Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Da importância das palavras

por Pedro Correia, em 20.08.11

 

Um grupo de manifestantes que protestasse nas ruas de Madrid ou de qualquer outra capital europeia contra a visita de um dirigente espiritual islâmico seria logo rotulado de "antimuçulmano". Os participantes nessa manifestação ganhariam de imediato o epíteto de "islamófobos" e não faltaria quem sublinhasse a necessidade de combater ódios religiosos em nome da liberdade de crença e do respeito pela fé alheia.

Tudo muda quando esse dirigente espiritual é o Papa. Os manifestantes passam a ser "laicos", nenhum deles é descrito como anticatólico e muito menos como vaticanófobo. Os gritos de "Papa nazi", "assassinos", "ignorantes", "pedófilos" e "filhos da puta" com que nestes dias alguns destes "laicos" têm brindado centenas de milhares de jovens católicos inserem-se na naturalíssima liberdade de manifestação que justifica aplauso dos mesmos que se indignariam com uma ruidosa reunião de "islamófobos".

Isto deve fazer-nos reflectir sobre a importância das palavras no espaço comunicacional. Nenhuma delas é neutra, nenhuma delas é irrelevante: todas nos chegam carregadas de ideologia. Compete ao bom jornalismo evitar as armadilhas da linguagem que estabelecem dois pesos e duas medidas para situações similares. Porque o preconceito ataca quando menos se espera. Sobretudo o preconceito daqueles que se proclamam livres de preconceitos.


30 comentários

Sem imagem de perfil

De lucklucky a 20.08.2011 às 19:50

Muito bem. Mostra até que ponto vai a inclinação dos Media.
Imagem de perfil

De Leonor Barros a 20.08.2011 às 21:20

Bem visto, Pedro. Acho, no entanto legítimo que, dentro do respeito, as pessoas se manifestem contra o dinheiro que foi gasto com a visita do Papa.
Sem imagem de perfil

De tric a 20.08.2011 às 21:40

foi gasto !!!???
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.08.2011 às 22:07

mas você acha que estas manifestações são por causa do dinheiro gasto !!??? arranjaram essa desculpa...se assim fosse, não era contra o Papa que eles se deviam manifestar, mas sim contra o Governo de Zapatero...e não me parece que tenha havidos slogans contra a o PSOE e Zapatero nas manifestações...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.08.2011 às 23:26

Leonor: como bem reparaste, no meu texto não me pronuncio sobre a questão dos gastos: pronuncio-me sobre o duplo critério jornalístico. Os manifestantes anticatólicos são "laicos", enquanto qualquer manifestação antimuçulmana é chamada assim mesmo: antimuçulmana. E os seus participantes são islamófobos - não são "laicos".
'Doubletalking', como diria o Orwell. Uma linguagem escandalosamente dúplice.
Imagem de perfil

De Leonor Barros a 20.08.2011 às 23:30

Sim, claro, foi apenas uma achega, porque também escrevi sobre as manifestações e outras divagações n' A Curva.
Sem imagem de perfil

De Carlos Pimentel a 20.08.2011 às 22:12

Boa noite Pedro,

Para além da falácia que uma comentadora já desmontou (sim, os protestos eram na génese - tome lá uma bela palavra - contra a guita despendida por todos os contribuintes espanhóis, laicos ou não, para pagar a visita de "sua santidade"), talvez fosse importante não olvidar a repressão policial brutal de que foram alvo as pessoas que protestavam. Talvez, até, isso seja mais importante do que a grosseria de alguns, poucos, que aqui fez questão de glosar, não lhe parece?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.08.2011 às 23:31

Já que insiste, falemos então um pouco de gastos - até por termos uma profunda autoridade na matéria deste lado da Península Ibérica: em Portugal mandámos fazer dez estádios para o Euro 2004 como se fôssemos um país rico (a factura ainda está a ser paga, sem manifestações de rua).
Segundo o último censo, muito recente, 71% dos espanhóis declaram-se católicos. Nada mais natural que o Papa seja calorosamente recebido em Espanha por centenas de milhares de pessoas, como é o caso. Esta iniciativa, garantem os seus promotores, é autofinanciada pelos participantes (70%) e por donativos de empresas (30%). E gera receitas turísticas que cobrem as despesas - garantem também (dados que não vi desmentidos até agora). O 'dinheiro dos contribuintes' (católicos, na maioria) é gasto essencialmente com a mobilização de forças de segurança. Nada que não suceda em qualquer grande espectáculo desportivo ou num megaconcerto rock. Esta é uma obrigação das autoridades, à margem de crenças, ideologias ou correntes estéticas.
Os manifestantes anticatólicos, paradoxalmente, forçaram o aumento desta despesa com as ruidosas manifestações de protesto em que não se coibiram de insultar os jovens participantes na JMJ. Dando assim ao mundo uma imagem extremista, de profunda intolerância, que felizmente nada tem a ver com a Espanha contemporânea - tolerante, multicolorida e plural.
Mas admitamos que não havia lucro, mas prejuízo manifesto para os cofres públicos no balanço entre as receitas e as despesas. Do seu ponto de vista seria natural que a manifestação se dirigisse contra a Igreja Católica e os jovens de todo o mundo que acorreram a Madrid ao encontro de Bento XVI ou contra o Governo socialista que decidiu receber o Papa?
Sem imagem de perfil

De JSP a 21.08.2011 às 00:08

As duas Espanhas, meus senhores, as duas Espanhas .
Já vêm, mais coisa menos coisa, desde a Constituiçâo de Cádiz . Pronunciamiento aqui, revolução ali, a coisa foi progredindo até ao ensaio geral de 34 .
Os tipos que perderam ( os seus imbecis herdeiros estão hoje no Poder - pelo menos até 20 Novembro), por acreditarem em Trostky , " a Espanha será a Rússia do Ocidente", tiveram a má fortuna de insistir ( 36/39) e os resultados são largamente conhecidos .
Como estamos em Espanha, aqui os tempos e as vontades só mudam na aparência - isto é, não mudam.
O cenário é sempre o mesmo , já passaram quase três gerações e os "navajazos" previstos por Pérez Reverte tornam-se cada vez mais plausíveis.
O Papa e os "gastos" são mais um pretexto para a "grande causa solidária" que se iniciou a 15 de Maio debaixo das janelas da Aguirre - quando a lógica do protesto indicava a Moncloa ou , no limite , as Cortes.
A questão fulcral, para esta canalha, é o resultado das próximas legislativas , antecipadas para Nov. próximo - daí todas estas manobras intimidatórias.
Os estribilhos não são contra o complacente Governo que os "compreende", e " respeita os seus legítimos direitos". São-no, isso sim, contra a Comunidad de Madrid, onde o PP lidera com renovada maioria absoluta.
Quanto a gastos milionários, não se ouviu um pio desta gente contra os milhôes esportulados pelo governo espanhol para arranjar um lugar na ONU ao caso clínico que dá pelo nome de Bibiana Aído, ou para a tentativa falhada de elevar Moratinos a presidente da FAO.

Imagem de perfil

De Ana Vidal a 21.08.2011 às 02:48

É revoltante, tens razão. Onde está a liberdade religiosa quando é a maioria a reclamá-la? E não são os gastos que estiveram em causa nas manifestações, já que foram maioritariamente privados. Dito isto, uma ressalva: eu não concordo com esses gastos (como não concordei quando foi cá, pelas mesmas razões) e não gosto nada do fausto da igreja católica, ainda mais nos tempos que correm. A igreja de Cristo devia ser humilde, é nessa mensagem que eu acredito.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 14:36

Acompanho-te nas reservas que exprimes, Ana. No entanto, a liberdade de cada qual aderir à fé que escolher tem de ser inviolável. Só participou nesta jornada católica quem muito bem entendeu, ninguém foi coagido a fazê-lo. Não estamos na Arábia Saudita, onde existe uma religião de Estado - a muçulmana. Nem na Coreia do Norte - onde estive uma 'não-religião' de Estado - o ateísmo oficial. Mas também não estamos em nenhum dos países onde cerca de 200 milhões de cristãos são perseguidos, presos e até mortos nos dias de hoje. Da Nigéria ao Paquistão.
Quanto à questão das despesas, nada como dar a palavra ao ministro espanhol do Fomento, José Blanco: «Los beneficios económicos inducidos [con la visita del Papa] no es una cuestión de fe, es un hecho; y, en este sentido nosotros valoramos positivamente y con respeto el transcurrir de la visita.» (Transcrito do 'El Mundo' de ontem).
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 21.08.2011 às 15:00

Sim, eu sei que estes eventos ultra-mediáticos podem significar benefícios económicos, o que não é irrelevante para as depauperadas economias dos nossos tempos. Nada contra, não vejo nenhum mal em que um país tire dividendos de uma visita papal. O que digo é que o papa deve resguardar-se desses assuntos e não dar aso a críticas sobre fausto e despesismo, mesmo privado. E sobretudo não ser ele próprio um símbolo desse fausto, absolutamente contrário à mensagem original, que é de despojamento absoluto. Mas esse não é um mal exclusivo deste papa, infelizmente. O próprio Vaticano contraria totalmente o conceito original.
Àparte isto, num país democrático a liberdade religiosa tem de ser respeitada. E esse direito não muda só porque é a religião da maioria. Como dizes, a impensa cai no erro dos preconceitos que critica.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 21:07

Como te disse antes, Ana, acompanho-te nas reservas que exprimes. Sei, aliás, que estas visitas papais rodeadas transformadas em mega-espectáculos mediáticos e em gigantescos banhos de multidão são criticadas por gente muito respeitável dentro da própria Igreja Católica, mais sensível ao recolhimento, à oração e a um discreto apostolado no interior de igrejas e conventos.
É um debate interessante nas fileiras católicas, mas que não pode constituir caução explícita ou implícita a qualquer restrição da liberdade religiosa. Tal como a liberdade de reunião, de manifestação e de imprensa também não devem ser restringidas. Todas estas liberdades - tal como o direito de reunião e de associação - são indissociáveis, andam interligadas. A compressão de uma legitimará sempre a compressão de qualquer outra, o que é inaceitável. E nisto - tenho a certeza - estamos de acordo também.
Imagem de perfil

De Laura Ramos a 21.08.2011 às 03:55

Quanta verdade...
É nestas alturas que me lembro do que dizia um certo Ratzinger, filósofo (que avoco por mera coincidência). O nosso maior ponto fraco é a perda acelerada da consciência europeia e dos valores objectivos em que assentamos a nossa identidade histórica. Tratamo-los ao pontapé, enquanto os outros se unem em torno dos que lhes pertencem, comendo-nos as papas na cabeça. E isto nada tem a ver com liberdade religiosa, tolerância, etc. Aliás, isto pouco tem a ver com religião, tout court.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 14:29

Somos capazes de assistir impávidos ao rolo compressor das liberdades, Laura. 'Proibir' a visita do Papa a Espanha, onde chegou a congregar cerca de um milhão e meio de jovens, era (julgava eu) uma reivindicação inimaginável por parte dos 'indignados' do 15-M, que saíram em Maio às ruas das principais cidades espanholas em defesa do alargamento das liberdades - nomeadamente a liberdade de expressão e de manifestação, que são inquestionáveis. Mas também a liberdade de crença deve ser inquestionável, sob pena de todas as outras começarem a ser questionadas também.
Sem imagem de perfil

De Coconut a 21.08.2011 às 14:33

Caro Pedro Correia,

A propósito do seu último comentário, penso que tentar legitimar os gastos incorridos com a JMJ por um Estado que se diz laico e secular com o facto de a maioria da sua população ser católica é um mau argumento. Levado à sua pureza conceptual, levaria a entender que os gastos do Euro 2004 estão legitimados com o facto de a maioria da população portuguesa gostar de futebol.

Sobre o financiamento da visita, o que talvez desconheça é que o Estado Espanhol vai conceder benefícios fiscais às empresas que ofereceram donativos para as visitas. Ou seja, os seus 30% de patrocínios já de si são financiamento indirecto do Estado, na medida em que correspondem a receitas que deixam de ser obtidas pela Fazenda Pública.

Adicionalmente, há o facto de estes peregrinos beneficiarem de uma redução de 80% nas tarifas dos transportes públicos. Isto numa altura em que os custos para a população em geral subiram 50%, devido às medidas de austeridade do Governo Espanhol.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 14:58

Caro(a) Coconut:

Lamento que praticamente ninguém venha aqui comentar o que escrevi: a duplicidade de critérios do discurso jornalista dominante. De qualquer modo, se a questão fundamental é a da "despesa" da visita (algo que nunca vi pôr em causa em relação a qualquer outra deslocação a Espanha de uma entidade política, religiosa, desportiva ou do mundo do espectáculo), o alvo dos protestos deveria ser o Governo socialista de Rodríguez Zapatero e não o chefe da Igreja Católica.

Sinceramente, faz-me sempre muita impressão assistir à utilização de argumentos economicistas por parte de quem, como os 'indignados', a toda a hora proclama palavras de ordem anti-economicistas. Convém arrumar as ideias e solidificar um pouco melhor os argumentos. A menos que o 'economicismo' ande aqui ao sabor das conveniências momentâneas.

Mantendo-nos no terreno 'economicista', que não é o meu, a sua linha argumentativa centra-se na despesa e omite a receita. Passo, portanto, a palavra ao ministro espanhol do Fomento, José Blanco: ««Los beneficios económicos inducidos [con la visita del Papa] no es una cuestión de fe, es un hecho; y, en este sentido nosotros valoramos positivamente y con respeto el transcurrir de la visita.» (Transcrito do 'El Mundo' de ontem).»

Balanço positivo, pois. "Não é uma questão de fé, é um facto", garante Blanco. Paradoxalmente, nada custou tanto ao contribuinte espanhol como o aparato de segurança montado no centro de Madrid para evitar que as lamentáveis agressões verbais dos 'indignados' aos jovens católicos redundassem em agressões físicas.
Sem imagem de perfil

De Carlos Cunha a 21.08.2011 às 15:03

com papas e bolos se engana muita gente.
estes artigos geram sempre confusão: o "motivo" do post é sobre a importância das palavras no meio comunicacional, e os preconceitos no seu tratamento, mas o Pedro Correia apresentou o caso da visita papal a madrid, que logo faz derivar o motivo.
e no entanto temos à nossa volta tantos casos tão interessantes e exemplares, que nos dizem respeito aqui e agora, dentro da nossa casa, e para os quais nem uma palavra surge, correcta ou incorrecta, apenas silêncios geridos, por causa dos tais preconceitos.
veja-se o caso das "irregularidades" nas promoções das forças armadas e o modo como está a ser tratado pelos meios de informação e governo, com o actual ministro da defesa a "apresentar " desculpas públicas ( "colocando-as" na esfera do anterior governo) àqueles que cometeram as irregularidades, dando toda a ídéia de que a isso foi obrigado pelos que esses que cometeram as irregularidades.
e, aqui, não posso estar mais de acordo com o título e motivo principal do post : "da importância das palavras", principalmente quando estas se calam.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 15:14

Já tenho visto muita gente desconversar nas caixas de comentários, mas neste campeonato você leva a taça. Com todo o mérito.
Bom domingo.
Sem imagem de perfil

De L M D a 21.08.2011 às 17:07

Sou um católico orgulhoso, (embora não praticante) e detesto quando me faltam ao respeito.
Para exigir o respeito, tenho de respeitar os outros (posso não concordar), e aquilo a que se tem assistido em Madrid, é a uma completa falta de respeito pelas livres opiniões de cada um, com a "cumplicidade" de certos média, cuja isenção deixa muito a desejar.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2011 às 21:20

Toca num ponto essencial: «Para exigir o respeito, tenho de respeitar os outros.» Mesmo quando discordo deles.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 21.08.2011 às 20:50

Para quem ficar enganado pelos que querem desconversar Pedro Correira critica a duplicidade dos media.

Aqui está outro exemplo sobre o mesmo assunto:
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4507897.html
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.08.2011 às 23:24

Boa achega, Lucklucky.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D