Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Gaspar a postigar

por Rui Rocha, em 01.09.11

Vitor Gaspar começa a fazer-me lembrar o saudoso (livra) Hélder Postiga. Preparado tecnicamente, trabalhador, esforçado. O problema é a relação com a baliza. Que, nas contas do Estado, terá o seu equivalente no corte da despesa e nas reformas estruturais. Postiga precisava de não sei quantas oportunidades para marcar um golo quando o Jardel fazia anos. Gaspar já vai em três conferências de imprensa sem cortar nada que se veja. No futebol, driblar, passar, pressionar e desmarcar-se são sempre muito importantes. Mas, aquilo de que o povo gosta mesmo é de golos na baliza do adversário. No que diz respeito às contas do Estado é também assim. É bom que Gaspar tenha presente que Postiga, com todo o seu valor, acabou mal-amado no Sporting. E vendido praticamente a custo zero ao Saragoça. Precisamos todos muito que Gaspar tenha um futuro diferente. Para isso, é preciso que comece a marcar golos rapidamente. A paciência dos adeptos, que nestas coisas se chamam contribuintes, está já tão esfrangalhada como a dos sportinguistas. E, para já, Gaspar parece estar a ganhar um lugar na história apenas pelo número de oportunidades falhadas. E, claro, pelo aumento de impostos.

Autoria e outros dados (tags, etc)


79 comentários

Sem imagem de perfil

De Vergueiro a 01.09.2011 às 17:06

Pedro Ulrich, essa dos mercados darem bons indicadores, não sei onde foi buscá-la, quando o Sócrates saiu do governo as taxas de juro andavam nos 7,5% recentemente (3meses) atingiram o dobro. Porquê? Até agora cortes na despesa zero. A única vai ser o subsídio de natal dos funcionários públicos mas que ainda está longe e não é assim tanto dinheiro.
Os portugueses correram com o Sócrates porque a comunicação social assim quis. Isto porque tinha prometido na campanha da sua 1ª legislatura, vender a RTP ao grupo Ongoing (sim esse mesmo do Eduardo Moniz, percebe-se agora a violência dos ataques pessoais dirigidos pela estação onde este senhor e a sua mulher trabalhavam). Fizeram tudo, chamaram-lhe homosexual, gozaram com os projectos assinados na covilhã, associaram-no ao caso freeport, gozaram com a licenciatura dele, associaram-no ao caso Face Oculta e por fim colocaram-lhe o rótulo de Mentiroso por ele negar conhecer oficialmente o negócio PT/TVI. Colocaram-lhe também o rótulo de insistir nos erros, que refere no seu texto, por insistir nos PECs, não pedir ajuda do FMI e manter o TGV. Quer saber a melhor? Que mais não são estas conferências do sr ministro que Pecs disfarçados? E não seguem também estes o programa da troika? E já percebemos que o TGV também vai para a frente...
Vou-lhe dar uma novidade: Sócrates limitou-se a cumprir o que a união europeia mandava. Lançou PECS porque a UE mandou, só pediu o FMI e o BE quando a UE deixou e não parou o TGV porque a UE não deixou.
Quanto à luz ao fundo do túnel... deve ser laranja fogo do inferno, porque privatizando empresas do estado com lucros, sem reduzir despesa, significa que para o ano, teremos um défice maior (porque o deste ano vai ser camuflado pelas receitas das vendas das empresas do estado) com acréscimo das receitas que essas empresas entregavam ao estado que vão deixar de pagar...

Não vou dizer que não se fizeram erros, fizeram. Muitos. Concordo que muitas auto-estradas não servem para nada. Mas nem todos os erros tem o cunho Sócrates. Não se esqueça que muitas das empresas públicas são municipais, e qual é o partido tradicionalmente com mais autarquias??
E se lhe disser que metade da dívida pública do país, vem dos tempos do Cavaco Silva? Bom com Sócrates tivemos Auto-estradas (claro) mas tivemos outras necessárias ETAR's ETRSU(impostas pela UE), alguns Hospitais, escolas e eólicas (cujos investimentos iniciais estarão pagos daqui a 4 anos, com criação de riqueza).
Digo-lhe que hoje o estado do país não é mais grave porque o homem até teve a visão de concentrar esforços na energia(estamos a poupar 300milhões/ano em importação de energia). Eles esqueceram-se é que a economia e os mercados têm altos e baixos, e não contaram com o crash americano.
Sem imagem de perfil

De C. Costa a 01.09.2011 às 19:43

Meu caro Vergueiro, subscrevo a sua argumentação. Cedo se perceberam os intentos do Sr. Pedro U.!!! O que não percebo é como é que alguém com alguma capacidade argumentativa, como aquela que ele próprio foi capaz de demonstrar, consiga desculpabilizar em PPC aquilo que demoniza em Sócrates!
Sem imagem de perfil

De Pedro Ulrich a 02.09.2011 às 10:28

Caro(a) C. Costa,
Eu não estou a desculpar ninguém. A "culpas" ou "demónios" são conceito religiosos, muito cristãos, que pouco ou nada tem que ver com a política.
O meu 1º post tinha como objectivo, apenas, referir a esquizofrenia em que vive este país que tanto exige medidas de corte de despesa como quando estas aparecem se apressam a criticá-las. Preso por ter cão, preso por não ter...
Digo-lhe, também, com frontalidade, que "ainda" não coloco PPC no mesmo plano que Sócrates, no que diz respeito à capacidade de apresentar resultados, porque me parece prematuro. Mas quando começarem a aparecer os primeiros resultados da claustrofobia fiscal a que estamos a ser sujeitos, teremos todos a possibilidade de fazer uma reflexão sobre os resultados.
A diferença entre estes dois PM's, e que eu frizei anteriormente, está na percepção de ausência de rumo e de estratégia que se tinha há uns meses.
Perguntar-me-á se o o rumo desejável é este, e eu respondo-lhe que não sei, simplesmente parece-me prematuro dizer sim ou não. é só isto.
Eu estou disposto a aceitar decisões políticas diferentes das promessas de campanha por dois motivos: 1) a política orçamental é definida, em larguissima medida, quer o partido goste, quer não, pelo Ministro das Finanças, e esse só é conhecido (e convidado) após as eleições. Deveria ser assim? talvez não, mas para já é assim. 2) em país nenhum do mundo, no actual contexto, um partido venceria eleições se dissesse em campanha exatamente tudo o que se está a verificar agora para cumprir as metas. Lembremo-nos, por exemplo, que durante toda a campanha Sócrates e o PS nunca assumiram as dificuldades que viriam mais tarde. Chegaram mesmo a acusar o PSD de querer desmantelar o Estado Social e o SNS sem nunca explicar o que teriam de fazer para seguir as "ordens" da Troika. 3) esta é a principal. Estou disposto a aceitar desde que muito bem explicado, e neste caso, devo dizer que as explicações são muitissimo reduzidas em relação à diferença colossal entre o discurso antes das eleições e a prática políca após as eleições.
No fundo, parece-me que todos devemos ter algum bom senso e tentar olhar com alguma objectividade um pouco para além das nossas convicções políticas e partidárias.
Sem imagem de perfil

De Pedro Ulrich a 02.09.2011 às 10:00

Caro Vergueiro,
Eu não falei em mercados, falei em credores, e no caso, referia-me aos senhores que cá colocaram 78.000 milhões de Euros. Peço desculpa por não ter sido mais explícito.
Quanto ao resto, parece-me mais uma série de saudosismos em relação a um passado recente que já pouco me interessa. Os portugueses julgaram e, no futuro, julgarão quem lá está agora.
Seja como fôr, eu não gosto de teorias conspirativas que visam diminuir a capacidade de decisão do eleitorado porque isso é menorizá-lo.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D