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Lisboa antiga (2)

por Pedro Correia, em 14.09.11

 

RUA DA MISERICÓRDIA (antiga Rua de São Roque)

«O chuveiro parara, um bocado de azul lavado apareceu entre nuvens. E Carlos descia a Rua de São Roque -- quando encontrou o marquês, saindo de uma confeitaria, tristonho, com um embrulho na mão, e o pescoço abafado num enorme cache-nez de seda branca.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Rua dos Dias que Voam


10 comentários

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De Hugo da Graça Pereira a 14.09.2011 às 22:30

O bom marquês de Souzelas, um picuinhas, sempre de achaques.
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De João Carvalho a 14.09.2011 às 23:21

Já gritavam convictas as tropas do Sul quando cavalgavam a carregar contra as tropas do Norte: "Ao achaque!"
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De Hugo da Graça Pereira a 14.09.2011 às 23:40

Imediatamente retorquido com um: Bamos-nos a eles cara**o!!
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De Hugo da Graça Pereira a 14.09.2011 às 23:45

Eu não sei onde é que esta malta cometeu os delitos de farra universitária, mas os meus foram e ainda são nesse mítico Bairro Alto.

Ai, se as pedras da calçada desta rua falassem. Misericórdia por ali não há, que aquilo tem uma inclinação obscena para quem volta do Bairro.
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De Laura Ramos a 15.09.2011 às 00:27

O léxico do Eça! O cache-nez, os escarpins de baile, o 'ruge-ruge' dos vestidos, os ataques de 'spleen', a 'seca', o 'ferro'... E o Gouvarinho? "Grave e oco como uma coluna do Diário do Governo"! Às vezes lá me sai o epíteto ;)
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De Pedro Correia a 15.09.2011 às 01:00

E o Dâmaso, o do 'chic a valer'... Há hoje tantos 'dâmasos' por aí.
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De Hugo da Graça Pereira a 15.09.2011 às 01:27

E o génio das referências ao gato de Afonso da Maia que de D. Bonifácio de Calatrava passara a Reverendo Bonifácio.

O «Reverendo Bonifácio», que desde que se tornara dignitário da Igreja comia com os senhores, lá estava já majestosamente sentado sobre a alvura nevada da toalha, à sombra de algum grande ramo. Era ali, no aroma das rosas, que o venerável gato gostava de lamber, com o seu vagar estúpido, as sopas de leite, servidas num covilhete de Estrasburgo. Depois agachava-se, traçava por diante do peito a fofa pluma da sua cauda, e de olhos cerrados, os bigodes tesos, todo ele uma bola entufada de pêlo branco malhado de oiro, gozava de leve uma sesta macia.

Este "gozava de leve uma sesta macia" é sublime.
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De Pedro Correia a 15.09.2011 às 19:01

Sem dúvida. Parte da perenidade da escrita do Eça vem dessas imagens únicas. Mais ninguém escrevia ou escreve assim.

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