alunos uma qualquer ortografia da sua preferência? Nunca assim foi!
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De Ana Cláudia Vicente a 07.10.2011 às 17:33

Ó Luís, como diz?!

Em Portugal isso aplica-se, de há umas boas décadas para cá, mas como talvez saiba isso não é universal, nem sequer acontece da mesma maneira em toda a Europa: existem diferentes instâncias de autoridade linguística em diferentes países, nem todos impõem por decreto parlamentar aos falantes e escreventes de uma língua secular mudanças decididas por uns quantos, assim sem mais! Exemplos?:

Em França, a Academia Francesa é desde o séc. XVII a entidade que publica os dicionários-referência da língua e emite pareceres (sem força de lei,) sobre questões desse domínio.
Em Espanha há uma instituição semelhante com atribuições semelhantes desde o séc. XIX, e também ninguém teve necessidade de decretar reforma ortográfica nenhuma, somente se integraram nos dicionários as variantes americanas os vocábulos;

Os alemães estabeleceram um conselho internacional de escreventes da língua dos 6 país que a usam, pois em 1996 fizeram uma reforma de simplificação da língua que correu tão mal que 10 anos depois voltaram atrás!

...E a língua inglesa, veja bem, tem dispensado qualquer tipo de entidade reguladora, homogeneização o 'pasteurização' por parte de quaisquer políticos ou linguistas, quer crer?

cumprimentos,
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De BST a 10.10.2011 às 03:35

É tão bom sentir vida inteligente e informada... Foi a autora daquela do «ónix da prova», não foi? Em sinal de gratidão posso mesmo recomendar um camiseiro ao seu amigo Adolfo, que está com os punhos da camisa a aparecer para além do admissível.
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De Ana Cláudia Vicente a 10.10.2011 às 11:42

Fui sim, BST. Sou rebuscada desde pequenita, eh eh.

Mas não seja severo(a) com o Adolfo: ante tanta falta de pudor suspeito que também me apareceriam os punhos vários dedos para além do curial...

Quanto ao desmando sobre a língua, não deixo de me espantar com a quantidade de pessoas que acham que os outros povos a tratam como nós.
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De BST a 10.10.2011 às 13:14

Perante a falta de vergonha, um homem precisa de se sentir bem vestido e abotoado. Nada melhor do que um bom camiseiro e camisa à medida com punhos a condizer.
Quanto ao ónix da prova, nada tem de rebuscado: é puro bom gosto e bom humor.
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De Paula Martins a 08.10.2011 às 23:30

O LOL a substituir o riso faz-me muita confusão! Quanto às abreviaturas, desde que se saiba escrever correctamente, bem como em que contextos se pode escrever com abreviaturas.

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