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SNS vs Privada: decidam-se!

por Laura Ramos, em 09.09.11

Pois eu, que defendo o direito dos cidadãos a um Serviço Nacional de Saúde, vejo as coisas assim:

Tem de haver uma divisão de águas e - mais do que isso - uma clarificação de ideias e de opções por parte da cidadania crítica.

 

A propósito desta medida, e exercendo um amigável contraditório com alguém que muito prezo, proponho-me  adivinhar as razões por que muitos médicos se "manifestam preocupados" e outros - que não se encontram claramente entre as fileiras eleitorais deste Governo - aplaudem a estratégia adoptada, antevendo, contudo, os efeitos erosivos da desinformação junto da opinião pública.

 

Vejamos: a pílula deixará de ser comparticipada, mas continuará a ser distribuída nos centros de saúde e nas consultas regulares de planeamento familiar dos hospitais públicos.

- Medida maquiavélica? - Concorrência desleal entre medicina pública e medicina privada?

Não, rigorosamente, não.

De facto, fica mais barato ao Estado dar do que comparticipar.

- Porquê? Porque os medicamentos comprados em grandes quantidades envolvem custos inferiores aos dispendidos na fracção da comparticipação. Assim sendo, o Estado, via SNS, pode oferecer a pílula e, deixando de a comparticipar, estará mesmo em condições de aumentar os stocks reservados para distribuição gratuita.

 

Resultados desta medida:

- Quem quer ir à "privada", vai. Ou, rigorosamente, continua a ir, porque forçosamente já o fazia antes, para obter a necessária receita médica que titulava o direito à comparticipação. Convenhamos, com toda a razoabilidade, que quem está apto a pagar uma consulta privada pode bem pagar a pílula a preço integral. Ou não?

- Quem não quer, ou não pode ir aos privados (atenção aos termos, que não são sinónimos), vai à consulta do SNS e obtém a pílula gratuitamente, aproveitando, se calhar, para fazer, também a custo zero, a citologia, as análises clínicas e outros inomináveis exames regulares de rastreio que não preciso de enunciar, porque todas as mulheres os conhecem: os tais de que ninguém gosta e poucas de nós cumprem com a regularidade devida (falo por mim).

 

Pontos fortes e pontos fracos:

- Nós, os contribuintes, deixaremos de dar tanto a ganhar aos farmacêuticos.

-Nós, os contribuintes, deixaremos de sustentar uma via verde para a medicina privada, porque esta medida impede que os consultórios  já não sejam tão facilmente procurados para, por acréscimo, garantirem o receituário e o competente desconto, suportado por todos nós.

 

Em conclusão:

Não percebo tanta animosidade contra uma reforma que, numa lógica distributiva de recursos escassos, me parece inteligente e inteiramente justa. Democrática, para sermos exactos.

Uma reforma que combate o desperdício.

E que desagrada, é verdade, à maioria dos médicos que exercem medicina privada.

Nem todos, diga-se: porque, na verdade, não há monopólio moral de pecados na privada, nem monopólo de virtudes na medicina pública. Muitos profissionais acumulam, e acumulam, eticamente, muito bem.

 

Só que, quanto a isto - e outras coisas  - convém reunir ideias:

 

- Afinal de contas, queremos exactamente o quê?

 

Separem-se as águas.

 

E sim, definitivamente, reforce-se o SNS.

 

Precisamente desta maneira.

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26 comentários

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De Isa a 09.09.2011 às 03:17

Comparticipação também baixa em Outubro nos antiasmáticos e broncodilatadores. As pílulas e as vacinas contra o cancro do colo do útero, hepatite B e contra a estirpe do tipo B do vírus da gripe que, embora integrem o Programa Nacional de Vacinação, são vendidas em farmácia, vão deixar nestes casos de ser comparticipadas pelo Estado,

não é só a pílula... você já foi a um centro de saúde?
trabalha com horários? conseguiu ser atendida e pedir a pílula sem correr o risco de engravidar no intervalo?
Parabéns
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 03:49

Isa, calma ;)
Já fui ao meu Centro de Saúde, sim. Trabalho com horários, sim (há uns papelitos a comprovar a ausência, para fins legítimos). A comparticipação das vacinas foi reduzida, mas não banida. É claro que lamento que o contributo dos cidadãos na medicação dos seus... concidadãos tenha decrescido: mas quem integra o Plano Nacional de Vacinação (p. ex, as mulheres novas, a quem a vacina da neoplasia do colo do útero surte, de facto, efeito preventivo relevante), continuam a ter acesso gratuito a essa rede médica social.
Convém sermos realistas.
Senão, não haverá SNS para ninguém.
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 08:50

Continuo a defender a comparticipação, não só da pílula com dos anti-asmáticos e restantes vacinas que estão na calha. Acho absolutamente inadmissível que assim seja e uma total falta de respeito para com os cidadãos, Laura. Seria talvez, e digo talvez, porque não tenho a certeza, uma ideia aceitável se os Centros de Saúde funcionassem bem Não funcionam. Só quem nunca foi a nenhum é que pode achar que é uma boa ideia. Como se sabe as pílulas nem sempre estão disponíveis e pelo que sei em alguns não há preservativos. Por essa ordem de ideias passaríamos a ir todos directamente aos Centros de Saúde.
Quanto à margem de lucro dos farmacêuticos seria bom começar logo pelos médicos. A maior parte não receita genéricos e isso ainda carece de explicação.
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De amendes a 09.09.2011 às 10:45

"Os Centros de Saúde não funcionam bem"...
Então concentremos a nossa luta para alterar esse "status quo"...
Estou 100% de acordo com o post...
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 22:39

Concordo, amendes...
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De Ana Vidal a 09.09.2011 às 11:00

Leonor, eu concordo com a Laura, como já disse no teu post sobre este assunto. Até porque há que ser realista e sabendo que tem de haver cortes, prefiro sempre os que não deixam as pessoas sem tapete. Se os Centros de Saúde não funcionam - e sim, eu também já lá fui e sei como é - é isso que tem de ser corrigido. Estamos muito habituados (mal, acho eu) a resolver os assuntos "ao lado", e quase sempre com custos maiores, em vez de atacar o que está mal.
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 12:12

Não sei é como é que nesta altura se pode manter a qualidade com tantos cortes na função pública e melhorar o serviço.
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De amendes a 09.09.2011 às 12:48

Claro que sabe...quando:

As multiplas administrações pasarem a responder "criminalmente" pelo mau resultado do seu empenho. .. não as deixar saír com uma choruda indemnização... Este país não deve estar para larápios!!!
Basta ler os sucessivos relatorios do Tribunal de Contas e verificarmos o que aconteceu aos responsaveis pelas derrapagens contratuais...etc, etc

claro que sabe o que lhes aconteceu!
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De lucklucky a 09.09.2011 às 16:36

Pela mesma ordem de ideias não sabe como um portátil de 17" pode custar 1600 euros em 2005 e 800 Euros em 2011.

Chama-se Liberdade de competir. Tudo fica mais barato excepto onde o Estado toca.
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 22:45

A livre concorrêcia é uma boas coisa, lucky, mas a sua conclusão é errada nesta matéria concreta: experimente estabelecer a liberdade de competir em tudo o que toca à saúde (e acabar com o SNS) e depois venha cá dizer-me se fica mais bem servido.
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De lucklucky a 10.09.2011 às 02:41

Mercado, como exemplo poucos se queixam de falta de consultas veterinárias...

Um Documentário:
http://www.youtube.com/watch?v=nasHbuizvwE

"Of course, it's hard to make an apples-to-apples comparison when you're comparing four-legged patients to people, and there are many ways in which human care tops pet care.
But pet owners told Reason.tv there are some ways where it would be a step up to be treated like a dog."


Deixo-lhe outro exemplo com a mudança de atitude das escolas publicas no Estado de Indiana quando começou recentemente o maior programa de vouchers nos EUA com milhares a fugirem de escolas publicas para escolas religiosas:
"Interim Superintendent Carole Schmidt instructed principals to contact parents of students who are leaving to find out why and make a last pitch for them to stay."

http://www.sltrib.com/sltrib/world/52472907-68/schools-public-indiana-students.html.csp?page=2
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De Laura Ramos a 10.09.2011 às 15:48

Lucky: tem razão em muitas coisas, mas está deslocado no tema, quanto a mim.
Os USA são um muito mau exemplo no que diz respeito aos serviços públicos, quer na área da saúde, quer na área da educação.
Qualquer universidade privada é muito melhor do que as públicas (com excepção de Berkeley, que me lembre). O que não acontece em Portugal. lembro-lhe.
'Mutatis mutandis', o mesmo acontece com o ensino básico e secundário.
Quanto à saúde: por favor não invoque o exemplo dos vets!
Estamos a falar de pessoas. E não há SNS para os pets.
Falo com conhecimento de causa: tive um cão muitos anos e sei o que gastei com ele em cuidados de saúde: uma fortuna. Num mercado de veterinários variado.
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 22:49

Como os políticos que deixam sucessivamente o país neste estado calamitoso. Esses também deviam responder criminalmente, da esquerda à direita, independentemente das cabeças que rolassem. E portanto, como esses fazem porcaria, o utente é que paga. Acha justo?
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De bruxo a 09.09.2011 às 23:14

... Eu e x p l i c o...

Se respondessem "criminalmente" pelos erros de desleixo e outros ($$$) que sabemos ... As coisas estariam milhões de vezes melhor!

Um exemplo real: Um administrador adjudica milhares de milhões Euros-- empreitadas de auto-estradas, pontes e pontões... E, depois sai direitinho para a uma das empresas do grupo dum dos empreiteiros!!!!
Juntemos outras administrações...

O dinheiro mal gasto daria para oferecer a Pilula/ Vacinas durante 100 anos. Acredite!
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De Ana Vidal a 10.09.2011 às 17:01

Não pode, tens razão. Não tenho grandes ilusões sobre isso. Mas mantém-se a questão de fundo: o problema está no mau funcionamento dos Centros de Saúde e não na necessidade de comparticipação da pílula.
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De Leonor Barros a 11.09.2011 às 00:47

Esse é o meu ponto também. Como vivo numa escola diariamente e lutamos com a falta de pessoal, sei bem como as coisas estão a acontecer. Boa vontade neste momento já não chega. É muito, mas sem pessoas é difícil.
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 22:37

Não há hipótese, Ana. O Estado não tem bolsos sem fundo. Com a boa base que (ainda) temos no SNS, era fundamental compreendermos a tempo a necessidade de investir melhor na optimização dessa rede de saúde, sem prejuízo de deixar fluir a privada.
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 22:30

Leonor: evidentemente que é muito mais cómodo se todos pudermos beneficiar da atenção de um médico privado, tendo garantida a comparticipação do Estado quer nas receitas, quer na própria consulta. É uma aliança perfeita de interesses de parte a parte. Utentes e prestadores privados (médicos),todos concordam entre si.
Mais cómodo - disse eu - porque, com toda a sinceridade, não acredito que seja sempre e necessariamente melhor: na verdade, a nossa medicina pública tem um elevado grau de qualidade.
E vou ao meu centro de saúde, sim, à minha médica de família. Não esperando encontrar uma réplica ampliada dos consultórios privados onde também vou ocasionalmente, quando preciso (mas já encontro quase, quase isso no meu hospital).
Acredito que pelo país todo os centros de saúde possam não ser tão satisfatórios quanto o que conheço, ou como os mais próximos, de que ouço falar.
Mas então optimizem-se os centros de saúde, porque se o Estado pode fazer muito mais por nós, com menos dinheiro, então é um dever nacional seguir esse caminho.
Quanto aos farmacêuticos vs médicos: tenho opinião contrária. A lógica lucrativa, especulativa e alheada da dimensão humana da medicina, começa nelas. E não neles. Mas isso é outra história, demasiado comprida para aqui ;)
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 22:47

A minha última história no Centro de Saúde não corrobora a qualidade do serviço mas as falo em termos de Planeamento Familiar. Em alguns não há pílulas nem preservativos, por exemplo. Não é viável que se consiga resolver a questão por esta via.
E quanto ao privado, como sabes, é como no público, há de tudo, e há aqueles que te levam dinheiro só de pisares a soleira do consultório. O que me preocupa é mesmo não haver comparticipação também no resto que foi notícia. Fazer um esforço e colaborar para o país saia deste buraco não é isto. Há que racionalizar mas isto é cortar no que é essencial para as pessoas e tanto é assim que estava prevista uma poupança de 19 milhões de euros.
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 23:07

Quanto aos fármacos para os asmáticos, diz-me uma médica amiga que passará a ser (caricaturalmente) o mesmo que acontece quando estás habituada à ucal de chocolate e, em vez disso, passas a comprar o leite e o chocolate em pó separados. Segundo parece, os asmáticos fazem dois medicamentos por inalação, os broncodilatadores e os corticóides. E podem inalar cada um por sua vez. Claro que a indústria farmacêutica e ensaios clínicos dizem que as 2 drogas inaladas ao mesmo tempo têm um efeito melhor. Será?? (perguntava ela, profissional do foro..). Ensaios clínicos e farmacêuticas andam de mãos dadas, Leonor. Sendo que as segundas envolvem grandes interesses financeiros directos no mercado. A ucal ( e outras) acabaram com a chatice do leite e do Milo e criaram-nos a necessidade da mistura, como boa empresas que são.
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 23:10

Fizeste-me lembrar 'O Fiel Jardineiro'.
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De Laura Ramos a 09.09.2011 às 23:42

Bela recordação... deu-me uma súbita e enorme vontade de ver o filme! Mas, quanto a farmacêuticas, eu tenho uma referência cinematográfica inesquecível, pelo enorme realismo do argumento: "The Insider", com um actor de que eu gosto muito e que até acho giro e talentoso (salvo erro tu não gostas dele por aí além...): Russel Crowe. Irreconhecível e, como sempre, num grande papel. Um filme incrível onde, cara Leonor, está quase tudo sobre a verdade das farmacêuticas...
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 23:47

Não, esse não vi. Não gosto muito do Russel Crowe desde 'O Gladiador' mas gostei muito de 'Uma Mente Brilhante'.
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De Laura Ramos a 10.09.2011 às 00:10

Fico sempre espantada quando dou por que quase ninguém viu este filme! É antigo... já deve parecer mto datado. Mas continuo a achá-lo o melhor filme de Crowe (deve ter sido aí que o vi pela 1ª vez). Um biólogo de 1 grupo farmacêutico perseguido, que se revolta contra a mentira e vai até ao fim, mesmo quando vê a vida a desmoronar-se toda à sua volta. Crowe quase não esboça um sorriso durante o filme, mas transmite uma força interior espantosa. Quanto à história: podia ser um documentário... de tão próxima da realidade.
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De Ana Vidal a 10.09.2011 às 17:14

Excelente filme, Laura. Leonor, não o percas: o filme é altamente didáctico, mostra bem os interesses que movem as poderosas farmacêuticas e o desamparo de quem não está protegido pelos seguros nos EUA. Toda a hipocrisia que está à volta desse negócio é desmascarada, e ainda por cima é uma história verídica. É um grande papel do Russel Crowe (e também do Al Pacino). Do RC também não gosto muito, mas abro duas excepções: para este filme e para "Uma mente brilhante". Não percebo como não ganhou o oscar num destes filmes e ganhou no Gladiador, em que não faz nada de especial.
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De Leonor Barros a 09.09.2011 às 23:03

Os farmacêuticos são como os livreiros de manuais escolares. Ninguém ousa mexer com eles.

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