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Junta médica com dislexia mental...

por João Carvalho, em 26.03.09

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Mantenho um amigo desde a juventude. Casou, tem dois filhos e continuo amigo deles todos. Um dos rapazes anda actualmente pelos 20 anos. É disléxico. As primeiras dificuldades notaram-se desde tenra idade e os primeiros tempos de escolaridade confirmaram uma dislexia profunda na leitura e na escrita.

A luta dos pais, a boa formação e educação do agregado, foram sempre essenciais. Encontraram muita gente compreensiva e colaborante, mas tiveram de lutar contra muitos professores e contra o Ministério da Educação vezes sem conta,  ao longo dos anos. Apesar de o Jorge ser inteligente e ter sido sempre muito esforçado, não faltaram docentes (imagine-se) a defender a ideia de que, tal como os deficientes motores não se movem como as pessoas saudáveis, também os disléxicos têm de encarar deixar o ensino pelo caminho!

A verdade é que lá foram vencendo cada luta travada e cada processo a reivindicar direitos óbvios. Hoje, o Jorge aceita muito bem a sua fragilidade. Tem sido um estudante bem sucedido, graças à família, aos professores (de português, designadamente, que o foram dando como apto para poder progredir) e ao seu próprio esforço. Está numa faculdade, a caminho de obter um curso de que gosta, certo de que o seu futuro profissional nunca passará pelo domínio de outras línguas.

O Jorge tem uma bolsa de estudo, claro, para a qual foi fazendo prova anual do seu problema limitador e do rendimento académico. O actual governo, que tenta cortar quaisquer benefícios a todo o custo, quis que ele fosse avaliado este ano por uma junta médica. E ele lá foi cumprir a determinação do Ministério da Educação.

Entrou e o primeiro dos cinco médicos presentes a abrir a boca perguntou-lhe:

— Então tem dislexia, não é verdade? E como é que apanhou isso?...


30 comentários

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De Once a 26.03.2009 às 15:03

Resposta: "Na paragem do autocarro", tinha sido irónico mas duvido que a personagem o entendesse

enfim ..
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 15:15

Pois... O rapaz é muito educado, mas em casa disse que esteve para responder que foi na piscina!
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 26.03.2009 às 15:39

Bem, João, agora começo a perceber como funcionam certas juntas médicas... Já ouvi histórias verdadeiramente incríveis, mas essa é a mais incrível de todas...
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 15:45

Sem dúvida, Ana.
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De Ana Vidal a 26.03.2009 às 15:40

Não posso acreditar que isso não fosse uma piada... o médico estava a fazer-se engraçado. Não teve graça, claro, mas isso é outra história.
(de qualquer maneira, o que tenho sabido de algumas juntas médicas neste país é uma autêntica anedota, embora de humor negro)
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 15:46

Pois é, Ana. Acontece que sei dizer-lhe que não foi a tentar fazer graça!
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De Ana Vidal a 26.03.2009 às 15:54

Então é caso para proibição de exercer a profissão e expulsão da Ordem, pelo menos...
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 16:25

Também acho.
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De Anónimo a 28.11.2016 às 13:08

Eu diria a esse "médico" da mesma forma eu lhe pergunto:onde apanhou seu diploma?
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De Carlos Dias Ferreira a 26.03.2009 às 15:58

João Carvalho:

Li, reli e voltei a ler, o que escreveu e muito sinceramente a única coisa que me ocorre é dizer que estamos entregues a uma "corja iluminados" desde o PM até a alguns colegas de trabalho.
Tudo isto me entristece e deixa revoltado. A questão colocada pelo médico não tem qualificação, (só se tirou o curso na Independente num domingo).
Triste país este, mas claro situações destas são coisas pontuais, dirão os responsáveis.
Porreiro, pá!!!
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 16:26

É o que se vê, Carlos.
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De Anónimo a 26.03.2009 às 16:08

Talvez esta assim: "Não foi na mesma faculdade onde o sr. dr. se formou por fax".
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De Paulo Quintela a 26.03.2009 às 16:36

Isto é uma anedota e só como anedota deve ser tomada. Um comentário jocoso por parte do clínico para fazer conversa e empatia ainda vá mas tomar a história pelo que não vale, é tão ridículo como as razões presumivelmente técnicas que são invocadas por alguns funcionários (alguns deles médicos) para recusarem as pretensões dos apelantes.

Até para batermos no governo temos de o fazer com algum bom senso, senão arriscamos-nos a cair no ridículo e a obter reacção contrária àquela que pretendemos.
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 17:13

Tome nota, antes que eu me esqueça: não tenho o mau hábito e o éssimo gosto de brincar com coisas sérias. Muito menos de amigos. Anotou bem?
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De Paulo Quintela a 26.03.2009 às 17:22

Tanta indignação democrática...
Para além da indignação, algum argumento?
Fique tranquilo, anotei devidamente e a importância é tanta que o episódio fará parte das minhas memórias.
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 17:38

Argumentos???
Não seja insolente, Paulo. Aqui não é costume tratar mal seja quem for. Está no seu direito de duvidar, mas seja mais sóbrio, porque falta-lhe qualquer motivo para me desmentir e eu já lhe disse que não brinco com coisas sérias. Nem me daria ao trabalho de desenvolver um texto como o que fiz para contar uma anedota. Ainda por cima entendeu que eu estaria a «bater no governo»: acha que é uma junta médica que nos governa?
Estamos agora entendidos ou também não percebe à segunda vez?
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De Paulo Quintela a 26.03.2009 às 17:48

Percebi à primeira, a ingenuidade não faz parte das minhas muito escassas virtudes.
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De Anónimo a 26.03.2009 às 17:14

Só para fazer empatia: e o senhor, onde apanhou essa idiotice?
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 17:17

Há gente para tudo...
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De Paulo Quintela a 26.03.2009 às 17:19

Senhor Anónimo, quando perder a vergonha da sua identidade, conversaremos então.
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De Cristina Ferreira de Almeida a 26.03.2009 às 17:11

O Google é uma invenção genial para nós, os disléxicos. Podemos trocar as sílabas à vontade k ele pergunta educadanente: "Será que quis dizer...?". Por isso uma das mi nhas expressões mais frequentes é JFGI (Just Fucking Google It)
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De Carol a 26.03.2009 às 17:13

Se não fosse um assunto tão sério, até era caso para rir...
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De mdsol a 26.03.2009 às 20:27

Li o texto e pensei que o palerma do médico tinha tanto jeito para fazer humor e descontrair o ambiente como eu tenho para a física quântica. Li o texto e pensei que o palerma do médico é dos preconceituosos que acham que só uma boa leucemia ou um grande cancro na pâncreas poderão ser motivo de ponderação para dar uma pessoa como incapacitada para determinada função. Li o texto e pensei que muitos dos problemas que temos em Portugal se devem a palermas como este.
Depois de ler os comentários e as respostas que foi dando não quero acreditar que exista um médico a exercer funções com tamanho grau de incompetência.
De certeza que ele ouviu bem "dislexia"? É mau demais para ser a sério.
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De João Carvalho a 26.03.2009 às 20:41

Tanto quanto sei, ele ou algum dos outros quatro tinha o problema anotado à frente do nariz.
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De Anónimo a 26.03.2009 às 20:41

Comentário apagado.
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De mdsol a 26.03.2009 às 20:50

Não o desculpa. Vai ver que nem leu. Desleixo, insensibilidade, incompetência em suma.
:))
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De jonasnuts a 26.03.2009 às 21:09

Mas afinal qual foi a resposta?

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