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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 12.09.11

«A todos (incluindo os que desgraçadamente nunca foram abençoados com um nome próprio) recomendo esta notícia:

Pelo que pude reter, a maioria dos funcionários transita para as entidades a que ficarão afectos os serviços que esses funcionários desempenhavam (PSP, Protecção Civil, etc). Por aí não deve haver grande poupança. Mas deixarão de existir boa parte dos 106 funcionários dependentes do governador civil (assessores, secretários, etc.), alguns dos quais com vencimentos exorbitantes. Poupar-se-á também, pelo que entendi, em rendas. Quer porque os espaços que eram alugados deixarão de ser necessários, que porque os que são do Estado transitarão para outras entidades que neste momento estão em espaços alugados.
Se tudo isso dá os 3,5 milhões e se esse valor é relevante não sei nem quero saber. Todo o ganho é muito com a extinção daquele que, a meu ver, é um produto finamente acabado das manhas e requintes que por essa administração central e local afora se usam para, em bom português, arranjar tachos. E quem paga sempre não é o Zé Povinho, coitado, que esse não tem onde cair morto. Lembremos que cerca de 60% das receitas fiscais do Estado vêm sempre daquele escasso meio milhão de indivíduos (singulares e colectivos) a que por vezes se chama classe média. (Não é gralha, não, são mesmo 500 mil a encher o bolso a cerca de 4 milhões que directa ou indirectamente dependem do Estado...)
»

 

Do nosso leitor Hugo Pereira. A propósito deste texto do João Carvalho.


12 comentários

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De João Carvalho a 12.09.2011 às 00:26

O nosso leitor Hugo Pereira bem merece o destaque, compadre.
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De Hugo da Graça Pereira a 12.09.2011 às 10:42

Amabilidade sua, João, que os meus merecimentos não hão-de ser assim tantos. Mas fica o meu agradecimento pelo apreço. Sou leitor deste blog há mais de dois anos, embora seja comentador recente. É um sítio onde uma pessoa decente se sente em casa :)
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De João Carvalho a 12.09.2011 às 11:27

Claro que só me fica bem, Hugo, mas fui sincero. Sabemos também que nunca agradaremos a todos, mas procuramos que esta casa seja o que diz e agradeço-lhe, em nome de todos nós, as suas palavras, esperando que continue a brindar-nos com a sua presença.
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De Pedro Correia a 12.09.2011 às 13:08

Faço minhas as palavras do João.
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De Rui Ratão a 12.09.2011 às 01:25

Lá voltamos à dicotomia público (labregos e calões) / privado (trabalhadores que sustentam os calões).

Assim, deste exaltante comentário do leitor, que, por exemplo, os médicos são um dos conjuntos de bestas que «depende dos impostos dos outros. Nada como mandá-los todos para o c*******, bem como profs., assistentes sociais, funcionários das finanças, etc., etc. Tudo para a rua.
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De João Carvalho a 12.09.2011 às 09:21

Não que a sua visão seja estreita, mas parece-me pecar por ser de sentido único.
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De Hugo da Graça Pereira a 12.09.2011 às 11:38

Creio que nem o Rui entendeu bem o contexto do que escrevi, nem eu o terei escrito com a precisão necessária a quem quer ser bem interpretado.

Para mim, existe uma enorme diferença entre um trabalhador dependente do estado (onde temos de incluir médicos e demais pessoal hospitalar, professores, polícias, juízes, etc.) e o funcionalismo público, aquela administração pura e dura, dos caciques e cunhas. (E aceito que me redargue que tal distinção não tem propriamente tradução oficial).

O que gostava que compreendesse, é que quando afirmo que: andam 500 mil indivíduos (singulares e colectivos) a pagar com o seu trabalho a vida a cerca de 4 milhões de dependentes do Estado (directos e indirectos); não pretendo criticar implicitamente os profissionais que de facto constituem o alardeado Estado Social, mas sim aquele segundo grupo de indivíduos, o arquétipo de funcionário público, com o seu empregozinho.

Ademais, permita-me que lhe recorde que o Estado Social - no qual não se pode tocar, que aqui d'El-Rei que nos roubam e valha-nos a Santa Engrácia que isto é um país de ultra-liberais! - esse Estadozinho não tem na sua dependência apenas escolas, hospitais e tribunais. Parafraseando o famigerado post do agora Ministro da Economia:

"[Dependem do Estado] 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes (...), 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, (...), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais."

(Note que a estrutura ministerial ainda é referente ao consulado de Pinto de Sousa).

Continuando a caracterização deste funcionalismo público que espero que V.Ex. não defenda tão acerrimamente quanto a classe médica, gostaria já agora de lhe chamar a atenção para a despesa real deste dito "Estado Social". Para poder argumentar com alguma propriedade fui retirar os valores ao OE2011. (Valores em milhões de euros). Repare que as despesas correntes do M.Saúde (8365,5), M. Educação (6261,5), M.Ciência e ES (1.868,5) e a despesa de pessoal do M.Justiça (1076,1) somam algo como €17.571,6 milhões. Se contrapuser o somatório das despesas correntes dos Encargos Gerais do Estado (1353,9), Presidência do Conselho de Ministros (228,4) e de pessoal dos MNE (352,9), MD (1823,7), M.Econ. (140,1), MOPT (120,8), M.Agr. (222,3) e do M.F. e Administração Pública (19007,0). Só essas despesas do funcionalismo puro e duro dão algo como €23249,1 milhões. E falta aqui Sector Empresarial do Estado, prémios, ajudas de custo, pensões, contratos com as empresas dos amigos, primos e cunhados, pareceres milionários a escritórios de advogados e tudo e tudo e tudo o mais.

Acho que elucidei o porquê de para mim essa máquina do funcionalismo público ser o Diabo na terra! Porque é que passada uma década a ouvir previsões catastróficas dos Professores Bambo e Medina Carreira ninguém mexeu uma palha para mudar a situação? Porque sempre houve muito milhões de portugueses com milhares de milhões de razões para que nada mudasse.

Foi o clássico "quanto pior, melhor". Até à bancarrota. E quando entrámos em bancarrota (não tenham ilusões aí), alguém nos estendeu a mão e disse: e agora que continuem a pagar os que sempre pagaram que isto é uma questão de patriotismo pah! Tudo pela Nação, nada contra a Nação! Salve-se a pátria do Belzebu dos mercados que foram os grandes arquitectos desta crise! Ámen
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De Carlos Cunha a 12.09.2011 às 13:39

pensava eu que o relevo da notícia linkada do expresso era este: "...extinguem-se 106 funcionários". genocídio, dirão alguns.
mas indo ao que importa: neste "concurso da poupança" ninguém fala dos militares?temos cerca de 18 000 militares, dos 3 ramos, no quadro. cerca de 80 são oficiais generais, mais de 5 mil são oficiais e, pasme-se, mais de 9 mil são sargentos. contratados temos mais 1 500 oficiais, 1 500 sargentos e 19 000 praças. mesmo assim parece que estes efectivos não chegam para as encomendas (vulgo missões no estrangeiro).
sei que os militares não têm culpa desta situação, mas será que não merece reparo de quem tanto comenta sobre poupanças?
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De Hugo da Graça Pereira a 12.09.2011 às 15:22

Quem muito comenta pode continuar a comentar muito que nunca conseguirá fazer o rol a todo o esbanjamento e apropriação ilícita dos fundos do erário pública desta nossa bendita III República. Mas já agora, no extensíssimo comentário anterior aparece algures a rubrica das despesas com pessoal do Min . da Defesa.
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De Carlos Cunha a 12.09.2011 às 20:21

a minha observação não se destinava ao hugo pereira em particular.
é de carácter geral; eu só queria entender porque é que sobre os militares nada se fala.
ele há aí tanto comentarista, analista, especialista em listas de poupanças, mas sobre os militares...nada.
ainda recentemente o actual ministro da defesa veio pedir-lhes desculpas públicas, "em nome" do anterior governo, porque a inspecção geral de finanças tinha afirmado que os responsáveis militares tinham cometido ilegalidades.
os militares responderam que as forças armadas não cometem ilegalidades. ponto. e agora os eleitos pelo povo têm que pedir desculpa...
quando toca a poupar, o que se passa nessa área?sabemos? não, mas vão dizer-nos, depois dos militares dizerem como querem.
eu só queria dar o meu contributo para as listas de poupanças, mas já percebi há muito que as listas têm limites, e que há assuntos sobre os quais nos deixam conversar, sim deixam, mas sozinhos.
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De João Carvalho a 12.09.2011 às 23:57

Como deve saber, temos todo o gosto se quiser sentir-se à vontade para comentar aquilo que lhe parecer que vale a pena e achar está por dizer. Não precisa de esperar que outros o façam por si.
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De Hugo da Graça Pereira a 13.09.2011 às 01:15

Exactamente João, o caro Carlos que disserte sobre a matéria então. Eu cá posso assegurar-lhe com experiência de causa que por mais abjectamente extensa que se revele a sua peroração eles por aqui não o censuram! ;)

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