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Ricos.

por Luís M. Jorge, em 25.08.11

Há algo de perturbador nestas manifestações de ricos que entre Nova Iorque e Paris se mobilizam para que lhes aumentem os impostos. É preciso que uma democracia ultrapasse todos os limites da submissão abjecta aos interesses de uma elite para que esta acorde repentinamente de um torpor de três décadas e nos comunique que nos esquecemos de a taxar.

 

Não competia a Warren Buffet ou à herdeira da L’Oreal propalar a generosidade de quem sofre com as dores do mundo e deseja, sacrificando-se, mitigá-las. Pelo contrário: nós, a opinião pública e o poder político deviamos tornar esta espécie de grandes gestos ridículos e desnecessários. Num país decente, com uma justiça fiscal rudimentar, os multimilionários deviam queixar-se dos seus impostos como se queixa um cidadão normal. Mas para isso era conveniente que os pagassem.

 

A Europa e a América encheram-se de vassalos desta casta que agora quer ajudar-nos. Que a criadagem das nossas plutocracias preencha os parlamentos e as administrações das empresas públicas distribuindo entre si as sobras das grandes fortunas com mesuras e salamaleques é o mais trágico testemunho do grande equívoco liberal: a ideia de que podemos deixar os grandes em paz enquanto recomendamos frugalidade aos pequenos e distribuimos roupa e comida pelos pobrezinhos.

 

Só uma sociedade de escravos consegue ser feliz entre esta miséria moral.


10 comentários

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De ajoaosoares a 25.08.2011 às 15:15

Os ricos, salvo raríssimas excepções, não estão habituados a ser generosos, mas orientar as suas atitudes em função de mais lucro, mais acumulação de riqueza. Para isso, desenvolveram uma esperteza indomável.

Porquê então esta ostentação de caridade, de generosidade? Eles olham para o Norte de África e Médio Oriente e vêm que o povo começa a acordar, os escravos deixaram de ser ovelhas dóceis e a revolta está prestes a invadir a Europa, já tendo havido vários sinais que são avisos ou precursores. Nessas condições, pensam que “se os ricos não fizerem nada agora, terão o antagonismo do público nos próximos anos” e, depois, o seu prejuízo pode ser total ou, pelo menos, incomensuravelmente maior.
Estão a jogar em benefício próprio, como é seu timbre, para evitar males maiores.

Mas temos que reconhecer que Bill Gates e Warren Buffett há poucos anos doaram metade da sua fortuna a obras de caridade e apoio social. Ainda os há com bom coração...

Cumprimentos
João

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