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Da importância das palavras

por Pedro Correia, em 20.08.11

 

Um grupo de manifestantes que protestasse nas ruas de Madrid ou de qualquer outra capital europeia contra a visita de um dirigente espiritual islâmico seria logo rotulado de "antimuçulmano". Os participantes nessa manifestação ganhariam de imediato o epíteto de "islamófobos" e não faltaria quem sublinhasse a necessidade de combater ódios religiosos em nome da liberdade de crença e do respeito pela fé alheia.

Tudo muda quando esse dirigente espiritual é o Papa. Os manifestantes passam a ser "laicos", nenhum deles é descrito como anticatólico e muito menos como vaticanófobo. Os gritos de "Papa nazi", "assassinos", "ignorantes", "pedófilos" e "filhos da puta" com que nestes dias alguns destes "laicos" têm brindado centenas de milhares de jovens católicos inserem-se na naturalíssima liberdade de manifestação que justifica aplauso dos mesmos que se indignariam com uma ruidosa reunião de "islamófobos".

Isto deve fazer-nos reflectir sobre a importância das palavras no espaço comunicacional. Nenhuma delas é neutra, nenhuma delas é irrelevante: todas nos chegam carregadas de ideologia. Compete ao bom jornalismo evitar as armadilhas da linguagem que estabelecem dois pesos e duas medidas para situações similares. Porque o preconceito ataca quando menos se espera. Sobretudo o preconceito daqueles que se proclamam livres de preconceitos.


1 comentário

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De JSP a 21.08.2011 às 00:08

As duas Espanhas, meus senhores, as duas Espanhas .
Já vêm, mais coisa menos coisa, desde a Constituiçâo de Cádiz . Pronunciamiento aqui, revolução ali, a coisa foi progredindo até ao ensaio geral de 34 .
Os tipos que perderam ( os seus imbecis herdeiros estão hoje no Poder - pelo menos até 20 Novembro), por acreditarem em Trostky , " a Espanha será a Rússia do Ocidente", tiveram a má fortuna de insistir ( 36/39) e os resultados são largamente conhecidos .
Como estamos em Espanha, aqui os tempos e as vontades só mudam na aparência - isto é, não mudam.
O cenário é sempre o mesmo , já passaram quase três gerações e os "navajazos" previstos por Pérez Reverte tornam-se cada vez mais plausíveis.
O Papa e os "gastos" são mais um pretexto para a "grande causa solidária" que se iniciou a 15 de Maio debaixo das janelas da Aguirre - quando a lógica do protesto indicava a Moncloa ou , no limite , as Cortes.
A questão fulcral, para esta canalha, é o resultado das próximas legislativas , antecipadas para Nov. próximo - daí todas estas manobras intimidatórias.
Os estribilhos não são contra o complacente Governo que os "compreende", e " respeita os seus legítimos direitos". São-no, isso sim, contra a Comunidad de Madrid, onde o PP lidera com renovada maioria absoluta.
Quanto a gastos milionários, não se ouviu um pio desta gente contra os milhôes esportulados pelo governo espanhol para arranjar um lugar na ONU ao caso clínico que dá pelo nome de Bibiana Aído, ou para a tentativa falhada de elevar Moratinos a presidente da FAO.

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