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Delito de Opinião

Sim, eu embirro com o Albino Almeida. E então?

Rui Rocha, 29.09.11

 

Tenho as minhas embirrações. Por definição, estas existem mesmo que os destinatários não tenham culpa nenhuma. Caso contrário, não seriam embirrações, mas acusações objectivas fundamentadas com factos. No futebol, por exemplo, tinha uma grande embirração com o Postigó, etiqueta  colectiva que utilizava para designar a soma nula do contributo futebolístico do Postiga e do Djaló. E seria sempre assim mesmo que, por alinhamentos improváveis dos astros, um dia viessem a transfigurar-se em utilizadores da bola com aceitável proficiência. O mesmo se passa, na música, com o Sérgio Godinho. Não adianta. Não é tanto o facto de eu não gostar das músicas dele. É que fico sempre com a impressão de que as músicas dele não gostam de mim. E ninguém me tira isto da cabeça. Aliás, devo confessar que um dos meus piores pesadelos foi aquele em que me vi a assistir a um concerto do Sérgio Godinho com a primeira parte assegurada por Vítor Gaspar. Em versão acústica. Para mim, as baladas do Sérgio assumem sempre forma verbal. No modo, fico abalado. No tempo, sinto que chegou a hora de abalar. Ora, este mesmo sentimento me desperta o Albino Almeida, o Presidente da CONFAP (na imagem, com óculos à John Lennon). Fez-me o homem algum mal? Que eu saiba, não (nunca fiando). Defende coisas que abomino? Pois, em rigor não sei porque nunca vejo o Prós & Contras, programa para o qual é convidado pelo menos quatro vezes por ano. Terá uma voz irritante? Enfim, é possível. Mas, o certo é que quando dá entrevistas na rádio aproveito para sintonizar a Emissora Foz do Neiva que tem sempre programas geniais em que é possível, com um bocado de sorte, escutar o grupo de cantares de Manhouce, quando não o agrupamento folclórico de Perre. Este último de uma bela localidade mesmo ali ao lado de Viana do Castelo. Não posso, em consciência, afirmar que use peúgos brancos de lã. Mas, se me perguntassem, responderia convictamente que sim. Embirro com ele e pronto. Não conheço os estatutos da CONFAP, mas admito que só possa ser seu presidente quem tiver filhos a estudar. Por isso, quase me envergonho de o reconhecer em público, dou comigo a desejar, não poucas vezes, que os filhos do Albino nunca reprovem. Eu sei, eu sei, a coisa assume uma certa gravidade. Mas, com franqueza! Querem agora os caríssimos convencer-me de que nunca pensaram no mesmo?

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