Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Como é difícil isaltinar

por João Carvalho, em 30.09.11

Oito anos depois, o homem foi dentro. Mas não quer dizer que tenha ido mesmo dentro. Ultrapassada mais esta fase de incidentes processuais levantados e eventuais irregularidades a conferir, o homem pode ter ido dentro apenas para uma charutada e já volta.

Um companheiro de lides do homem já declarou a Oeiras, à Nação e à Justiça qualquer coisa a que a RTP deu voz e que se resume assim: o homem foi dentro, mas não tinha de ir; afinal, há tanta gente por aí que devia ir dentro e nunca foi; basta ver o caso da Madeira, por exemplo. Ou seja (dito de outro modo): antes de serem multados todos os outros condutores mal estacionados, ninguém tem de ser multado por estacionar mal o carro.

Enfim: a nossa Justiça não tem apenas de começar a ser mais justa, a evitar ter dois pesos e duas medidas, a ser mais célere e a aprender a funcionar sem gerar muitos incidentes. Não. A nossa Justiça também tem de saber que, depois de um certo tempo, é preciso e urgente deixar uma pessoa isaltinar sem mais delongas.

Ao fim de oito anos, vá lá, é justo permitir que um homem isaltine de vez, sem continuar ainda sujeito à instabilidade de ser posto dentro e voltar a sair. Alimentar tamanha intranquilidade num homem que anda há oito anos a dizer que está de consciência tranquila só prova como é difícil isaltinar em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De seMestre a 30.09.2011 às 12:20

É de deixar o Cidadão comum desaltinado, sem dúvida!
Deixe-me, contudo, segredar-lhe que tive uma epifania: apareceu-me o arcanjo que me desvendou o seu futuro próximo, qual seja o de fabricar os seus próprios charutos na prisão, enrolando-os no sovaco do companheiro de cela.O seu engenho e arte (a par de umas "cunhas" que continuará a manter, nomeadamente para a importação da matéria prima) arregimentarão (a nobre arte da política de cacique não esquece) uma horda de trabalhadores prisionais manuais que, ao preço da china, possibilitarão, daqui a dois anos (haverá tapete vermelho dos correligionários e afins) sair directamente para a multinacional de "puros" artesanais que, entretanto, soergueu enquanto nos calabouços.
A maioria da população de Oeiras entoará hinos e cânticos em seu louvor e entronizá-lo-á de novo em 2013 (mesmo a tempo hem!?).
O Concelho com mais doutorados, mestrados e habilitações afins de Portugal, que sempre o reelegeu (ou seja, que em circunstâncias idênticas faria a mesmíssima coisa - "meter a mão na massa") - readquirirá a Felicidade perdida nesta pausa bienal.
Gente feliz com lágrimas de crocodilo.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 30.09.2011 às 12:35

Não quero desiludi-lo, meu caro, mas acho que o homem está de saída não tarda.
Sem imagem de perfil

De seMestre a 30.09.2011 às 14:56

Eu sabia que não podia confiar no arcanjo, nem confiei!
Diz-se quando o Povo espera por uma condenação - e porque na sua involuntária ignorância ou sábia razão lhe parece justa face aos factos apurados - que "quer sangue"; é suposto que esta adjectivação corriqueira e menor dilua ou apague mesmo a substância dos crimes imputados e, as mais das vezes, provados.
Espero para ouvir um comentador, opinador, advogado, político ou similar proferir tal apocalíptica e grandiloquente frase,
Imagem de perfil

De João Carvalho a 30.09.2011 às 16:19

Quer saber? Até pode ser que se dilua ou apague isso, mas jamais lhe apagarão o charuto!
Sem imagem de perfil

De seMestre a 03.10.2011 às 17:31

Maria Eugénia, João Carvalho,
Conheço Oeiras muito bem e subscrevo o que a Maria Eugénia disse sobre o desenvolvimento do Concelho.
Não há maior provincianismo que o oriundo da Capital e arredores!
O seu argumento em defesa de Isaltino é, no entanto, falacioso! o que você, literalmente, diz, preto no branco, escarrapachado, é que uma mão lava a outra!Não lava!!Pescadinha de rabo na boca essa sua argumentação, a qual conduz à impunidade total!!! A defesa de Isaltino, que você idolatradamente faz, significa para mim uma coisa:autorização para furtar(roubar implica violência). Você defende seu "gheto", o seu grupo, a sua classe. Mas, sabe, ele há mais país.
Quanto ao charuto, João Carvalho, vai apagar-se sim.Nem que seja por cancro de pulmão!
Imagem de perfil

De João Carvalho a 03.10.2011 às 19:28

A sua leitura enviesada do que escrevi não lhe permitiu descortinar qualquer laivo de ironia? Azar. O meu post tinha em vista o mau papel da Justiça, mas estou seguramente mais longe do Isaltino do que puder adivinhar.

Se tivesse desejado, V. facilmente teria descortinado o que já escrevi em devido tempo sobre os isaltinos, felgueiras, majores, judas e companhia deste país. Não quis? Azar. Era só clicar, por exemplo, no tag Justiça ou Autarquias e procurar.

A propósito do seu mau gosto: eu livrei-me de um cancro de pulmão. Talvez por não fumar charutos e não ser autarca. Como não tenho o seu mau gosto, desejo que a justiça caia sobre o caso, mas não desejo ao condenado a doença.
Sem imagem de perfil

De seMestre a 04.10.2011 às 12:24

João Carevalho: As minhas sinceras desculpas pelo comentário inoportuno e despropositado - diria até malvado!
No afã de responder à sua colega Eugénia (argumentação que mantenho) e à sua (dela) cabresta predisposição para a desculpa esfarrapada, vc apanhou, involuntaria e indevidamente, por tabela.
Não desejo mal a ninguém, assevero-lhe.
Ressalve, por favor, o humor negro de mau gosto.
Talvez a impotência infinita que se vislumbra na "justiça" para estes casos isaltinados, embora não justifique o erro, me tenha feito dizer o que não queria nem sinto.
Mil desculpas.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2011 às 14:53

Desculpado. Espero que lhe sirva de lição para não ir longe naquilo que não deve e que possa extravasar qualquer tema em debate.

Nunca defendi o Isaltino (muito pelo contrário, como é público e apesar de V. não me pedir desculpa pela insinuação que fez antes) e continuo sem saber quem é "a minha colega Eugénia".
Imagem de perfil

De J.M. Coutinho Ribeiro a 30.09.2011 às 14:56

João:
O caso Isaltino suscita várias questões.
Em primeiro lugar, o tempo decorrido: 8 anos é muito tempo para concluir um processo que, aliás, ainda nem está concluído. Por mais justificações que sejam dadas para a complexidade do processo e para as delongas na tramitação da justiça entre países, é tempo a mais.
Em segundo lugar, estamos perante a prisão efectiva dum ex-ministro e actual presidente da Câmara (e, ao que dizem, figura proeminente da maçonaria). Não é hábito em Portugal que tal aconteça. Se é verdade que existe o princípio básico de que todos os cidadãos são iguais perante a lei, na prática a teoria tem sido outra. A prisão de Isaltino parece, assim, significar um passo em frente nesta questões da Justiça, partindo do princípio de que o homem cometeu os crimes imputados. Mas, aqui, urge ainda outro sublinhado: prender o transmontano Isaltino não é o mesmo que prender uma pessoa do eixo Lisboa-Cascais . Acho que ainda falta percorrer um longo caminho até aí.
Em terceiro lugar, fica a perplexidade da prisão. Tanto quanto leio por aí, o homem foi preso num momento em que pende ainda um recurso no Tribunal Constitucional, que há quem entenda ter efeito suspensivo da condenação. A ser assim, não se percebe, portanto, a efectivação da prisão antes do trânsito em julgado da condenação. O que pode denotar um (mau) sinal de sentido contrário na Justiça portuguesa...
Tenho como válido que os poderosos não devem deixar de ser perseguidos criminalmente porque são poderosos - trata-se de cobardia da Justiça; mas também não devem ser perseguidos porque são poderosos - trata-se de perversão do sistema. Os poderosos devem ser perseguidos se (e porque) praticam crimes, em igualdade de circunstâncias com os demais cidadãos.
Veremos o que vem a seguir: se, como se lê, Isaltino foi ilegalmente preso, grande parte do sentido pedagógico da sua condenação ter-se-á perdido. Aos olhos do cidadão comum, passará de vilão a mártir. E eu já vi esta história muitas vezes.


Imagem de perfil

De João Carvalho a 30.09.2011 às 16:22

É um gosto rever-te, Joaquim. (Já agora: estou no Porto por mais uns tempos.)

Não posso estar mais de acordo com o que escreves.
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 30.09.2011 às 15:08

Gostava que também fossem condenados aqueles que, encolhendo os ombros, diziam dos altinos e dos outros: “rouba, mas faz”. Esses também deviam, pelo menos, estar dois ou três dias a pão e água.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 30.09.2011 às 16:23

Melhor ainda: dois ou três dias a pão, água e charuto colado à boca!

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D